Descrição de chapéu Coronavírus

Cerveja em casa segura queda na receita de fabricantes de latinhas na pandemia

Venda de latinhas de cerveja cresce 0,6%, enquanto setor registra queda de 3,8% nos resultados gerais

Brasília

A indústria brasileira de latinhas para cerveja e refrigerantes atravessa a crise do novo coronavírus com resultados comemorados por fabricantes. O consumo de bebidas em casa evitou um tombo no segmento.

A venda de latinhas de alumínio para cerveja registrou alta de 0,6% no primeiro semestre deste ano em relação a 2019. No total, a queda do setor foi de 3,8% no mesmo período.

Os dados são da Abralatas (associação dos fabricantes de latinhas de alumínio para bebidas). A entidade, no entanto, não abre dados parciais como desempenho mensal e faturamento trimestral ou semestral.

Fábrica de latinhas da Rexam - Eduardo Queiroga/Ag. Lumiar

Para se ter uma ideia, toda a produção industrial brasileira registrou queda de 10,9% no primeiro semestre, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"O recado geral é que o nosso setor mostrou resiliência", afirma Cátilo Cândido, presidente da Abralatas.

"A gente não é uma ilha. Mas, se olhar a cerveja, crescer na pandemia é algo de que a gente se orgulha. Poderia ter sido muito pior. A cerveja cresceu", diz.

Os números dão até ânimo para Cândido estimar crescimento de um dígito neste ano, apesar das expectativas negativas para a economia.

Com o isolamento social, bares e restaurantes fecharam —onde se vendem mais cerveja em garrafas de vidro. O consumo em casa, porém, se manteve estável.

Nesse cenário, as latinhas cresceram em participação de mercado em relação ao envasamento em garrafas de vidro.

Segundo Cândido, de toda a cerveja produzida no Brasil, 70% são vendidas em lata. Antes da pandemia, o percentual era pouco acima de 50%. Hoje, a indústria vende 80% das unidades apenas para cerveja.

Dados mais recentes da Abras (associação de supermercados), de maio, corroboram o otimismo de Cândido. Apesar da queda de 1,9% nas vendas de cerveja, os números não distinguem latinhas das garrafas de vidro.

As vendas gerais nos supermercados no ano registraram crescimento acumulado de 5,63% de janeiro a maio.

Diante de uma queda do PIB (Produto Interno Bruto) estimada em 4,7% pelo governo federal e em torno de 6% pelo mercado, os números chegaram a acender o alertar no setor de latinhas.

Segundo Cândido, abril, primeiro mês completo com a implementação de medidas de isolamento social, foi o pior resultado do setor da história. "Na pandemia, sentimos os efeitos."

Toda a indústria brasileira, segundo o IBGE, teve tombo de 27% em abril deste ano em relação ao mesmo mês do ano passado. Até agora, as perdas não foram recuperadas.

No segmento de latinhas, as vendas subiram em maio e mostraram tendência de crescimento, diz Cândido.

"Junho foi um dos melhores números da história. O mês bateu junho de 2019. A expectativa é que julho mantenha a alta", diz Cândido. Os dados do mês passado ainda não foram fechados.

"Somos uma indústria que conseguiu passar bem pela crise", afirma.

Os resultados anuais dão uma dimensão do mercado de latinhas de bebidas no Brasil.

No ano passado, a indústria produziu 31 bilhões de unidades e vendeu 29,6 bilhões —em 2009, eram 14,8 bilhões. De 2018 para 2019, o crescimento das vendas foi de 13,7%.

Os números colocam o mercado brasileiro no terceiro lugar do ranking mundial. O país fica atrás de China e Estados Unidos na venda de latinhas.

A Euromonitor International, empresa de pesquisa de mercado global, estima uma queda de 0,8% nas vendas de cerveja em latinha neste ano. O mercado de refrigerantes em lata deve ficar zerado, o que mostra estabilidade.

Rodrigo Mattos, analista de bebidas da Euromonitor, usa o mesmo argumento de Cândido para explicar o cenário: "A cerveja se mostrou resiliente comparada a outras bebidas".

"O brasileiro é fã de cerveja. Tem um aspecto cultural muito forte. Se não posso ir ao bar, vou tomar cerveja em casa", diz Mattos.

Segundo ele, o consumo de garrafas de vidro em casa já era menor, e a pandemia ajudou a manter o mercado de latinhas. "As pessoas estão ficando mais em casa."

Ele destaca, por exemplo, o crescimento das entregas em casa. "Delivery prioriza as latinhas."

Entre fevereiro e março, serviços de venda pela internet e entrega de bebidas registraram aumento de até 50% na demanda por bebida alcoólica, segundo dados de plataformas do setor.

Mattos, porém, não arrisca fazer previsões para o chamado novo normal após a crise da Covid-19. "Será que as pessoas vão retomar o normal antigo? Ou vão criar novos hábitos?"

A indústria de latinhas para bebidas no Brasil

Fonte: Abralatas

  • Latinhas para bebidas vendidas em 2019

    29,6 bi

  • Crescimento da indústria no ano passado em comparação a 2018

    13,7%

  • Faturamento anual

    R$ 14,3 bi

  • Empresas que atuam na fabricação de latinhas para bebidas

    4

  • Fábricas instaladas no Brasil

    22

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