Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Recessão nos EUA começou em fevereiro após mais longo ciclo de crescimento

Magnitude inédita na queda do emprego e produção justificam classificação, diz comitê

Washington | The Wall Street Journal

A economia dos Estados Unidos entrou em recessão em fevereiro, informou na segunda-feira a organização que data os ciclos econômicos no país, pondo fim à mais longa expansão já registrada na história americana.

A atividade econômica mensal “atingiu um pico claro” em fevereiro, o mês que marcou o encerramento dos 128 meses de expansão iniciados em junho de 2009, de acordo com o Comitê de Datação de Ciclos de Negócios do Serviço Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês). Foi a mais longa expansão já registrada, em um indicador acompanhado desde 1854.

Recessões costumam ser definidas como declínios de atividade econômica com duração superior a alguns poucos meses, e o NBER muitas vezes demora mais de um ano para declarar oficialmente que existe uma recessão em curso. A organização também leva em consideração a profundidade e duração da desaceleração, e se houve um declínio generalizado de atividades em todas as áreas econômicas.

O comitê afirmou que a pandemia do novo coronavírus e a resposta subsequente das autoridades de saúde pública conduziram a uma desaceleração cuja dinâmica diferiu da que prevaleceu em recessões passadas.

“Mesmo assim, o comitê concluiu que a magnitude sem precedentes do declínio no emprego e na produção, e seu amplo alcance na economia como um todo, justificam que o episódio em questão seja classificado como recessão, ainda que ele venha a ser mais curto do que contrações econômicas anteriores”, afirmou a organização.

Muitos economistas acreditavam que os Estados Unidos estavam em recessão pelo menos desde março, quando as autoridades começaram a ordenar o fechamento de empresas e que os trabalhadores permanecessem em casa, em um esforço por desacelerar a rápida expansão do vírus.

O emprego e o consumo despencaram, à medida que os americanos restringiam suas viagens, compras e refeições em restaurantes, e que as empresas demitiam pessoal.

Os empregadores cortaram por volta de 22 milhões de empregos em março e abril, e o índice de desemprego chegou a 14,7%, o percentual mais alto registrado nos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial. Os gastos dos consumidores, o principal propulsor da economia, caíram em 7,5% em março e em 13,6% em abril, o que estabelece recordes de queda consecutiva em uma série estatística cuja compilação começou em 1959.

Estão surgindo sinais de que o pior período para a economia pode ter passado, em maio. Empregadores criaram 2,5 milhões de postos de trabalho no mês passado, o maior total mensal de vagas criadas em uma categoria acompanhada estatisticamente desde 1948; o índice de desemprego caiu a 13,3%.

Mas o número total de empregados no final do mês passado ainda era 20 milhões de postos mais baixo que o de fevereiro. Como comparação, os Estados Unidos cortaram nove milhões de postos de trabalho entre dezembro de 2007 e fevereiro de 2010, um período que abarca a recessão causada pela crise financeira.

O comitê de datação de recessões do NBER estuda indicadores de emprego e produção, bem como indicadores de renda desconsiderados benefícios governamentais, a fim de determinar quando uma recessão começou. Muitos outros países usam uma medida diferente: dois ou mais trimestres consecutivos de queda real no PIB.

O comitê não comentou sobre a duração provável da recessão, ainda que muitos economistas projetem uma rápida recuperação no terceiro trimestre, seguida por um retorno longo e lento aos patamares registrados antes da pandemia.

O Serviço Orçamentário do Congresso, um órgão técnico não partidário, afirmou na semana passada que os Estados Unidos demorariam boa parte da década para se recuperar da pandemia e dos fechamentos a ela relacionados. O PIB será 5,6% mais baixo no quarto trimestre de 2020 do que no período um ano antes, a despeito da recuperação prevista para a atividade econômica nos próximos meses, e o nível de desemprego pode continuar na casa dos dois dígitos até o final do ano, de acordo com o serviço orçamentário.

The Wall Street Journal, tradução de Paulo Migliacci

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