Balança comercial tem superávit de US$ 23 bilhões no primeiro semestre

Saldo do comércio exterior segue positivo no ano, mas em ritmo mais fraco do que em 2019

Brasília

A balança comercial brasileira encerrou o primeiro semestre de 2020 com superávit de US$ 23 bilhões. Embora siga em patamar positivo, o saldo é 10,3% mais fraco do que o registrado nos primeiros seis meses de 2019.

O resultado, apresentado nesta quarta-feira (1º) pelo Ministério da Economia, é o pior para o período em cinco anos.

Na comparação com o ano passado, o valor das exportações brasileiras caiu 6,4%. Também houve queda nas importações, de 5,2%.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o ministro Paulo Guedes (Economia) aposta na balança comercial como fator que pode amortecer a retração do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

A avaliação do ministro é que a exportação de alimentos, ponto forte do Brasil, seguirá em alta.

Entre janeiro e junho, as exportações do setor agropecuário somaram US$ 26,2 bilhões, uma elevação de 23,8% na comparação com período equivalente do ano passado.

O movimento de expansão não foi observado em outras áreas. A indústria de transformação recuou 15,1% no período. No caso da indústria extrativa, que inclui minérios e petróleo, a retração nas vendas ao exterior foi de 9,6%.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, afirmou que parte do enfraquecimento dos resultados deste ano é explicada por uma retração nos preços internacionais de uma série de produtos.

Na indústria extrativa, por exemplo, o volume exportado pelo Brasil subiu 5,5%, enquanto o valor dos produtos caiu em média 13,9%.

Nos últimos meses, Guedes também vem ressaltando que, apesar da queda nas vendas para grandes economias, como os Estados Unidos e países europeus, as exportações para a China estão em alta, mesmo diante da pandemia.

Os números do semestre confirmam essa tese.

No período, houve retração de 31,6% das exportações para os Estados Unidos e recuo de 10,6% para a União Europeia. As vendas para países da América do Sul caíram 28,1%.

Para a China, no entanto, o valor da exportação registrou alta de 14,9% no semestre. Com o aumento, a participação dos chineses saltou para 35% de todo o valor exportado pelo Brasil. No primeiro semestre do ano passado, o patamar era de 28,5%.

Para o total de 2020, o Ministério da Economia estima que o saldo comercial vai encerrar o ano positivo em US$ 55,4 bilhões, uma alta de 15,2% em relação a 2019.

O superávit, pelas estimativas do governo, não será explicado por um aumento das vendas do país, mas sim uma retração mais forte das compras feitas pelos brasileiros.

A projeção aponta para uma queda de 10,2% da exportação e um recuo ainda mais intenso da importação, de 17%.

Ferraz afirma que a crise do coronavírus agravou o cenário internacional, que já vinha em dinâmica de desaquecimento. Ele pondera que a perspectiva pode melhorar após o enfraquecimento da pandemia e que os números podem ser revisados ao longo do ano.

"Nossa expectativa é de reversão dessa tendência até o final do ano por conta da resiliência demonstrada pelas exportações e a nossa competitividade doméstica", disse.​

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