Zuckerberg reafirma que não vai interferir em posts de Trump

Fundador do Facebook disse a funcionários que protestaram que sua decisão foi 'bastante final'

San Francisco

Mark Zuckerberg, executivo-chefe do Facebook, defendeu firmemente sua decisão de não fazer nada sobre as postagens inflamadas do presidente Donald Trump na rede social, dizendo que ele tomou uma "decisão difícil", mas que "foi bastante final".

Em uma sessão de perguntas e respostas com funcionários realizada por meio de software de bate-papo por vídeo, Zuckerberg procurou justificar sua posição sobre as mensagens de Trump, o que causou forte dissidência interna. A reunião, que estava marcada para quinta-feira (4), foi antecipada para terça (2) depois que centenas de funcionários protestaram contra a inação, realizando uma espécie de "paralisação" virtual na segunda (1º).

Os princípios e políticas do Facebook em torno da liberdade de expressão "mostram que a ação certa no ponto em que estamos é deixar isso como está", disse Zuckerberg na teleconferência, cujo áudio foi ouvido por The New York Times.

Ele acrescentou que sabia que muitas pessoas ficariam contrariadas com a empresa, mas uma análise de suas políticas corroborou sua decisão.

"Eu sabia que teria que separar minha opinião pessoal", disse ele. "Sabendo que quando tomássemos essa decisão muitas pessoas ficariam chateadas dentro da empresa, e as críticas da mídia que receberíamos."

Zuckerberg se manteve firme enquanto aumentava a pressão para que tomasse medidas sobre as mensagens de Trump.

Grupos de direitos civis disseram na noite de segunda (1º), depois de se encontrar com ele e Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, que era "totalmente perturbador" que a empresa não adotasse uma posição mais rígida sobre as publicações beligerantes de Trump, que contribuíram para a retórica em torno dos protestos contra a violência policial nos últimos dias. E vários funcionários do Facebook se demitiram publicamente, um deles dizendo que a empresa acabaria "no lado errado da história".

A dissidência interna no Facebook começou a surgir na semana passada, depois que a rede social rival, Twitter, adicionou rótulos aos tuítes de Trump indicando que o presidente estava enaltecendo a violência e fazendo declarações inexatas. As mesmas mensagens de Trump também apareceram no Facebook. Mas, diferentemente do Twitter, o Facebook não modificou as postagens do presidente, incluindo uma em que Trump disse sobre os protestos em Minneapolis: "Quando os saques começam, os tiros começam".

Isso provocou críticas internas, com funcionários do Facebook argumentando que era insustentável deixar as mensagens de Trump que incitavam à violência. Eles disseram que Zuckerberg estava se curvando aos republicanos por medo de sofrer regulamentação ou desmembramento da empresa.

Zuckerberg e Sandberg passaram os últimos cinco dias reunindo-se com funcionários, líderes de direitos civis e outras partes indignadas para explicar a posição da companhia.

Ao tentar aplacar a todos, porém, Zuckerberg não conseguiu apaziguar ninguém. Funcionários continuaram se revoltando, fazendo declarações públicas críticas no Twitter, no LinkedIn e em suas páginas pessoais no Facebook. Políticos e organizações de direitos civis também criticaram a posição de Zuckerberg.

Tradução Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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