Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Organizadores do boicote ao Facebook querem especialista em direitos civis na direção da empresa

Boicote à publicidade é apenas uma das muitas pressões que a rede social enfrenta

The Wall Street Journal

A direção do Facebook, incluindo seu executivo-chefe, Mark Zuckerberg, e a diretora de operações, Sheryl Sandberg, deverão se reunir no início da próxima semana com grupos de direitos civis que pediram um boicote publicitário à empresa por sua forma de lidar com discurso de ódio e desinformação.

Um dos principais pedidos dos grupos é que o Facebook contrate um executivo com experiência em direitos civis para ocupar um cargo na direção da gigante das redes sociais.

"Se eles tiverem uma liderança em direitos civis, com experiência em direção executiva, a empresa terá de se responsabilizar por esses assuntos", disse Jonathan Greenblatt, executivo-chefe da Liga Antidifamação, um dos organizadores do boicote.

Presidente do Facebook, Mark Zuckerberg
Mark Zuckerberg, e a diretora de operações, Sheryl Sandberg, deverão se reunir com grupos de direitos civis - Erin Scott/Reuters

Líderes de grupos de direitos civis estão se reunindo com executivos do Facebook depois de defenderem um boicote publicitário contra a plataforma durante este mês. O Facebook, que enfrenta pressão crescente para modificar e atualizar parte de suas políticas de conteúdo e segurança, solicitou nesta semana uma nova reunião com os líderes de direitos civis, incluindo Greenblatt, Rashad Robinson, presidente da Color of Change (a cor da mudança, numa tradução livre), e Derrick Johnson, presidente da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP na sigla em inglês).

Os líderes de direitos civis querem que o Facebook adote mudanças significativas e seja mais responsável nos escalões superiores de sua estrutura de liderança. Executivos da empresa, como Joel Kaplan, vice-presidente de políticas públicas globais, participam das decisões de conteúdo. Mas eles têm um conflito de interesses porque também querem agradar a políticos que podem ter opiniões próprias sobre o conteúdo do Facebook, disse Robinson.

"É preciso haver uma separação entre segurança e proteção de conteúdo e as pessoas que fazem lobby com os políticos", afirmou Robinson.

O trabalho do Facebook nessa área inclui a incorporação de especialistas em direitos civis nas equipes de políticas e produtos, declarou a empresa.

O boicote à publicidade é apenas uma das muitas pressões que o Facebook enfrenta. A companhia também tem recebido críticas de muitos funcionários, ativistas e democratas que afirmam que ela não aplica suas regras aos políticos, incluindo o presidente Donald Trump. Vários funcionários discordaram publicamente das posições do Facebook em diversas questões, incluindo sua recente decisão de manter uma publicação de Trump que muitos estudiosos e funcionários dizem ter violado as regras da empresa sobre incitação à violência.

Alguns funcionários relatam que parte desses erros resultam da falta de diversidade na direção da empresa. Na quinta-feira (2), um funcionário do Facebook e dois candidatos a emprego, os três negros, entraram com uma queixa na Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego, dizendo que o Facebook é tendencioso contra os funcionários negros e dificulta sua contratação e promoção. Entre outras questões, o funcionário disse que ouviu a palavra "nigger" dita no trabalho [um insulto dirigido a pessoas negras].

“Acreditamos que é essencial proporcionar a todos os funcionários um ambiente de trabalho respeitoso e seguro. Levamos a sério todas as denúncias de discriminação e investigamos todos os casos”, disse um porta-voz da empresa em comunicado.

Os grupos de direitos civis listaram dez medidas que gostariam que o Facebook adotasse e dizem que todas elas são importantes. Greenblatt, porém, disse que outra prioridade entre eles é uma auditoria externa regular de discursos de ódio e desinformação com base em identidade nas plataformas da empresa, com os resultados divulgados ao público.

Não está claro se o Facebook aceitará qualquer das recomendações específicas dos grupos. Executivos do Facebook, incluindo Carolyn Everson, vice-presidente do Global Business Group, disseram anteriormente a anunciantes que a empresa não modificaria suas políticas com base na pressão do faturamento.

Greenblatt disse que o boicote não pretende prejudicar a receita de publicidade do Facebook, que totalizou US$ 69,7 bilhões (R$ 370,5 bilhões) no ano passado, principalmente de pequenas e médias empresas. O objetivo é chamar a atenção da empresa e incentivar mudanças, disse ele.

Os anunciantes que suspenderam gastos no Facebook e Instagram incluem Unilever, Clorox, Starbucks, Ford Motor, Microsoft, Coca-Cola, Levi Strauss e Verizon Communications. Mas nem todos fazem parte da campanha de boicote, e podem ter prioridades diferentes.

Algumas recomendações dos organizadores do boicote falam mais diretamente às preocupações com publicidade, incluindo a ampliação das ferramentas de segurança do Facebook e o pagamento de mais reembolsos quando os anúncios forem exibidos ao lado de conteúdo recusável.

O Facebook faz reembolsos quando os anúncios são exibidos em vídeo e em alguns outros formatos de conteúdo que violam suas políticas, mas a política não inclui anúncios que são exibidos ao lado do feed de notícias principal do Facebook, de acordo com uma pessoa inteirada do assunto.

Outras medidas requisitadas ao Facebook pelos organizadores do boicote são a criação de um sistema interno para sinalizar automaticamente conteúdo de ódio em grupos privados, para que seja analisado por pessoas, e a descoberta e remoção de grupos públicos e privados enfocados na superioridade da raça branca, em conspirações violentas, desinformação de vacinas e outros conteúdos desaprovados.

O Facebook tratou de alguns pedidos dos grupos em postagem em um blog na quarta-feira (1º), descrevendo algumas das medidas adotadas e seus planos para combater o discurso de ódio e a desinformação, além de oferecer um ambiente mais seguro para os anunciantes. A empresa disse que já gera relatórios sobre suspeitas de incitação ao ódio e os encaminha a revisores com treinamento em políticas de ódio com base em identidade, em 50 mercados e 30 idiomas.

A empresa também disse que avalia maneiras de tornar os usuários que moderam grupos no Facebook mais responsáveis pelo conteúdo desses grupos.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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