Economia brasileira deve encolher 8% em 2020 e terá recuperação fraca, projeta Banco Mundial

PIB mundial terá maior contração desde a Segunda Guerra, mesmo com reabertura de atividades

São Paulo

A economia brasileira deve encolher 8% em 2020, um dos piores resultados globais, de acordo com estimativas divulgadas nesta segunda-feira (8) pelo Banco Mundial. Em janeiro, a instituição projetava crescimento de 2% para o Brasil neste ano.

Além de ter uma retração superior à média mundial de 5,2%, o país terá uma recuperação mais lenta. A projeção de crescimento para 2021 é de 2,2%, pouco mais da metade do crescimento mundial de 4,2% esperado para o próximo ano.

“A economia global sofrerá contração de 5,2% neste ano. Isso representaria a recessão mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial, com a maior proporção de economias desde 1870 a experimentar declínio do produto per capita [90% dos países, ante 85% na Grande Depressão dos anos 1930]”, afirma o Banco Mundial em sua publicação “Global Economic Prospects”.

As economias avançadas devem encolher 7%. As emergentes e em desenvolvimento, 2,5%, em sua primeira contração como grupo em pelo menos 60 anos.

“A expectativa de declínio para a renda per capita é de 3,6%, o que levará milhões de pessoas à situação de pobreza extrema neste ano”, afirma a instituição.

As estimativas consideram que a pandemia se atenue o suficiente para permitir a suspensão das medidas de distanciamento social até meados deste ano nas economias avançadas e um pouco mais tarde nas economias emergente e em desenvolvimento.

Se isso não se confirmar, em um cenário mais negativo, a contração do PIB mundial poderia chegar a até 8% neste ano, seguida de uma recuperação de apenas 1% em 2021.

Entre os países desenvolvidos, a economia dos EUA deve contrair 6,1% neste ano, e a da Zona do Euro deverá encolher 9,1%, com recuperação de 4% e 4,5%, respectivamente, no próximo ano.

Para a China, a estimativa é de crescimento de 1% neste ano e 6,9% em 2021.

Entre as 14 recessões dos últimos 150 anos, a atual seria classificada como a 4ª mais profunda (seguida pelos períodos de 1914, 1930-32 e 1945-46). Espera-se uma queda de 6,2% para o PIB (Produto Interno Bruto) per capita, maior queda desde a Segunda Guerra Mundial.

“As perspectivas são extremamente incertas com o predomínio de riscos no sentido descendente, incluindo a possibilidade de uma pandemia mais prolongada, instabilidade financeira e retração do comércio global e cadeias de suprimento."

Segundo a instituição, a contração no Brasil está ligada, principalmente, às medidas de contenção da propagação do vírus, investimentos em queda e redução nos preços de commodities.

A recuperação em 2021 pressupõe uma reversão desses fatores, além da retomada das discussões sobre as reformas tributária e do ambiente de negócios, “agenda que foi colocada em espera para priorizar a resposta à Covid-19”.

De acordo com o banco, as economias de mercado emergente e em desenvolvimento com espaço fiscal disponível e condições de financiamento economicamente acessíveis deveriam considerar estímulos adicionais se persistirem os efeitos da pandemia.

"Isto deveria ser acompanhado de medidas para ajudar a restaurar a sustentabilidade fiscal de médio prazo, incluindo medidas que fortaleçam os quadros fiscais, aumentem a mobilização de receita interna e eficiência das despesas, e elevem a transparência fiscal e da dívida."

Segundo a instituição, a crise afeta mais os países em que a pandemia foi mais grave e onde há forte dependência do comércio global, do turismo, da exportação de produtos primários e do financiamento externo. Esse é o caso do Brasil.

Em relação aos países emergentes, o Banco Mundial diz que as interrupções no sistema escolar e no acesso à atenção de saúde primária provavelmente terão impactos duradouros no desenvolvimento do capital humano.

“Trata-se de uma perspectiva profundamente desanimadora, com a probabilidade de a crise causar cicatrizes duradouras e impor grandes desafios globais”, disse a vice-presidente de Crescimento Equitativo, Finanças e Instituições do Grupo Banco Mundial, Ceyla Pazarbasioglu.

“Nossa primeira ordem do dia é fazer face à emergência global de saúde e econômica. Além disso, a comunidade global deve unir-se para encontrar maneiras de reconstruir a recuperação mais robusta possível para evitar que mais pessoas caiam na pobreza e no desemprego”.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.