Pátria levanta R$ 10 bi para investimentos em infraestrutura na América Latina

Montante é o maior já captado para um fundo do segmento na região

São Paulo

O Pátria Investimentos anunciou nesta segunda-feira (31) a captação de R$ 10 bilhões para investimentos na América Latina. O montante é o maior já levantado com esse fim na região.

Os recursos devem ser investidos nas áreas de energia, logística, transporte, infraestrutura de dados e saneamento no âmbito do fundo Pátria Infraestrutura IV.

Parte central da estratégia para direcionamento dos recursos é o respeito aos ESG (conceito relacionado a melhores práticas ambientais, sociais e de governança), afirma Felipe Pinto, sócio do Pátria.

“Olhando do ponto de vista dos nossos investidores, claramente a barra subiu. Eles são bastante rigorosos [com impactos ambientais e sociais]. É um tema que veio para ficar”, diz.

O setor privado no Brasil e exterior tem se organizado para pressionar o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) a combater o desmatamento ilegal, que vem crescendo a taxas recordes, temerosos do efeito da imagem negativa do país sobre seus negócios.

Segundo dados do Inpe, de agosto de 2019 a julho de 2020 o desmatamento na Amazônia aumentou 34% em comparação com o mesmo período anterior.

Outra mudança observada pelo Pátria é o perfil dos investidores, com maior participação local, consolidando tendência que vinha sendo apontada desde o início do ano —25% dos R$ 10 bilhões captados vieram de investidores brasileiros.

“Isso é resultado da redução sustentada da taxa de juros e uma migração da poupança dos brasileiros que estava em renda fixa para ativos com maior perfil de risco e rentabilidade. No nosso fundo III, 5% a 10% foram captadoa de investidores locais, agora subiu para um quarto [25%]”, avalia o executivo.

Dos R$ 10 bilhões captados, 40% já estão comprometidos com três investimentos. O primeiro é a Essentia Energia, que atua nos ramos de eólica e solar, controlada 100% pelo fundo.

“Energia renovável é definitivamente uma área de interesse e queremos seguir consolidando e transformando-a numa das principais empresas de renováveis do Brasil”, afirma Pinto.

O segundo é a Pipa (conjunto de estradas estaduais paulistas que conectam Piracicaba e Panorama), rebatizada de Eixo SP. O Pátria venceu o leilão do lote no início do ano em sociedade com o GIC (Fundo Soberano de Singapura). A operação da concessão começou em junho.

O terceiro empreendimento é uma plataforma de torres de telecomunicação com foco em soluções de infraestrutura de dados wireless cujo nome deve ser divulgado nas próximas semanas. Como a Essentia, também é 100% controlada pelo Pátria.

“Vemos uma demanda contínua [nesse setor], que também pode se beneficiar com o advento do 5G e o adensamento da infraestrutura necessária para servir a nova tecnologia”, diz Pinto.

Em relação aos 60% restantes do fundo, o Pátria está interessado em projetos de transmissão de energia e geração de energia térmica dentro e fora do Brasil.

“O Brasil é sempre 80% da alocação [de recursos do fundo], mas temos visto oportunidades de investir em infraestrutura em outros países da região, por exemplo a Colômbia”, afirma.

No segmento de logística e transporte, o Pátria deve seguir incrementando sua participação em rodovias e ativos portuários. O fundo também está atento a novas oportunidades na área de transporte urbano.

Infraestrutura de dados segue entre as prioridades, especialmente fibra e data center, setores em que o Pátria já tem atuação de destaque.

“Evidentemente vimos uma maior aceleração [nesses ativos] porque houve uma aceleração da digitalização da economia [com a pandemia]”, diz.

A pandemia por outro lado levou a uma desvalorização da área de transportes, decorrente da redução do deslocamento de pessoas. “Foi uma desaceleração pontual, transitória, mas essas coisas voltam considerando ser uma atividade essencial num país com carência de infraestrutura”, afirma.

Já os aeroportos são um ativo que “naturalmente vai ser reprecificado”, avalia Pinto. O setor de aviação foi um dos mais atingidos pela pandemia e deve se recuperar lentamente.

​“Pelo menos agora nos primeiros anos da retomada, os preços devem cair. Não é que não temos interesse, se tiver um ativo no preço certo, temos interesse em perseguir”, diz.

Com a entrada vigor do novo marco regulatório do saneamento, que abriu o mercado para a iniciativa privada, Pinto afirma que investimentos nessa área estão no radar.

Até agora, o principal investimento do Pátria em saneamento é um projeto de dessalinização localizado no Chile. No Brasil, há apenas um pequeno investimento na Opersan, empresa de tratamento de efluentes industriais.

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