Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Vendas no varejo nos EUA crescem 18% em maio após reabertura

Vendas aumentaram após declínios recordes durante bloqueios por coronavírus

Washington | The Wall Street Journal

A retomada das compras gerou um aumento recorde de 17,7% nas vendas no varejo em maio nos Estados Unidos, embora os gastos totais tenham permanecido abaixo dos níveis anteriores ao coronavírus.

Os consumidores abriram as carteiras em maio, quando os estados reduziram as restrições relacionadas ao coronavírus para as empresas e o público.

O relatório de maio sobre vendas no varejo do Departamento de Comércio dá mais um sinal de que o pior choque econômico da pandemia provavelmente ocorreu no final de março e em abril, quando houve paralisações generalizadas para conter o vírus em todo o país. Os empregadores, por exemplo, acrescentaram 2,5 milhões de empregos no mês passado, e a taxa de desemprego caiu para 13,3% em relação aos 14,7% de abril.

Nas últimas semanas, executivos de varejo disseram que os gastos aumentaram no final de abril e em maio e que os compradores voltaram às lojas reabertas mais rápido do que o esperado. Dados privados também sugerem que a atividade econômica continuou em crescimento no início de junho.

Clientes em área externa de bar em Houston, no Texas
Clientes em área externa de bar em Houston, no Texas - Mark Felix - 22.mai.20/AFP

Ainda assim, os economistas projetam que poderá levar anos para a economia dos EUA se recuperar, e os recentes aumentos nos casos de coronavírus em mais de uma dúzia de estados projetam sombras sobre os esforços de reabertura.

"Ainda temos muito a andar", disse André Kurmann, professor associado de economia na Universidade Drexel. "Continuamos muito abaixo dos níveis de emprego pré-pandemia."

"As lojas podem reabrir em certa medida, mas quantas pessoas vão voltar é a grande pergunta", acrescentou.

Conforme os estados permitem a reabertura das empresas, surgem sinais de que os consumidores estão dispostos a gastar, pelo menos um pouco.

Lindsey Piegza, economista-chefe da Stifel Nicolaus & Co., disse que está observando o quanto os consumidores gastaram e em quê em maio, terceiro mês das disrupções relacionadas à pandemia nos EUA.

"Será interessante ver exatamente como as famílias e os indivíduos reorganizam os gastos mês a mês", disse ela, em meio a reaberturas comerciais desiguais e hesitações para se entrar novamente em lojas e shoppings.

As vendas online cresceram rapidamente durante a pandemia do coronavírus, à medida que mais compradores ficaram em casa e mais comércios ofereceram novos serviços, como a retirada de pedidos feitos online nos estacionamentos. As vendas no varejo, que incluem vendas de lojas da internet como Amazon.com, cresceram 8,4% em abril, em comparação com o mês anterior, em meio ao declínio acentuado nas vendas totais no varejo.

Economistas dizem que um aumento nas vendas no varejo não é sinal de que o impacto da pandemia acabou. Eles também acreditam que o efeito sobre a renda pessoal de trilhões de dólares em estímulos do governo —incluindo pagamentos únicos de até US$ 1.200 e aumento do benefício a desempregados— perderá força antes que a pandemia termine.

"O mercado de trabalho deve continuar se recuperando, mas o apoio aos pagamentos de estímulo desaparecerá. Alguns estados talvez tenham de interromper a reabertura devido a novas tendências de aumento nas infecções por Covid, e os benefícios suplementares ao desemprego provavelmente serão menos generosos depois que o programa atual expirar no final de julho", disse Jim O'Sullivan, principal macroestrategista da TD Securities, em nota aos clientes na segunda-feira (15).

Tradução Luiz Roberto M. Gonçalves

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