Descrição de chapéu Reforma tributária

Maia diz que Guedes interdita debate da reforma tributária

Deputado fez a declaração um dia após o governo desistir de enviar a segunda fase da reforma

Brasília

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou nesta terça-feira (29) o ministro Paulo Guedes (Economia) por supostamente ter interditado o debate sobre a reforma tributária.

Maia fez a declaração em uma rede social um dia após o governo desistir de enviar a segunda fase da reforma tributária, que incluiria um imposto sobre transações digitais semelhante à CPMF, por falta de consenso com líderes partidários.

“Por que Paulo Guedes interditou o debate da reforma tributária?”, escreveu Maia em sua conta no Twitter.

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia - Adriano Machado/Reuters

Na segunda-feira (28), o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), afirmou que o Planalto só deve apresentar o texto caso haja 340 votos favoráveis. “Não houve ainda um acordo com os senhores líderes sobre um texto possível e continuaremos trabalhado para que ela [reforma] possa avançar”, disse.

Na avaliação de parlamentares ligados a Maia, o presidente da Câmara respondeu a crítica feita antes pelo ministro da Economia.

Em agosto, após ser alvo de críticas por causa da ideia de apresentar uma nova CPMF, Guedes disse que Maia não poderia impedir a discussão sobre o novo imposto.

"Nem o ministro pode querer impor um imposto que a sociedade não queira, nem o relator, o presidente da Câmara, o presidente do Senado, o presidente da República pode impedir um debate sobre qualquer imposto", afirmou o ministro no mês de agosto.

Integrantes de partidos de centro queriam que agora o governo enviasse a proposta para que a discussão ocorresse no próprio Parlamento e que fosse derrubada de uma vez no lugar de desistir de apresentar o texto.

Segundo líderes a par das discussões, o próprio Bolsonaro mandou interromper de novo a perspectiva de envio do projeto depois que líderes mostraram resistência à nova CPMF.

Agora, avaliam deputados, o governo, se decidir encaminhar, só enviará a proposta após as eleições municipais.

Essa não é a primeira desavença pública entre Maia e Guedes. Na entrega da reforma administrativa, no início de setembro, o presidente da Câmara deixou evidente, em entrevista à GloboNews, que ambos não estavam conversando.

"Ele tem proibido a equipe econômica de conversar comigo. Ontem [quarta], a gente tinha um almoço com o Esteves [Colnago] e com o secretário do Tesouro para tratar do Plano Mansueto, e os secretários foram proibidos de ir à reunião", disse Maia, que afirmou ter decidido que a relação da Presidência da Câmara será com o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

"E o ministro Ramos conversa com a equipe econômica, para não criar constrangimento mais para ninguém. Mas isso não vai atrapalhar os nossos trabalhos, de forma nenhuma."

Maia disse ainda ter encerrado a interlocução com Guedes.

Ambos já tinham entrado em atrito durante a tramitação da reforma da Previdência. Após o desgaste, Maia passou a falar apenas por meio de interlocutores.

O ministro se irritou com a estratégia adotada pelo deputado e passou a cobrar de sua equipe que, caso fossem procurados pelo presidente da Câmara, encaminhassem a demanda para Guedes.

A divergência se aprofundou durante os debates sobre a reforma tributária. Maia estaria estimulando o repasse de recursos a estados e municípios, a título de compensação pelas mudanças, em detrimento da União (ponto que desagrada Guedes).

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