EUA vão expandir ação contra grupos chineses de tecnologia além do TikTok

Pompeo promete mais medidas repressivas enquanto ByteDance tenta salvar negociações para venda à Microsoft

San Francisco e Washington | Financial Times

O governo Trump prometeu “ação” dentro de alguns dias contra empresas chinesas de software que considera como risco de segurança, em um sinal de que Washington está se preparando para ampliar sua ofensiva e atacar outros alvos além do app de compartilhamento de vídeo TikTok.

A ByteDance, companhia chinesa que controla o TikTok está correndo para salvar as operações do app nos Estados Unidos, com um apelo ao governo americano por permissão para que venda a unidade à Microsoft.

Comentários feitos pelo secretário de Estado americano Mike Pompeo no sábado indicam que haverá novas ações contra uma gama mais ampla de companhias chinesas de tecnologia.

“Essas empresas chinesas de software que fazem negócios nos Estados Unidos, seja o TikTok, seja o WeChat, e existem incontáveis outras... estão transmitindo dados diretamente ao Partido Comunista chinês e ao aparato de segurança nacional de seu país”, disse Pompeo à Fox News.

Bandeiras dos EUA e bandeiras chinesas sob logotipo do TikTok
Trump confirmou proibição ao TikTok na sexta-feira (31) - Florence Lo/Reuters

“O presidente Trump disse ‘basta’ e que vamos cuidar disso, e assim ele tomará medidas nos próximos dias com relação a um conjunto amplo de riscos de segurança nacional trazidos por software conectado ao Partido Comunista chinês”, disse o secretário.

Pompeo não se estendeu sobre o escopo da ação proposta, no entanto. O Conselho de Segurança Nacional americano não ofereceu esclarecimentos.

Falando especificamente sobre o TikTok, Pompeo disse que Trump “estava se aproximando de uma solução”.

Os Estados Unidos afirmam que o controle do TikTok pela ByteDance significa que dados sobre cidadãos americanos podem ser usados pelo governo chinês. Trump disse a jornalistas na sexta-feira (31) que pretendia proibir o TikTok nos Estados Unidos.

Em um acordo com a Microsoft que estava em negociação antes da intervenção de Trump, 1,5 mil empregados, a propriedade intelectual e a tecnologia da TikTok nos Estados Unidos seriam transferidos à gigante do software dos Estados Unidos, e a ByteDance não reteria qualquer interesse nas operações americanas do TikTok.

Steven Mnuchin, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, disse no domingo que o TikTok não podia continuar sob o controle da ByteDance e operar nos Estados Unidos. Mnuchin preside o Comitê de Investimento Estrangeiro (Cfius, na sigla em inglês) do governo americano, que está revisando a aquisição do Musical.ly, antecessor do TikTok, pela ByteDance, em termos de efeito sobre a segurança nacional.

“O presidente pode forçar uma venda ou pode bloquear o app... não vou comentar sobre minhas discussões específicas com o presidente, mas todos concordam em que o app não pode existir em sua forma atual”, disse Mnuchin.

As autoridades dos Estados Unidos expressaram preocupação repetidas vezes sobre a possibilidade de que Pequim use contra os cidadãos americanos dados delicados recolhidos por empresas de tecnologia dotadas de conexões com a China. Meses atrás, a Kunlu, proprietária chinesa do app Grindr, foi forçada a vender o app de encontros, popular na comunidade gay, ao grupo de investimento San Vicente Acquisition, depois de uma intervenção do Cfius.

No mês passado, Peter Navarro, assessor da Casa Branca para questões de comércio internacional, acusou o TikTok e o app chinês WeChat de enviar dados sobre seus usuários ao Partido Comunista da China, e afirmou que esses dados poderiam ser usados “para chantagem e extorsão”, bem como para “guerras de informação”.

Perguntado se a potencial venda do TikTok a uma empresa sediada nos Estados Unidos como a Microsoft bastaria para proteger os dados dos usuários americanos, Pompeo disse que Trump “garantiria que tudo que fizermos nos leve o mais perto possível do risco zero para o povo americano”.

No domingo, diversos senadores republicanos expressaram apoio a uma aquisição, em lugar de uma proibição, da companhia.

Marco Rubio, senador pela Flórida, declarou no Twitter que, se a companhia e seus dados forem adquiridos e “garantidos por uma companhia americana confiável”, isso representaria “um desfecho positivo [e] aceitável”. O senador John Cornyn descreveu uma aquisição por uma empresa americana como “vantajosa para todos”.

O senador Roger Wicker disse que uma transação como essa seria “uma vitória para os consumidores americanos”, mas acrescentou que “medidas duras de segurança precisam constar de qualquer acordo a fim de garantir proteção aos dados dos consumidores e assegurar que não haja acesso estrangeiro”.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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