Vendas para China e alta no consumo em casa elevam em 0,8% faturamento da indústria alimentícia no 1º semestre

Receita de exportação para país asiático quase dobrou

São Paulo

O faturamento da indústria de alimentos e bebidas subiu 0,8% no primeiro semestre deste ano em comparação com igual período do ano passado, segundo balanço divulgado nesta quarta (12) pela Abia, associação que representa o setor.

A expansão do varejo alimentar no mercado interno e o aumento das exportações puxaram a alta mesmo num cenário econômico de crise provocada pela pandemia.

Em comparação com o primeiro semestre do ano passado, as exportações cresceram 12,8% em valor, alcançando a cifra de US$ 17,6 bilhões. Com essa expansão, o peso do setor na balança comercial brasileira passou de 50,5% para 68,2% na comparação entre os semestres.

Os produtos que registraram a maior alta foram carnes (11,9%), óleos e gorduras (30%) e açúcares (48%). O principal destino foi a China —a receita das vendas para o país asiático cresceu 95,6% no primeiro semestre em comparação com igual período do ano passado.

Com isso, a participação da China nas exportações brasileiras passou para 20,3%. Em segundo lugar vem a União Europeia, com participação de 15,5% e em terceiro o Oriente Médio, que responde por 10,8% das exportações brasileiras.

Em relação ao mercado interno, as restrições impostas pela quarentena impulsionaram o consumo dentro de casa, explicando o bom desempenho do setor. O valor das vendas no varejo subiu 12,2%, para R$ 207,2 bilhões.

Em termos de produção, houve alta de 22,6% na de açúcar, 3,9% de óleos vegetais e 1,9% de carnes.

Segundo João Dornellas, presidente da Abia, o bom desempenho no açúcar é explicado por uma reacomodação do mercado internacional favorável ao Brasil, após um alto volume de exportações da Índia no ano passado.

Por outro lado, o setor de food service (que corresponde à alimentação fora de casa) sofreu uma queda de 29,5% no valor das vendas. Os segmentos que tiveram maior queda no faturamento foram bebidas (-4%), derivados de trigo (-0,3%) e laticínios (-4,2%).

O fechamento de bares, restaurantes, hoteis, escolas e faculdades explicam em grande medida a retração nesses itens, afirma Dornellas. Em relação ao trigo, para além das restrições de funcionamento das padarias, houve efeito também da alta do dólar, uma vez que boa parte do produto é importada pela indústria brasileira.

Apesar da Covid-19 ter tido um impacto positivo no agregado sobre o setor, a pandemia implicou em custo médio adicional de produção de 4,8%.

A expectativa da Abia para 2020 é que o setor feche o ano com um aumento nas vendas entre 0% e 1% em relação a 2019.

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