30% das pequenas indústrias de SP tiveram pedido de crédito com garantia do governo negado

Levantamento foi feito pelo Datafollha em conjunto com o sindicato do setor

São Paulo

Pesquisa divulgada pelo Simpi (Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo) mostra que 30% das empresas desse porte tiveram negados os pedidos de financiamento com linhas de crédito que contam com garantias do governo federal.

O levantamento, realizado pelo Datafolha, mostra que apenas 4% conseguiram financiamento com essas linhas, 64% não haviam procurado por elas e 1% aguardava aprovação.

Para indústrias desse porte, as linhas com garantia do governo federal são o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), que usa recursos do Tesouro para garantir os empréstimos, e a linha para financiamento da folha de pagamento.

Os levantamentos são realizados quinzenalmente. No último, foram ouvidas 258 empresas no estado, de 17 a 25 de junho.

Segundo a pesquisa, o percentual de indústrias desse porte sem acesso ao crédito estava em 79% no final do mês passado, nível ainda alto, apesar da melhora em relação aos cerca de 90% verificados nos levantamentos realizados de abril até a primeira quinzena de junho.

Até o dia 25, 14% das empresas afirmaram ter recebido comunicado da Receita Federal sobre o Pronampe, documento entregue via Correio para empresas do Simples Nacional ou sistema e-CAC (para as demais), com a informação do valor da receita bruta, com base nas declarações desses contribuintes ao Fisco, para viabilizar a análise à linha de crédito junto às instituições financeiras.

De acordo com o presidente do Simpi, Joseph Couri, a Receita informou ao sindicato já ter enviado o comunicado a todos os empresários ainda no mês de junho.

Até o momento, apenas o Banco do Brasil, a Caixa e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais estão operando a linha.

Na terça-feira (7), o Ministério da Economia informou que a linha já está funcionando plenamente e que registrou R$ 2 bilhões desembolsados só na última segunda-feira (6). Com isso, o total concedido chegou a R$ 3,3 bilhões. A linha conta com R$ 15,9 bilhões, e o governo avalia que será necessário aumentar o valor em breve.

Couri afirmou que algumas empresas reclamam que receberam o documento da Receita, mas não com o valor correto equivalente a 30% do faturamento.

A pesquisa mostra que 61% das empresas têm interesse na linha. Para o presidente do Simpi, o fato de não haver instituições privadas operando a linha preocupa, pois as instituições públicas não têm condições de atenderem sozinhas a essa demanda.

“Torcemos para que o sistema financeiro libere esses empréstimos e o dinheiro chegue na ponta. Temos até hoje muitos bancos que não aderiram, entre eles, os maiores privados. Até o momento, o que tem sido feito é renegociação e alongamento de prazos, mas crédito novo para MPE está extremamente difícil”, afirma o presidente do Simpi.

“Se o dinheiro não chegar na ponta rapidamente, os resultados serão muito ruins.”

Ainda de acordo com a pesquisa, 35% das empresas já demitiram algum funcionário desde o início da crise causada pelo coronavírus, sendo que 21% demitiram mais de 30% do seu quadro de pessoal.

A taxa de empresas totalmente paradas recuou de 29% em abril para 13%, porém, há mais empresas que estão funcionando com a maior parte das atividades paradas (passou de 30% para 36% na mesma comparação).

A maioria dos entrevistados (55%) disse que a situação das empresas não iria nem piorar nem melhorar nos dez dias seguintes à consulta. São 14% as empresas que afirmam correr o risco de falir nos próximos 30 dias e 11% as que citam o risco de entrar em recuperação judicial.

Entre os entrevistados, 67% possui algum cliente ou fornecedor que faliu ou entrou em recuperação na crise atual.

“Você tem 25% das empresas que, nos próximos 30 dias, se não chegar dinheiro na ponta, vão entrar com pedido de recuperação judicial ou falência. Se olhar para trás, somando recuperação e falência de clientes e fornecedores, está tendo uma quebra da cadeira produtiva”, afirmou Couri.

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