Com ocupação de 3%, Maksoud pede recuperação judicial

Dívidas trabalhistas e com outros credores podem chegar a R$ 120 milhões; hotel continua em operação

São Paulo

O Grupo Maksoud de Hotéis entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda-feira (21) na Justiça de São Paulo.

A solicitação envolve dívidas trabalhistas e com outros credores que podem chegar a R$ 120 milhões. Fora do pedido ainda são estimados R$ 400 milhões em débitos tributários.

O pedido envolve a Hidroservice, holding mista que controla direta e indiretamente a HM Hotéis (sociedade que conduz as atividades do Maksoud Plaza), a Manaus Hotéis e a HSBX Hotéis.

Segundo a petição inicial protocolada pelos advogados do grupo, o icônico hotel paulistano foi duramente atingido pela pandemia do novo coronavírus, apesar de ter registrado faturamento de R$ 72,5 milhões no ano passado.

Vão interno do hotel Maksoud Plaza
Vão interno do hotel Maksoud Plaza - Divulgação

Iniciada em março e ganhando escala mundial, a pandemia obrigou o hotel a fechar as portas por seis meses. As obrigações cotidianas, no entanto, persistiram e chegaram a R$ 1,5 milhão por mês com folha de pagamentos e manutenção do empreendimento, além dos gastos com segurança e manutenção dos ativos imobiliários do grupo.

“A falta de perspectiva para uma recuperação a curto prazo do setor de hotelaria mundial, em especial no turismo de negócios —as estimativas mais otimistas falam de retorno do movimento normal em 2022—,fez a direção tomar a decisão de fazer desligamentos de 153 dos 316 colaboradores na sexta-feira (18), no intuito de preservar as atividades do hotel, sendo certo que, até o presente momento, nenhum anúncio de plano de ajuda ao setor de turismo foi implementado pelos governos competentes”, afirmaram os advogados na petição.

O Maksoud Plaza continua em operação mesmo após o pedido de proteção contra falência. O hotel registra taxa de ocupação de 3% desde sua reabertura, em 4 de setembro. A ocupação média do empreendimento é de 62%.

O hotel agora espera o aceite da recuperação judicial pelo juiz. A partir da autorização, o grupo terá 60 dias para apresentar uma proposta aos seus credores.

O setor de turismo foi um dos mais impactados pela pandemia. O segmento acumula perdas superiores a R$ 122 bilhões –montante equivalente a três meses de faturamento do setor, segundo levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

O governo chegou a costurar uma série de medidas para socorrer os setores mais afetados pelo coronavírus entre abril e maio —que chegaram a cerca de R$ 50 bilhões,— e trouxe outros pacotes emergenciais para alívio financeiro, mas a ação não foi suficiente para conter os estragos nos caixas das companhias.

Um dos mais famosos hotéis de São Paulo, o Maksoud Plaza foi criado em 1979 por Henry Maksoud e teve seu auge nos anos 1980 e início dos anos 1990, quando acabou herdando todas as dívidas trabalhistas e tributárias do grupo após a Hidroservice suspender parte de suas atividades.

O hotel viveu em crise até 2014, quando Henry Maksoud morreu e seu neto, Henry Maksoud Neto, assumiu a direção do empreendimento.

A nova gestão contratou consultorias especializadas e adotou novos procedimentos de governança e auditoria de resultados, reduzindo as ações trabalhistas em 93%.

Em nota, o Maksoud Plaza e sua controladora, a Hidroservice afirmaram que a recuperação judicial foi a única alternativa que o grupo teve e que é a melhor maneira de honrar seus compromissos com colaboradores e credores enquanto o setor hoteleiro e as receitas do empreendimento não voltam ao normal.

“Enquanto isso, nossa equipe trabalhará incansavelmente para manter a qualidade dos serviços ofertados a nossos hóspedes. [...] A gestão do Maksoud não medirá esforços para manter a saúde financeira da empresa, preservando assim o legado e a excelência de um hotel ícone de São Paulo e do Brasil”, disse o grupo.

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