Novo pacote de estímulo econômico nos EUA prevê US$ 1 trilhão de incentivo

Proposta visa redução do seguro-desemprego; texto dos republicanos teve impasse com Casa Branca e ainda precisa ser aprovado no Congresso

Washington

Após uma longa batalha política entre a Casa Branca e seus aliados no Congresso, senadores republicanos —do partido de Donald Trump— apresentaram nesta segunda-feira (27) a proposta de um novo pacote de estímulo no valor de US$ 1 trilhão, em mais uma tentativa de reduzir o impacto do coronavírus na economia dos EUA.

A medida, que ainda precisa ser aprovada pelo Legislativo, prevê uma segunda rodada de pagamentos de US$ 1,2 mil aos americanos, mas reduz de US$ 600 para US$ 200 o valor semanal do seguro-desemprego repassado pelo governo Trump aos que perderam trabalho em meio à pandemia.

O projeto, entre outros itens, também destina US$ 105 bilhões em recursos para ajudar na reabertura das escolas, US$ 16 bilhões para subsidiar testes de Covid-19 e pelo menos mais US$ 100 bilhões no auxílio para pequenas empresas, com incentivos para a recontratação de trabalhadores.

O pagamento de US$ 600 semanais de seguro-desemprego, que estava sendo feito em caráter emergencial durante a pandemia, expira nesta sexta-feira (31) e se tornou palco de uma disputa política entre aliados e adversários de Trump.

Bandeira norte-americana em Nova York, Estados Unidos - Johannes Eisele/AFP

Os democratas, de oposião ao presidente, queriam prorrogar o benefício até janeiro, sob o argumento de que a taxa de desemprego no país permanece alta, na casa dos 11% —mais de 30 milhões de pessoas pediram acesso ao auxílio desde o início da pandemia.

Os republicanos, por sua vez, dizem que prolongar o benefício ou mantê-lo em US$ 600 poderia incentivar que americanos ficassem em casa, atrapalhando a reabertura econômica defendida por Trump. A ordem na Casa Branca, portanto, era reduzir o auxílio.

Os EUA têm hoje mais de 4,2 milhões de casos e 147 mil mortes por Covid-19 e ao menos 43 dos 50 estados americanos apresentam novos picos do vírus, fazendo com que diversos governadores, inclusive republicanos, revejam seus processos de retomada das atividades.

A estratégia dos senadores do partido de Trump era aprovar um pacote menor, com a redução dos benefícios aos desempregados, e deixar a negociação de outras medidas com os democratas para um segundo momento —projetos dessa magnitude precisam de chancela bipartidária.

O objetivo era duplo: tentar aprovar algo antes de sexta (31), quando expira o prazo para o seguro-desemprego, e argumentar que a oposição tenta bloquear a extesão do benefício, caso os democratas não chegassem a um acordo sobre a proposta.

A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi, diz que seu partido é contra a fragmentação do pacote e que tudo deveria ser votado de uma única vez, visto que os benefícios são interligados. Ela reclamava da demora dos republicanos em colocar a proposta final sobre a mesa, devido aos impasses com a Casa Branca e entre os próprios integrantes da sigla, e dizia que os democratas estavam sempre à disposição para o debate.

Nesta segunda, Pelosi e o líder da minoria no Senado, Charles Schumer, reuniriam-se com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows. Ambos já haviam passado o fim de semana em negociações no Congresso.

O plano do líder da maioria, o republicano Mitch McConnel, era ter divulgado o pacote na semana passada, mas o impasse sobre o que fazer com o seguro-desemprego e outras questões prolongaram o prazo.

Os republicanos controlam o Senado e tentam por semanas chegar a um acordo com a Casa Branca sobre os números da proposta. Já a oposição democrata tem maioria na Câmara e, em maio, aprovou um pacote de US$ 3 trilhões para ajudar na recuperação da economia.

Agora, esperam o texto dos republicanos para um novo acordo, sob uma crise que não tem dado sinais de que está perto de terminar.

A proposta dos aliados de Trump é reduzir o valor do seguro-desemprego a partir de setembro, até que os estados possam implementar um programa para pagar 70% da renda que os trabalhadores ganhavam antes de terem perdido seu emprego em decorrência da crise —o que poderia acontecer em dois meses. Mas ainda há dúvidas sobre a capacidade de os estados, que também lutam contra crises sem precedentes, conseguirem dar encaminhamento aos projetos.

Em campanha à reeleição, Trump teme que a crise econômica —atrelada à má avaliação popular sobre sua condução da pandemia— afetem seus planos de continuar por mais quatro anos à frente da Casa Branca.

O presidente está atrás de seu adversário, o demcorata Joe Biden, em todas as pesquisas nacionais e nos estados considerados chave para a eleição de novembro.

A proposta dos republicanos exclui o corte na folha de pagamento desejado por Trump e não contempla, por exemplo, novos repasses a governos estaduais e municipais, uma das demandas dos democratas. O projeto discute apenas a flexibilização para as regras de uso de recursos de ajuda federal que já estão em vigor.

Em meados de março, o governo Trump já havia anunciado um pacote de estímulo com o pagamento direto de US$ 1.200 a pessoas que têm o salário de até US$ 75 mil por ano, e era dúvida se a iniciativa seria ou não repetida.

À época, a medida foi considerada uma das maiores investidas fiscais de emergência da história americana.

Desde a ocasião, democratas e republicanos divergem sobre o valor que deveria ser pago —alguns democratas, como senador Cory Booker, defendiam que o montantem fosse de US$ 2 mil para famílias mais pobres.

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