Credores recebem mal proposta da Argentina e pagamento da dívida pode parar na Justiça dos EUA

País quer pagar parte da dívida por meio de bônus atrelado a exportações agropecuárias e pediu redução de juros

Buenos Aires

Apesar do otimismo do ministro da Economia Martín Guzmán e do governo argentino, que acreditam um desfecho positivo para a renegociação da dívida externa ainda nesta semana, os principais credores já sinalizaram, nesta quinta-feira (18), que não aceitarão emendas propostas pela Argentina a sua proposta inicial.

Ainda que o FMI (Fundo Monetário Internacional) defenda que uma quinta data seja estabelecida e que as negociações continuem, a percepção de quem acompanha a negociação é que há risco de os credores desistirem.

Nesse cenário, o grupo recorreria à Justiça nos EUA –o tornaria oficial o nono calote da dívida externa pela Argentina em sua história recente.

O risco de o acordo não ser fechado piorou as perspectiva do mercado financeiro em relação à Argentina. Nesta quinta-feira, o seu risco-país, indicador que mede o temor em relação à capacidade de pagamento de dívidas, subiu 4,7%.

A Argentina havia reduzido o prazo de pagamento, em relação à oferta original, de três para dois anos de carência. Também elevou o valor a ser pago. Inicialmente seriam US$ 0,40 por dólar devido, mas elevou a oferta para US$ 0,49.

Os credores, porém, insistem em uma aumento maior, de ao menos US$ 0,55.

A Argentina sugeriu pagar parte da dívida por meio de um bônus vinculado às exportações agropecuárias do país. O governo também pediu uma redução na carga de juros, da ordem de 62%, e proposta não foi bem recebida.

O ministro da Economia Martin Guzmán considera que a Argentina está em "moratória técnica", uma vez que descumpriu o prazo de pagamento em 22 de maio. Na ocasião, deveria ter desembolsado US$ 503 milhões em juros da dívida. Os credores aceitaram estender o prazo e seguiram negociando até dia 7. Agora, o prazo final venceria nesta sexta-feira (19), com base na nova proposta apresentada no começo da semana.

Se não chegarem a uma consenso e não houver nova prorrogação, e a Argentina entrará, de fato, em moratória.

Em uma entrevista a uma TV argentina na noite de quarta-feira (17), o presidente da Argentina, Alberto Fernández, já fez uma declaração que foi interpretada no mercado de que não haverá avanços até a data limite, nesta sexta-feira (19). "Eu não vou ficar conhecido como o presidente da moratória. Esse presidente foi o anterior", afirmou, referindo-se a seu antecessor, Mauricio Macri.

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