Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Após tombo histórico, PIB da China volta a subir no 2º tri

Consumidor reticente e vírus jogam dúvidas sobre continuidade da retomada

Pequim | The Wall Street Journal

A China registrou uma robusta recuperação no segundo trimestre, evitando uma recessão e se recolocando em trajetória de crescimento, enquanto outros países continuam a lidar com o impacto da pandemia do coronavírus.

A questão agora é se a China, segunda maior economia do mundo, já passou pelo melhor da recuperação, porque Pequim enfrenta uma série complicada de desafios, daqui até o fim do ano.

A piora da pandemia nos Estados Unidos pode desacelerar a economia global, há tensões crescentes com Washington, o país sofre constantes inundações e uma redução no poder aquisitivo de seus consumidores.

Nesta quinta (16), a China anunciou que o PIB cresceu 3,2% nos três meses encerrados em 30 de junho em relação ao segundo trimestre de 2019. O número superou as projeções de economistas e mostra que os esforços agressivos de Pequim para controlar a pandemia –embora muito dolorosos em curto prazo— começaram a restaurar a confiança dos empreendedores quanto ao longo prazo.

“A China foi a primeira a entrar em crise e a primeira a sair. O pior período foi o primeiro trimestre, e a mais forte recuperação aconteceu no segundo trimestre”, disse Zhu Haibin, economista-chefe do banco JPMorgan para o mercado chinês, em Hong Kong. No futuro, ele disse, “a recuperação vai continuar —mas com ímpeto muito menor”.

A decisão chinesa, essencialmente a de antecipar o sofrimento, ao interromper as atividades de negócios no fim de janeiro causou ondas de choque na economia do país.

Nos primeiros três meses do ano, a economia se contraiu em 6,8%, o que faz do período o pior trimestre para o país desde a metade da década de 1970, e levou as autoridades econômicas chinesas a abandonar, em maio, sua meta anual para o crescimento.

A aposta começa a dar resultado. Enquanto os Estados Unidos continuam a enfrentar problemas, o forte segundo trimestre da China impediu que o país tecnicamente entrasse em recessão, que em geral é definida como dois trimestres consecutivos de contração do PIB.

O crescimento de 11,5% que o PIB chinês registrou no segundo trimestre, ante o trimestre anterior, reduz a magnitude geral da contração econômica registrada no primeiro semestre a 1,6%.

A produção industrial chinesa cresceu 4,8% em junho ante o mesmo período em 2019, uma melhora se comparada aos 4,4% registrados no mês anterior em relação ao resultado do período um ano antes.

As exportações chinesas vêm sendo um ponto especialmente positivo, enquanto o resto do mundo ainda enfrenta dificuldades com a pandemia. Como o país recolocou suas fábricas em operação antes dos demais países exportadores, empresas chinesas puderam cobrir deficiências na oferta mundial e expandir a participação do país no total mundial de exportações.

A despeito dos sinais positivo, economistas veem muitos motivos para preocupação. Embora as fábricas tenham voltado a operar, e investimentos estejam fluindo para a economia, os consumidores chineses —que hoje são um componente muito mais importante da economia do país do que em desacelerações passadas— até o momento vêm mantendo as carteiras fechadas.

As vendas de varejo caíram todos os meses neste ano e em junho foram 1,8% menores do que as do período em 2019 —negando as projeções dos economistas de um retorno ao crescimento positivo, em um reflexo das preocupações persistentes sobre saúde pública e sobre a perda de receita durante o pior do lockdown, entre janeiro e abril.

Semanas de fortes inundações em muitas partes do centro e sul da China agravaram o sofrimento de centenas de milhões de chineses. O risco de novas disparadas no número de casos de coronavírus também persiste, depois de recentes ondas de contágio em Pequim e Hong Kong.

Restaurantes, hotéis e outras empresas do setor de serviços em todo o país encontraram dificuldade especial para retomar seu ritmo de operações, disse Liu Aihua, porta-voz do Serviço de Estatísticas da China.

A renda disponível real dos cidadãos médios chineses caiu 1,3% no primeiro semestre do ano, ante o período em 2019.

No ano passado, a renda disponível do cidadão chinês médio subiu 5,8%. Como resultado, o consumo real per capita caiu em 9,3% nos primeiros seis meses do ano, ante o mesmo período de 2019, mais que revertendo a alta de 5,5% registrada no ano passado.
Tradução de Paulo Migliacci

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