Bolsa sobe 0,9% e fecha acima dos 100 mil pontos pela primeira vez desde março

Remdesivir tem resultados positivos no tratamento contra a Covid-19 e anima investidores; dólar cai 0,26%, a R$ 5,3230

São Paulo

Nesta sexta-feira (10), a Bolsa brasileira fechou acima dos 100 mil pontos pela primeira vez desde 5 de março. O Ibovespa, maior índice acionário do país, fechou em alta de 0,87%, a 100.031 pontos, acompanhando o desempenho positivo das principais Bolsas globais.

Investidores estão otimistas com o resultado de um tratamento experimental para o coronavírus, apesar do avanço recorde da doença nos Estados Unidos.

A Gilead Sciences informou nesta sexta que um estudo em estágio avançado mostrou que seu medicamento antiviral remdesivir melhorou significativamente a recuperação clínica e reduziu em 62% o risco de morte em pacientes com Covid-19. Segundo a farmacêutica, a descoberta requer confirmação em futuros ensaios clínicos.

Na semana, marcada pela melhora acima do esperado do comércio em maio, a Bolsa brasileira acumulou alta de 3,4%.

Em Nova York, o índice Dow Jones subiu 1,44% na sessão. S&P 500 teve alta de 1% e Nasdaq, de 0,66%.

O dólar fechou em queda de 0,26% a R$ 5,3230. O turismo está a R$ 5,62.

Embora continue distante dos quase 120 mil pontos que alcançou no final de janeiro, o Ibovespa já acumula valorização de 57,35% desde a mínima do ano registrada em março, após seis circuit breakers —paralisação temporária nas negociações em fortes quedas do Ibovespa— e a declaração de pandemia pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

“Foi exagerada a queda da Bolsa em março e talvez essa recuperação seja exagerada também porque as coisas ainda não estão sanadas, consertadas, ou tranquilas, apesar de notícias mais positivas. Vamos ver altos e baixos de casos da doença no Brasil e nos EUA”, diz Rodrigo Moliterno, economista e diretor de renda variável da Veedha Investimentos.

Os juros baixos, a injeção de liquidez pelos bancos centrais e a melhora de dados econômicos nos últimos meses impulsionaram a recuperação do índice. O rápido avanço de vacinas promissoras contra o coronavírus também anima investidores.

"A marca de 100 mil pontos é extremamente positiva, mas esperada”, diz Simone Pasianotto, economista chefe da Reag Investimentos. Ela aponta que o mercado esperava que o Ibovespa retomasse a marca ainda no primeiro semestre.

Segundo a economista, em março, empresas perderam valor de mercado com a correria de investidores e fundos para se desfazer de ativos de risco, mas o valor patrimonial (patrimônio líquido dívidido pelo número de ações) das companhias não caiu tanto como o preço das ações.

“O tombo foi muito grande, estamos nos recuperando do susto ainda. O caminho é longo, ainda temos 20% para recuperar e voltar aos 120 mil pontos. Essa parte que é a mais dolorida”, afirma Simone.

De acordo com a pesquisa semanal Focus do Banco Central, o mercado espera uma contração de 6,5% no PIB (Produto Interno Bruto) deste ano e crescimento de 3,5% em 2021.

Para Simone, a recuperação da Bolsa não quer dizer que o Brasil está em recuperação econômica.

“Ibovespa não representa a economia real, são poucas empresas no índice e a grande maioria vai conseguir se recuperar. Elas não são representativas dos micro e pequenos empresários que vão falir a rodo. Bolsa é Bolsa, economia é economia."

O Ibovespa é composto de 72 companhias listadas na B3 e, segundo sua descrição, "reúne as empresas mais importantes do mercado de capitais brasileiro".

Nesta sessão, as ações da CVC lideraram os ganhos do Ibovespa, com alta de 14%, a R$ 22, após o conselho da companhia aprovar uma aumento de capital que pode chegar a R$ 703 milhões, com subscrição privada —para atuais acionistas, apenas—, a R$ 12,84 por ação.

O valor representa um desconto de 33,5% em relação à cotação de fechamento do papel da véspera, de R$ 19,30.

A operação prevê emissão de 15.576.324 ações no mínimo e 23.500.000 papéis, no máximo, e contempla uma potencial emissão de até 31.255.000 ações adicionais como bônus de subscrição.

Os acionistas terão direito de preferência para subscrever ações na proporção de 0,1574298678 nova ação ordinária para cada 1 ação de que forem titulares, conforme a posição acionária que possuírem no dia 14 de julho. O bônus, por sua vez, dará ao seu titular o direito de subscrever 1,33 ação.

Se incluído o bônus de subscrição, os acionistas que não participarem do aumento poderão ter suas respectivas participações diluídas entre 23,87% e 26,83%.

Os recursos, segundo a CVC, serão destinados ao fortalecimento de sua posição de caixa para viabilizar a retomada das vendas a crédito e parceladas, que compõem aproximadamente 85% do total das suas vendas.

De acordo com o comunicado da empresa ao mercado, também ajudará a preparar a companhia para um cenário de curto prazo ainda marcado por grande volatilidade e incerteza em razão da pandemia de Covid-19.

Já a Cogna teve alta de 11%, a R$ 8,64, após a gestora de recursos Alaska aumentar sua fatia de ações na empresa de educação para 10,05%.

(Com Reuters)

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