Descrição de chapéu The Wall Street Journal

À frente do Citi, Jane Fraser será a primeira mulher a liderar um grande banco de Wall Street

Executiva promete preparar o banco para um mundo mais digital

David Benoit Dave Sebastian
Nova York | The Wall Street Journal

Jane Fraser se tornará a primeira mulher a dirigir um grande banco de Wall Street, sucedendo a Michael Corbat como executiva-chefe do Citigroup quando ele se aposentar, em fevereiro.

O Citigroup escolheu Fraser para atuar como presidente do banco e administrar seu banco de consumo global no ano passado, medida que a definiu como a favorita para suceder Corbat. Mas o momento da aposentadoria de Corbat foi uma surpresa; ele deveria permanecer como presidente por mais dois anos.

Corbat, 60, dirige o banco desde 2012, após a saída repentina de Vikram Pandit. O veterano há 37 anos no Citigroup, um homem que resolve problemas e gosta de estatísticas, leva crédito por devolver a saúde ao banco após seu quase colapso durante a crise financeira de 2008.

Fraser, 53, trabalha no Citigroup há 16 anos. O banco a escolheu para lidar com uma série de tarefas difíceis.

Jane Fraser, 53, trabalha no Citigroup há 16 anos e será a primeira mulher a liderar um grande banco de Wall Street - Erin Scott - 18.mar.2019/Reuters

Durante a crise financeira, ela dirigiu sua divisão de estratégia, estabelecendo as bases para vender unidades como a corretora Smith Barney e reduzir o banco em geral.

Em 2015, ela foi enviada para dirigir as importantes divisões do banco na América Latina. No ano anterior, o banco havia dito que sua unidade no México tinha sido enganada em uma suposta fraude contábil por uma empresa de serviços de petróleo.

Fraser se mudou para Nova York em 2019 para administrar o banco de varejo do Citigroup. Ela liderou a resposta de emergência do banco ao coronavírus na América do Norte, atribuição que a colocou em contato com líderes de toda a instituição.

"Acreditamos que Jane é a pessoa certa para desenvolver o histórico de Mike e levar o Citi ao próximo nível", disse o presidente do banco, John Dugan, em um comunicado.

Embora Corbat tenha sido elogiado por equilibrar o Citigroup, analistas e investidores esperavam ver mais sinais de crescimento.

Este deveria ser o ano em que o Citi mostraria que tinha melhorado sua lucratividade e alcançado seus rivais. A pandemia do coronavírus e a destruição econômica que causou forçaram o banco a deixar de lado essas metas. Mas, como seus pares, o Citigroup conseguiu superar a crise com sua lucratividade prejudicada, mas a saúde intacta.

As ações do Citi caíram 36% neste ano, mas subiram cerca de 38% desde que Corbat assumiu o banco pela primeira vez, apresentando desempenho ligeiramente inferior ao de seus pares. As ações subiram 1,7%, para US$ 52,27, na manhã de quinta-feira (10).

Corbat "deixará a empresa em uma posição muito mais forte do que a que encontrou", disse Dugan no comunicado.

Em um memorando aos funcionários na quinta, Corbat disse que é o momento certo para um novo líder assumir. Fraser, disse ele, deverá liderar um investimento plurianual planejado em sua infraestrutura e controles globais.

Em seu próprio memorando, Fraser prometeu preparar o Citi para um mundo mais digital. "Precisamos passar da correção para a transformação fundamental de nosso ambiente de risco e controle; e precisamos garantir que temos uma cultura que exige excelência nessas áreas porque, em última análise, nos tornará mais competitivos e melhorará nossa capacidade de servir aos clientes", escreveu ela.

Em uma audiência no Congresso no ano passado, Corbat e outros presidentes de grandes bancos —todos homens brancos— foram questionados se havia probabilidade de serem sucedidos por mulheres um dia. Ninguém disse sim.

Dias depois, o JPMorgan Chase & Co. selecionou Marianne Lake e Jennifer Piepszak para um dia sucederem a James Dimon como presidente.

A nomeação de Fraser como a primeira mulher presidente do banco é "um motivo de orgulho para todos nós e inovadora para nosso setor", disse Corbat em seu memorando.

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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