Ações do Banco do Brasil abrem em queda nesta segunda (27)

Papéis do banco chegaram a recuar 1,2% na abertura da Bolsa

São Paulo

As ações do Banco do Brasil abriram em queda nesta segunda-feira (27), após a saída do presidente Rubem Novaes, mas viraram para alta ao longo do pregão.

Por volta das 11h35, os papéis sobem 1,6%, a R$ 34,50. Na abertura do pregão, chegaram a cair 1,2%.

Nos Estados Unidos, a ADR (recido de ação negociado nos EUA) do banco opera estável, a US$ 6,54 (R$ 33,77). O índice americano S&P 500 sobe 0,6%. Dow Jones tem alta de 0,5% e Nasdaq, de 1,2%.

O Ibovespa opera em alta de 1,8%, a 104 mil pontos. O dólar opera em queda de 0,72%, a R$ 5,17.

No setor bancário, as ações preferenciais (sem direito a voto) do Bradesco sobem 2,8% e as ordinárias, 2,7%, Itaú tem alta de 2,7% e Santander sobe 1,8%.

Rubens Novaes
Rubens Novaes renunciou à presidência do Banco do Brasil na última sexta (24) - Pedro Ladeira/Folhapress

Na sexta (24), o pedido de renúncia de Novaes foi informado pelo BB via fato relevante. Segundo o documento, ele foi entregue ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

De acordo com o fato relevante, a decisão foi tomada "entendendo que a companhia precisa de renovação para enfrentar os momentos futuros de muitas inovações no sistema bancário".

A saída do posto será efetivada a partir de agosto, "em data a ser definida e oportunamente comunicada ao mercado".

​Fontes ligadas ao Ministério contam que Guedes avalia o que chama de solução externa e pode surgir uma indicação de um nome do mercado para substituir Novaes.

Porém, interlocutores, tanto da pasta quanto do banco, contam que existem boas opções no próprio BB. Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, vice-presidente de Gestão Financeira e Relação com Investidores, por exemplo, é uma indicação acalentada pelo próprio Novaes. Walter Malieni Junior, vice-presidente de Negócios de Atacado, é um nome que tem apoio de boa parte da alta cúpula do BB.

Outra opção é Helio Magalhães, presidente do conselho de administração do banco, um executivo próximo ao secretário de desestatização Salim Mattar. Mauro Ribeiro Neto, vice-presidente Corporativo, também está na lista.

A indicação caseira –escolha de um nome da instituição– atenderia algumas correntes internas que tinham certo descontentamento com a gestão de Novaes por ele não ser funcionário de carreira.

Aos amigos, Novaes repetiu no final de semana a justificativa oficial para sua saída. Disse ser melhor “passar o bastão a alguém mais jovem neste mundo de tantas inovações”. No entanto, também deixou claro que não havia se adaptado ao que chamou de “ambiente poluído de Brasília”.

Em mensagem, disse que estava se livrando da “cultura planaltina”, de uma “política apodrecida”, movida a “compadrios, privilégios, interesses escusos”, onde muitos “criam dificuldades para vender facilidades”.

Segundo Novaes afirmou à Folha, ele continuará contribuindo com o governo “junto ao ministro e amigo”. “Temos os mesmos ideais”, disse.

Embora tenha avisado sua intenção de deixar o cargo há um mês ao ministro, o anúncio de renúncia pegou o restante da equipe econômica e funcionários do banco de surpresa. Guedes havia comentado recentemente que Novaes, que tem 74 anos, estava “cansado”, mas assessores não esperavam que o pedido de demissão se concretizasse tão rápido.

A saída de Caio Megale, diretor de programas do ministério da Economia, por sua vez, pode acabar abrindo uma nova porta para Noves.

Guedes, contam fontes, quer escalar Novaes como assessor especial em atribuições que já foram de Megale, como acompanhar as reuniões com empresários no Rio e São Paulo. Essa alternativa deixaria Novaes perto do governo, mas longe de Brasília.

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