Bolsa toca os 100 mil pontos, mas fecha abaixo do patamar simbólico, em queda de 0,6%

Após sessão volátil, dólar fecha em leve queda de 0,26%, a R$ 5,337

São Paulo

Nesta quinta-feira (9), o Ibovespa, maior índice acionário do país, chegou aos 100.191 pontos na máxima do pregão, quando subiu 0,4% na abertura dos negócios. Ao longo do dia, o índice perdeu força acompanhando a queda dos índices americanos. Fechou aos 99.160 pontos, queda de 0,6%.

Desde 6 de março o Ibovespa não operava acima dos 100 mil pontos. Àquela época, a Bolsa de Valores brasileira ainda não tinha passado por seis circuit breakers —paralisação temporária nas negociações em fortes quedas do Ibovespa— e a OMS (Organização Mundial da Saúde) não tinha declarado pandemia do novo coronavírus.

Painel na B3, Bolsa de Valores de São Paulo
Painel na B3, Bolsa de Valores de São Paulo; nesta quinta (9), o Ibovespa operou acima dos 100 mil pontos pela primeira vez desde março - Amanda Perobelli/REUTERS

Nesta sessão, o avanço do coronavírus nos Estados Unidos levou as principais Bolsas globais a fecharem em queda. Na Europa, o índice Stoxx 600, que reúne as maiores empresas da região, caiu 0,8%.

Em Nova York, Dow Jones caiu 1,4% e S&P 500, 0,6%. Nasdaq subiu 0,5%.

O petróleo também recuou. A cotação do barril de Brent (referência internacional do óleo) cai 2%, a US$ 42,37, perto do fim das negociações.

O dólar teve uma sessão volátil. Chegou a cair 1,9% pela manhã e subir 0,5% pela tarde, mas fechou em leve queda de 0,26%, a R$ 5,337. O turismo está a R$ 5,64.

A moeda americana ganhou força com a divulgação dos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na semana passada, que totalizaram 1,314 milhão. O número veio abaixo da estimativa de economistas consultados pela Reuters, que previam 1,375 milhão de novos pedidos.

Depois de atingirem uma máxima histórica de 6,867 milhões no final de março, os novos pedidos vêm caindo gradualmente, apesar de ainda estarem em patamares praticamente duas vezes maiores que o pico alcançado de 2007 a 2009.

O número de pessoas que recebem benefícios caiu para 18,062 milhões na semana encerrada em 27 de junho, contra 18,760 milhões na semana anterior. Os chamados pedidos contínuos, informadas com atraso de uma semana, bateram um recorde de 24,912 milhões no início de maio.

O relatório, que traz os mais recentes dados sobre a saúde da economia, pode mostrar que o mercado de trabalho caminha para uma diminuição na geração de postos de trabalho em julho.

O governo informou na semana passada que 4,8 milhões de empregos foram criados em junho, um recorde desde que o governo começou a manter os registros em 1939. As empresas estão contratando trabalhadores que foram demitidos quando estabelecimentos como restaurantes, bares, academias e consultórios odontológicos precisaram ser fechados em meados de março para diminuir a disseminação do Covid-19.

A retomada das operações, no entanto, tem sido acompanhada por picos recordes de infecções por coronavírus na Flórida, no Texas e na Califórnia. Isso forçou um recuo ou uma pausa nas reaberturas e enviou alguns trabalhadores de volta para casa.

Com a economia entrando em recessão em fevereiro, mesmo antes das paralisações, algumas empresas estão enfrentando uma demanda fraca, o que agravava a segunda onda de demissões. De varejistas a companhias aéreas, empresas anunciaram cortes de empregos e licenças.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, o Wells Fargo, um dos maiores bancos americanos, vai demitir milhares de funcionários este ano para reduzir custos.

Além disso, o estímulo vindo do programa do governo americano que concede empréstimos às empresas, que podem ser parcialmente perdoados se usados para pagar o salário dos funcionários, está diminuindo.

Na Bolsa brasileira, varejistas escaparam da tendência negativa do pregão, repercutindo a melhora do comércio em maio. As ações da Lojas americanas saltaram 9,8%, a R$ 35,26. Via Varejo subiu 7,33%, a R$ 17,57, e B2W, 4%, a R$ 120,18.

Na quarta (8), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontou que o varejo se recuperou em maio, com alta de 13,9% nas vendas após queda recorde de 16,3% no mês anterior. Foi o maior crescimento da série histórica da pesquisa, iniciada em janeiro de 2000.

A Eletrobras também esteve entre as maiores altas, com expectativa de sua privatização. As ações preferenciais da estatal subiram 9,4%, a R$ 37,85. As ordinárias tiveram alta de 8,6%, a R$ 36,76.

Já a maior queda ficou coma Braskem, que recuou 7%, a R$ 23,57, após a Defesa Civil incluir 1.918 imóveis para desocupação nos bairros Mutange, Bom Parto, Pinheiro e Bebedouro, em Maceió, após as regiões afundarem em decorrência da extração de sal-gema pela petroquímica. A empresa terá um custo adicional de R$ 1,6 bilhão com as medidas de apoio aos moradores das novas áreas.

(Com Reuters)

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