Oi define mínimo de R$ 20 bilhões para venda de unidade de fibra

Operadora tenta sair da recuperação judicial até maio de 2022

São Paulo

A Oi definiu o valor mínimo para a venda de sua unidade de fibra, conhecida como InfraCo, em R$ 20 bilhões, segundo o presidente Rodrigo de Abreu.

Em teleconferência com acionistas nesta sexta-feira (14), Abreu disse ainda que a empresa planeja leiloar essa unidade no primeiro trimestre de 2021 e concluir a venda até setembro de 2021.

Logo da Oi
Logo da Oi em loja da operadora em São Paulo; a companhia reportou prejuízo de R$ 3,4 bilhões no segundo trimestre - REUTERS/Paulo Whitaker

A Oi apresentou nesta sexta mudanças em seu plano de reestruturação, com o objetivo de levantar novos empréstimos com credores e de conseguir um valor maior pelos ativos colocados à venda.

Os credores votarão as mudanças propostas em 8 de setembro. A Oi pretende sair da recuperação judicial em maio de 2022, cerca de seis anos após o início do processo.

"Depois de muitas conversas, concluímos que o plano precisava de um pouco mais de flexibilidade do que inicialmente previsto", disse Abreu.

A empresa também decidiu vender sua operação de TV por assinatura, por, no mínimo, R$ 20 milhões, com o objetivo de eliminar custos mais expressivos de satélites. Ainda assim, a adquirente dividirá parte das receitas com a Oi, na medida em que a operadora continuará oferecendo serviços de TV a seus clientes.

A Oi também está oferecendo aos credores a redução dos descontos sobre os valores devidos caso concedam novos empréstimos ou cartas de fiança à empresa. Os descontos propostos podem cair de 60% para até 40% se os credores fornecerem mais empréstimos à Oi, por exemplo.

A Oi também está vendendo sua unidade móvel. TIM Brasil, Telefônica Brasil (Vivo) e Claro ofertaram em proposta conjunta, R$ 16,5 bilhões pela Oi Móvel em um acordo de exclusividade para negociar a compra. A negociação também envolve contratos de longo prazo para uso da infraestrutura de rede da operadora.

Na teleconferência, executivos comentaram os resultados da companhia no segundo trimestre. A Oi registrou prejuízo líquido de R$ 3,4 bilhões no período, mais do que dobrando as perdas em relação ao mesmo período de 2019, em resultado pressionado por pagamento de dívida e receitas menores.

O resultado operacional medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 15%, para R$ 1,36 bilhão.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA OI

De acordo com dados da consultoria Teleco de maio, a Oi é a quarta colocada no mercado de telefonia móvel no país, com participação 16,28%. A primeira é a Vivo, com 33,01%, seguida pela Claro/Nextel, com 25,97%, e pela TIM, com 23,20%.

A Oi pediu recuperação judicial em 2016 com uma dívida, à época, de R$ 65 bilhões. A empresa quer usar o dinheiro da venda de sua unidade móvel para financiar o crescimento da sua banda larga de fibra ótica e pagar dívidas, tentando escapar da proteção de insolvência. ​

Segundo balanço do primeiro trimestre, o total da dívida financeira da Oi era de R$ 24 bilhões. A dívida que está na recuperação judicial é ainda maior, porque inclui outros créditos, como aqueles obtidos com a Anatel.

Em conversas com representantes do governo e da Anatel, o presidente da companhia, Rodrigo Abreu, deixou claro que a empresa pretende se tornar uma grande fornecedora de infraestrutura fixa —rede e serviços— para concorrentes em todo o país, especialmente na instalação das redes de 5G.

Está prevista para agosto uma nova assembleia de credores, por meio da qual a Oi buscará aprovar ajustes ao plano original de recuperação judicial. A companhia prevê a venda de ativos da operação móvel, de torres, de data center e de parte da rede de fibra óptica. ​

(Com Reuters)

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