Descrição de chapéu Coronavírus

Empréstimo para empresas cresce 13,3% em julho, puxado pelo Pronampe

Segundo BC, concessões de novos créditos com recursos direcionados tiveram alta de 29,3% no mês

Brasília

Os bancos emprestaram mais para empresas em julho, com alta de 13,3% em relação a junho. O aumento foi puxado pela concessão de créditos com recursos direcionados pelo governo, que teve alta de 29,3%.

Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (28).

Os recursos para os empréstimos podem ser livres ou direcionados. Nos livres, o dinheiro emprestado é próprio e o banco decide a taxa a ser cobrada.

Nos direcionados, o governo determina a destinação dos recursos para certo segmento ou modalidade e as taxas são monitoradas. É o caso dos programas emergenciais de crédito criados em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

A variação foi registrada na série com ajuste sazonal, que retira peculiaridades do período, como número de dias úteis a mais ou a menos, para facilitar a comparação.

Na tabela divulgada pelo BC, a rubrica Outros, dentro dos créditos direcionados, tiveram crescimento de 397,4% no mês e 543,4% no trimestre.

A autoridade monetária explica que a coluna diz respeito a "operações de crédito não passíveis de classificação nas demais modalidades apresentadas", mas não especifica quais.

Segundo o chefe do departamento de estatísticas, Fernando Rocha, empréstimos dentro do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) representam a maior parte desse aumento.

“A coluna Outros teve crescimento de R$ 15,5 bilhões e essa alta é majoritariamente relativa ao Pronampe. No saldo, abrimos por porte da empresa e houve crescimento de 7,9% para as menores, com acréscimo de R$ 44 bilhões. Então esse crescimento se deu também no crédito livre, que explica o crescimento de concessões para capital de giro”, explicou Rocha.

Dentro dos recursos direcionados para as empresas estão crédito rural, com queda de 9,9%, financiamento imobiliário, alta de 2,2% e crédito com recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), retração de 16,9%.

Considerando apenas o crédito livre, a taxas de mercado, houve retração na concessão para as empresas de 7,9% no mês, em relação a junho.

Para as famílias, foram 5,9% a mais de créditos concedidos no período. Modalidades ligadas ao consumo permaneceram em alta, com 9,5% no cartão de crédito à vista e 18,4% para a aquisição de veículos.

“É efeito da reabertura dos comércios. Com relação a veículos, pode haver demanda represada. Muitos planejavam trocar de carro no período de isolamento e adiaram. Agora, estão realizando a compra”, ponderou o técnico do BC.

O crédito consignado –em que as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento— também teve crescimento expressivo no mês, de 9%. Para servidores públicos, foram concedidos 17,5% a mais.

Ao todo, foram R$ 341 bilhões em novas concessões para famílias e empresas, aumento de 9,4% em relação a junho.

O estoque de crédito do sistema financeiro alcançou R$ 3,66 trilhões em julho, 1% a mais que o registrado no mês anterior.

A taxa média de juros das operações contratadas em julho ficou em 19,1% ao ano, menor da série histórica iniciada em março de 2011, com queda de 0,4 ponto percentual no mês e de 5,6 pontos em 12 meses.

O spread —diferença entre a taxa que os bancos pagam para captar recursos e a taxa cobrada em empréstimos— ficou em 15,4 pontos, 0,4 ponto a menos que no mês anterior e de 3,9 pontos no acumulado dos 12 meses.

"Tivemos redução de taxas de fato, mas o efeito composição, que é quando há maior volume de empréstimos em linhas mais baratas, também puxou os juros para baixo", esclareceu Rocha.

Em julho, houve aumento nas taxas cobradas no cartão de crédito rotativo das famílias de 9,4 pontos, que ficou em 312% ao ano. O consumidor entra na modalidade quando não paga o valor total da fatura.

A taxa cobrada quando o usuário parcela a fatura do cartão de crédito aumentou 12,7 pontos no mês e ficou em 131,8% ao ano.

A inadimplência caiu 0,2 ponto em julho e ficou em 2,7%, a menor desde dezembro de 2014. "O pagamento do auxílio emergencial e a postergação de parcelas e renegociação de dívidas ajudou nesse movimento", disse Rocha.

A base monetária, que é a quantidade de dinheiro na economia, chegou ao maior patamar da história e totalizou R$ 423,7 bilhões em julho, aumento de 11% no mês e de 56,1% em 12 meses.

​No mês, as reservas bancárias cresceram 67,2% e o papel-moeda emitido aumentou 3,2%.

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