Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Disney demitirá 28 mil em meio a incerteza sobre reabertura dos parques

Empresa sofre com pandemia; Disneyland fechou as portas em março

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Washington | The Wall Street Journal

A Walt Disney Co. anunciou que demitiria cerca de 28 mil trabalhadores de seus parques temáticos nos Estados Unidos, e comunicou essa decisão pouco depois que o governo do estado da Califórnia sinalizou que o Disneyland Resort teria de continuar fechado pelo futuro previsível devido a preocupações com a Covid-19.

As demissões são mais o recente exemplo de tensões entre governos que tentam manter o coronavírus sob controle e empresas que enfrentam dificuldades para pagar suas contas devido a restrições nas maneiras pelas quais podem operar.

Os trabalhadores que serão demitidos estavam de licença não remunerada desde abril, disse a companhia; eles continuavam desfrutando de seus planos de saúde, mas não estavam recebendo salários. Cerca de dois terços dele são trabalhadores em tempo parcial, disse a Disney, acrescentando que em breve começaria a negociar com os sindicatos sobre os “próximos passos” com relação aos seus integrantes.

Os personagens Mickey Mouse e Minnie - Charles Platiau/Reuters

Ao anunciar as demissões, na tarde da terça-feira, a Disney disse que o impacto da pandemia havia sido “exacerbado na Califórnia pela falta de disposição do governo estadual de suspender restrições, o que permitiria a reabertura da Disneyland”.

Um importante funcionário dos serviços estaduais de saúde disse na terça-feira que o condado de Orange, onde fica o parque temático original da Disney, não atendia aos critérios que permitiriam um relaxamento das restrições sobre as empresas. O condado hoje está classificado como parte do grupo 2, o que indica que as autoridades estaduais ainda veem a difusão do coronavírus dentro de seus limites como “substancial”. As autoridades locais e líderes empresariais esperavam que o condado, que fica ao sul de Los Angeles, se qualificasse para inclusão no grupo 3, uma designação que indica que a região melhorou para um nível “moderado” de contágio.

O sistema do estado divide os municípios em quatro grupos, codificados por cores. O grupo 1, púrpura, indica contágio “generalizado”, e o grupo 4, amarelo, indica contágio “mínimo”. Cada grupo adota restrições específicas para cerca de 20 setores e estabelecimentos públicos, entre os quais parques, centros de entretenimento para a família, vinícolas e salões de manicure. Não existem normas específicas para os parques temáticos, o que é uma causa de frustração para o setor e para alguns legisladores.

Mark Ghaly, secretário da Agência de Saúde e Serviços Humanos da Califórnia, disse que o estado estava “bem próximo” de divulgar normas de restrições específicas para parques temáticos.

“Sabemos que diversos californianos estão aguardando ansiosamente a divulgação [das restrições específicas para parques temáticos]”, ele disse em entrevista coletiva. “Estamos trabalhando com o setor a fim de colocar em vigor regras bem pensadas”.

Subir para o grupo 3 teria permitido a reabertura de mais espaços públicos em ambiente fechado no condado de Orange, e alguns daqueles que já estão abertos poderiam ampliar sua ocupação máxima.

A Disneyland fechou as portas em março, em companhia da maioria dos estabelecimentos do ramo em todo o mundo. Mas continua a ser o único dos parques temáticos da empresa a não ter voltado a funcionar ainda que com capacidade limitada —o que inclui o Disney World, em Orlando, Flórida, que em julho começou a permitir a entrada de visitantes em número limitado. A Disney também reabriu seus parques no Japão, França e China.

A divisão da Disney que inclui parques temáticos e bens de consumo gerou mais receita do que qualquer outra unidade de negócios da empresa no ano passado, o que torna reabri-la uma prioridade para a companhia.

Nos parques da Disney que reabriram, os clientes devem se submeter a exames de temperatura ao entrar e usar máscaras, exceto quando estiverem comendo e bebendo. Os estabelecimentos estão operando com capacidade reduzida.

A Disney anunciou ter sofrido um prejuízo de US$ 4,72 bilhões nos três meses encerrados em 27 de junho, seu primeiro prejuízo trimestral em quase duas décadas. No ano anterior, a empresa teve lucro de US$ 1,13 bilhão no mesmo período.

A pandemia sobrecarregou diversas partes da companhia, cujo presidente-executivo, Bob Chapek, assumiu o comando no final de fevereiro, pouco antes que os lockdowns entrassem em vigor nos Estados Unidos e boa parte do planeta. A Disney, como outros estúdios de cinema, se viu restringida em sua capacidade de produzir e distribuir filmes. Seus navios de cruzeiro estão parados.

E sua rede de esportes ESPN passou meses preenchendo os vazios em sua programação com documentários e jogo antigos, até que os esportes profissionais retornassem. Mas a pandemia pode ter ajudado o serviço de streaming Disney+ - um foco para os investidores graças ao seu potencial de propelir o crescimento futuro. A Disney anunciou em agosto que o novo serviço havia ultrapassado a marca dos 60,5 milhões de assinantes em menos de nove meses, um número que a Netflix demorou oito anos a alcançar. As ações da Disney caíram em cerca de 1,5% na terça-feira, depois do fechamento dos mercados, quando a empresa anunciou as demissões.

A expectativa da Disney era que o Disneyland reabrisse na metade de julho, mas a empresa teve de mudar seus planos em junho, porque a Califórnia estava enfrentando dificuldades para conter a difusão do coronavírus. A companhia informou que cerca de 80 mil empregos locais dependem do parque temático. O setor de viagens e turismo foi dizimado pela pandemia, já que as viagens aéreas e a ocupação dos hotéis sofreram fortes recuos.

Na segunda-feira (28), um grupo de cerca de 20 legisladores da Califórnia enviou uma carta ao governador Gavin Newsom instando-o a permitir a reabertura dos parques temáticos, apontando que alguns espaços públicos de ambiente fechado já tinham sido autorizados a reabrir.

“Na cidade de Anaheim, o desemprego cresceu em cerca de 12% e a prefeitura pode enfrentar um rombo orçamentário de US$ 100 milhões em grande parte por conta da perda de dólares do turismo que é criado por meio do Disneyland”, disse a deputada estadual Sharon Quirk-Silva em um email ao The Wall Street Journal. Quirk-Silva, uma das signatárias da carta ao governador Newsom, representa um distrito eleitoral que é parte do condado de Orange.

Na semana passada, a Disney enviou um vídeo a jornalistas no qual apelava pela reabertura dos parques temáticos.

Em determinado momento do vídeo de 25 minutos de duração, Patrick Finnegan, vice-presidente do Disneyland Resorts, lamenta educadamente a falta de orientação do estado sobre parques temáticos, e afirma a prontidão da empresa para retomar as operações.

“Estamos prontos para abrir e esperamos receber orientação do estado em breve”, ele disse.

O prefeito e outros funcionários eleitos de Anaheim se uniram a líderes empresariais do condado de Orange no esforço de lobby para que o estado esclareça quando os parques temáticos poderão reabrir.
O condado de Orange, onde fica o parque Disneyland na Califórnia, teve um índice de positividade de Covid de 2,7% no período de 14 dias mais recente, de acordo com um site do governo estadual, ante 4,3% no condado de Orange, Flórida, que abriga o Disney World, de acordo com um site daquele condado.

A Disney recentemente retomou operações parciais no Downtown Disney, uma área comercial e de restaurantes, porque alguns espaços públicos de ambiente fechado no condado de Orange, entre os quais restaurantes, lojas e cinemas, foram autorizados a reabrir com capacidade limitada.

Entre os outros parques que continuam fechados no sul da Califórnia estão o Universal Studios Hollywood, o Knott’s Berry Farm e o Six Flags Magic Mountain.

Tradução de Paulo Migliacci

WSJ

Conteúdo licenciado pelo Wall Street Journal para publicação na Folha de S.Paulo, a responsável pela tradução para o português.

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