Cadastramento para sistema de pagamentos do PIX começa em outubro, diz presidente do BC

Em live, Campos Neto também afirmou que imposto digital pode prejudicar operações financeiras e causa preocupação

Brasília

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que vai adiantar uma etapa de implementação do sistema de pagamento instantâneo, chamado de Pix, para outubro, antes do lançamento da plataforma, previsto para novembro.

"Em outubro o consumidor poderá se cadastrar e apontar como ele vai querer ser identificado no sistema", afirmou em live promovida nesta quarta-feira (22) pelo jornal Valor Econômico.

De acordo com o BC, em 5 de outubro os interessados poderão fazer o registro das chaves de endereçamento para receber um pagamento instantâneo.

"As chaves são o método fácil e ágil de identificação do recebedor. Desta forma, o pagador não precisará de dados como número da instituição, agência e conta para fazer a transferência", detalhou em nota.

Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto
Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto - Adriano Machado/Reuters

O presidente do BC disse ainda que qualquer imposto sobre transações que desincentive a intermediação financeira gera preocupação.

"O BC não comenta sobre temas tributários, mas sempre preocupa a qualquer banqueiro central qualquer tipo imposto em transações financeiras que gere desintermediação", disse.

O ex-presidente do BC e presidente do conselho do Credit Suisse, Ilan Goldfajn, também participou do evento e pontuou que o imposto sobre transações digitais, defendido pelo governo, poderia afetar o processo de digitalização de pagamentos e da moeda.

"Vejo um risco para a agenda digital, pode gerar um percalço que nós deveríamos evitar", reclamou.

Durante o evento, Campos Neto, disse que a autonomia do BC deve ir à votação no Senado em 15 de agosto.

"Quando conversamos sobre a PEC da Covid [Orçamento de guerra], parlamentares que votaram contra aumentar poderes do BC argumentaram que se já tivéssemos autonomia isso não seria um problema", justificou.

Sobre o retorno da atividade econômica, ele avalia que desempenho do segundo trimestre vai ditar o crescimento do ano. "Indicadores de alta frequência mostram retorno em V [com volta na mesma velocidade da queda], mas acredito que isso deve suavizar lá na frente", ponderou.

Campos Neto declarou que, mesmo com a alta volatilidade no câmbio, o BC só deverá intervir se houver disfuncionalidade no mercado.

"Conversando com outros países, as intervenções não foram bem sucedidas. A volatilidade em si é difícil de atacar, mas para o longo prazo vejo normalização", argumentou.

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