Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Goldman Sachs quer passar a emitir cartões de crédito da GM

Operações de crédito da montadora têm US$ 3 bilhões em saldos a receber

Nova York | The Wall Street Journal

O Goldman Sachs quer passar a emitir cartões de crédito com bandeira da General Motors, redobrando sua aposta nas operações de varejo bancário e apostando em um futuro no qual as pessoas pagarão por compras, gasolina e comida do banco do motorista.

O banco de Wall Street está entre os interessados nas operações de cartões de crédito da montadora, que tem saldos a receber de US$ 3 bilhões, de acordo com pessoas informadas sobre o assunto.

Não existe garantia de que a GM escolha substituir a Capital One Financial, sua atual emissora de cartões, ou que o Goldman Sachs vá vencer a disputa. O banco Barclays também é parte da disputa, e uma decisão é aguardada para as próximas semanas.

O Goldman Sachs lançou seu primeiro cartão de crédito no ano passado, em uma parceria com a Apple, e o posicionou como uma alternativa tecnologicamente avançada e segura a um produto antiquado e sujeito a numerosas fraudes. O cartão da Apple é emitido digitalmente para os iPhones dos portadores em questão de minutos, e utiliza dados de localização para categorizar e rastrear gastos.

Goldman Sachs quer operações de cartões de crédito da GM
Goldman Sachs quer operações de cartões de crédito da GM - David Gray/Reuters

O banco concordou em não lançar um segundo cartão de bandeira compartilhada por um ano, de acordo com pessoas informadas sobre o assunto. No segmento dos cartões de crédito de bandeira compartilhada, o Goldman Sachs terá de derrotar grandes bancos que dominam esse espaço, entre os quais o Synchrony Financial e o Citigroup, cujo ex-presidente de parcerias de cartão de crédito, Scott Young, foi contratado pelo Goldman Sachs em 2017 para buscar contratos semelhantes.

A Capital One responde pela emissão dos cartões da GM desde 2012, e seu contrato durará mais um ano.
Em suas propostas à GM, o Goldman Sachs e o Barclays ressaltaram a ideia dos carros como portais de comércio eletrônico, disseram pessoas informadas sobre o assunto, um esforço que a montadora mesma está promovendo. A GM foi a primeira grande companhia do setor automobilístico a permitir que motoristas peçam comida, paguem por combustível e reservem estadias em hotéis usando as telas de toque de seus carros, e assinou contratos de parceria com empresas como a Dunkin’ Brands Group e a Shell.

Isso é parte de um esforço mais amplo para conectar aparelhos de uso cotidiano à web a fim de encorajar consumo e recolher dados. Essa tecnologia está demorando a ganhar terreno –nem todo mundo precisa de um refrigerador que avise quando o estoque de leite está no fim–, mas se enquadra a uma tendência mais ampla de digitalização e automatização do consumo. A pandemia do coronavírus pode tornar essa ideia mais atraente, por ter ampliado a demanda por comércio eletrônico e por retirada de produtos sem contato humano.

A empreitada conta com o apoio de redes de cartões de crédito como a Visa e Mastercard, que ganham dinheiro sempre que os cartões são usados, virtualmente ou não. Essas companhias estão ávidas por expandir o comércio para além das lojas e dos sites de varejo eletrônico.

Um acordo com a GM levaria adiante as ambições do Goldman Sachs no varejo bancário. Desde que lançou sua divisão de varejo bancário, chamada Marcus, quatro anos atrás, a empresa montou uma carteira de US$ 7 bilhões em empréstimos, e quer expandi-la a US$ 20 bilhões em 2025. Os detentores de cartões Apple tinham saldo devedor acumulado de US$ 2,3 bilhões em 30 de junho.

Sem uma marca bem conhecida dos consumidores e sem uma rede de agências físicas para atrair clientes, o Goldman Sachs está se voltando a parcerias, esperando transformar usuários do iPhone, motoristas de carros da GM, compradores da Amazon e membro da AARP (a associação de aposentados dos Estados Unidos) em clientes do Marcus.

Em transações como a que está sendo discutida, o novo parceiro bancário geralmente concorda em pagar um pequeno ágio para assumir a carteira de cartões existentes, e espera ganhar dinheiro ao encorajar gastos maiores, conquistar mais clientes para os cartões de crédito, e oferecer novos cartões em transações casadas com outros parceiros. Os acordos em geral envolvem compartilhamento das receitas geradas pelos cartões.

Não é incomum que empresas procurem novos emissores para seus cartões, em muitos casos em busca de melhores arranjos financeiros. O Walmart substituiu o Synchrony Financial pela Capital One em 2019, e a Costco Wholesale trocou o American Express pelo Citigroup em 2016.

The Wall Street Journal, tradução de Paulo Migliacci

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