Concentração de motoboys em segundo 'Breque dos Apps' é fraca em São Paulo

Ato de entregadores começa tímido; organizadores ainda esperam reunir manifestantes à tarde

São Paulo

A concentração de entregadores de aplicativo prevista para a manhã deste sábado (25) em shoppings foi fraca e dispersa em São Paulo. Os organizadores alimentam a esperança de que o encontro de motoboys possa ser maior na concentração prevista para ocorrer no Pacaembu, zona oeste da capital, à tarde.

Chamado de 'Breque dos Apps', o segundo ato de entregadores reivindica das empresas de delivery melhores condições de trabalho. No Twitter, o assunto é o mais comentado neste sábado.

Em São Paulo, a proposta do movimento era que motoristas organizassem piquetes em shoppings, mas poucos compareceram. Nas redes sociais, a hashtag 'Breque dos Apps' mantém a campanha para que as pessoas não peçam comida por aplicativo neste sábado. Alguns motoristas preferiram não aderir ao movimento fisicamente, ficando offline no aplicativo, mas sem fazer protestos nas ruas.

Um dos locais previstos para a concentração pela manhã na capital era no Center 3, na av. Paulista e na Luís Coelho. Desde as 10h, cerca 15 motoboys apareceram nas imediações. A polícia aguardava no local.

Dessa vez, o Sindimoto, sindicato dos motoboys, que colocou um carro de som nas ruas no dia 1º de julho e puxou milhares de motoboys, não compareceu, apesar de apoiar a paralisação.

Os motoristas pleiteiam aumento do valor pago por quilômetro, preço mínimo unificado em todos os apps, fim dos bloqueios na plataforma sem justificativa, fim do sistema de pontuação para poder ter acesso as áreas com melhor remuneração na corrida e seguro para acidentes.

Os manifestantes alegam que a remuneração caiu drasticamente com a pandemia do novo coronavírus. Até mesmo ciclistas relatam que precisam fazer jornadas mais longas para atingir a renda pré-Covid.​

As empresas afirmam que não reduziram as taxas. O iFood, por exemplo, diz que, inclusive, não aumentou a base de motoristas para manter a renda dos já cadastrados.

Gabriel Alves, 20, cadastrado na Rappi, afirma que a renda caiu pela metade na pandemia, embora sua jornada permaneça a mesma.

"Trabalho 12 horas, simplesmente não toca. Antes fazia R$ 200, agora a metade. Os aplicativos dizem que a taxa não caiu, mas a gente vê todos os dias. Caiu, sim", afirma.

Reivindicações dos entregadores

  • Melhores taxas nas corridas (alegam que com a entrada de novos entregadores o preço caiu em todos os aplicativos)

  • Preço mínimo por corrida unificado a todas as plataformas

  • Seguro contra acidente

  • Fim dos bloqueios chamados de injustificados

José Mariano, 38, também conta que o valor pago por entrega está menor, além de destacar a diluição de entregas com a entrada de novos entregadores durante a pandemia e os problemas do sistema de pontuação.

"Fiquei uma hora esperando para realizar uma entrega na sexta. Era um pedido de R$ 8,60, numa corrida de menos de 2 quilômetros para pegar pão na Galeria dos Pães, na rua dos Escalda Unidos. E para conseguir pontos, ainda tem que ficar logado todo fim de semana", disse.

A Rappi afirma que fez alterações em seu critério de pontuação no app para atender uma demanda da categoria, passando o acúmulo de pontos de semanal para mensal.

Nesse sistema, motoristas precisam atingir um número de corridas para conseguir atender pedidos em regiões que remuneram mais. Eles dizem que isso joga a remuneração para baixo, pois estimula que fiquem disponíveis em apenas em um aplicativo (grande parte se cadastra em várias plataformas ao mesmo tempo).

A ABO2O (Associação Brasileira Online to Offline), que reúne as empresas de delivery e outras startups, diz que desde o início da pandemia os aplicativos de entregas implementaram formas para garantir a segurança dos profissionais, com seguro contra possíveis acidentes durante a realização de entregas e distribuição de kits de proteção (com máscaras e álcool em gel).

“As plataformas reiteram que não houve redução de valores e disponibilizam de forma transparente as taxas e valores destinados para os entregadores”, afirma a associação, acrescentando que a crise pandemia gerou o fechamento de quase 5 milhões de postos de trabalho.

O que dizem as empresas

  • Dispõem de medidas de segurança, como orientação e distribuição de álcool em gel e máscaras (ou verba para adquirir os itens)

  • Oferecem seguro contra acidentes e parceria para atendimento médico

  • Não reduziram taxas durante a pandemia

  • Não excluem da plataforma de modo deliberado

  • A Rappi diz que revisou parte de seu sistema de pontuação

Os entregadores alegam que a pauta da mobilização não tem cunho político, apenas trabalhistas. No entanto, o movimento tem atraído a atenção de partidos.

Entre sexta-feira (24) e sábado, políticos de esquerda, como Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL), Sâmia Bomfim (PSOL) e Manuela D'Ávila (PCdoB), demonstram apoio à manifestação em seus perfis no Twitter.

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