Descrição de chapéu Financial Times Coronavírus

Taxa de desemprego nos EUA cai a 13,3% e país cria 2,5 milhões de vagas em maio

Expectativa era de que desemprego poderia chegar a 20%

Washington | Financial Times

Os empregadores dos Estados Unidos criaram 2,5 milhões de postos de trabalho em maio, um número muito acima das expectativas e que reduziu o desemprego no país a 13,3%, aliviando a preocupação sobre o dano infligido pela pandemia do coronavírus à maior economia do planeta.

Depois de 20,7 milhões de demissões no mês de abril e da queda de 1,4 milhão de postos de trabalho registrada em março, alguns dos setores mais pesadamente atingidos começaram a recontratar trabalhadores, entre os quais os de lazer e hospitalidade, construção, varejo, educação e saúde. O emprego público, porém, caiu em 595 mil postos de trabalho, porque governos estaduais e locais em crise de caixa continuam a cortar suas folhas de pagamento.

A melhora no mercado de trabalho redespertará a esperança em que os Estados Unidos registrem uma recuperação mais rápida do que muitos economistas e autoridades temiam, depois da crise do coronavírus. Dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, haviam alertado sobre uma nova queda no emprego, além das registradas nos dois primeiros meses da pandemia, e acautelaram que uma recuperação plena pode não se materializar antes do fim do ano que vem.

No entanto, mesmo com a queda do desemprego para 13,3%, o índice continua bem acima do seu pico posterior à crise financeira de 2008-2009.

Bandeira norte-americana em Nova York, Estados Unidos - Johannes Eisele/AFP

Com a expansão dos protestos contra a injustiça racial pelos Estados Unidos, o Departamento do Trabalho reportou que o desemprego entre os americanos negros continuou em alta no mês passado, de 16,7% para 16,8%, enquanto o desemprego do país como um todo se reduziu de 14,7% para 13,3%.

A recuperação do mercado de trabalho americano surgiu em um momento no qual os empregadores e domicílios dos Estados Unidos estão desfrutando de quase US$ 3 trilhões em medidas de estímulo fiscal aprovadas pela Casa Branca e o Congresso em março, a fim de proteger a economia contra uma desaceleração ainda mais pronunciada.

Em maio, bilhões de dólares em verbas federais já estavam fluindo na forma de pagamentos diretos a indivíduos, seguro-desemprego e empréstimos a pequenas empresas, enquanto os mercados de ações dos Estados Unidos começavam a se recuperar, em parte como resultado de medidas agressivas de relaxamento da política monetária pelo Fed, enquanto a crise se desenvolvia.

Os mercados reagiram vigorosamente ao anúncio dos números do emprego, com uma onda de vendas de títulos do Tesouro e de compra de ações.

O presidente americano Donald Trump, que conta com uma forte recuperação pós-pandemia para ajudar sua campanha de reeleição, recebeu os dados com entusiasmo. “Relatório Muito Bom Sobre o Emprego. Boa Jogada, Presidente Trump (brincando, mas é verdade)!”, ele tuitou.

Os democratas do Congresso vêm pressionando a Casa Branca e os republicanos do Legislativo a aceitar um novo pacote de medidas para manter as torneiras fiscais abertas, mas ainda não começaram a acontecer negociações sérias a respeito, devido a desacordos sobre a dimensão e os detalhes de uma nova rodada de medidas de apoio.

Os democratas querem até US$ 3 trilhões em gastos adicionais para ajudar governos locais e estaduais e prorrogar a assistência aos desempregados para além da expiração do pacote original, em julho. Mas os republicanos e a Casa Branca preferem um valor menor, de cerca de US$ 1 trilhão, centrado em novas medidas de corte de impostos.

Diante dos números melhores que o esperado no emprego, alguns republicanos do Congresso, que já hesitavam em aprovar novos gastos, podem se tornar ainda mais céticos, enquanto os democratas argumentarão que isso é essencial para evitar uma recaída.

Na semana que vem, o comitê de política monetária do Fed realizará uma reunião regular, na qual não há expectativa de que novas ações importantes de política monetária sejam aprovadas, depois do corte das taxas de juros para zero e de uma campanha de compra de títulos em larga escala iniciada quando o coronavírus se manifestou no país.

Alguns dos detalhes do relatório sobre o emprego são menos encorajadores do que os números brutos indicam. O Departamento do Trabalho apontou para um erro de classificação sob o qual algumas pessoas foram identificadas erroneamente como empregadas mas ausentes do trabalho, em lugar de licenciadas sem remuneração temporariamente.

Desconsiderado esse efeito, o desemprego seria três pontos percentuais mais alto, em base ajustada não sazonalmente.

Além disso, embora o número de trabalhadores licenciados sem remuneração tenha caído de 18,1 milhões para 15,3 milhões em maio, o número de pessoas que perderam o emprego permanentemente subiu de dois milhões para 2,3 milhões.

Tradução de Paulo Migliacci

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