Poupança tem menor captação líquida desde o início da pandemia, de R$ 11,4 bilhões

Com a flexibilização do isolamento, as pessoas voltaram a consumir e sacaram mais recursos da caderneta

Brasília

Os depósitos em caderneta poupança superaram os saques em R$ 11,4 bilhões em agosto, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Banco Central.

Este é o menor valor desde a chegada do novo coronavírus no Brasil, em março.

Desde o início da crise sanitária, a caderneta tem registrado valores elevados em captação líquida (diferença entre depósitos e saques), na comparação com o restante da série.

Benefícios do governo, como saque do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), e o auxílio emergencial, podem explicar o movimento de alta nos depósitos durante a pandemia, já que são pagos por meio de conta-poupança digitais da Caixa Econômica Federal.

Gabriel Cabral/Folhapress

Em agosto, o número caiu quase 60% em relação a julho. O resultado, entretanto, ainda está em patamar superior ao observado no mês em outros anos. No mesmo período de 2019, a captação líquida foi de R$ 1,3 bilhão e, em 2018, de R$ 5,8 bilhões.

No ápice da crise, em abril, a poupança bateu recorde com captação de R$ 30,4 bilhões. O resultado foi superado em maio, com R$ 37,2 bilhões, o maior da série histórica até agora, iniciada em janeiro de 1995.

Em junho a diferença entre depósitos e saques foi de R$ 20,5 bilhões e em julho de R$ 28,1 bilhões, níveis ainda elevados na comparação com os outros anos.

O saldo total aplicado na modalidade é de R$ 986 bilhões em agosto, o maior da série.

Os brasileiros depositaram R$ 284 bilhões na poupança, pouco menos do que o registrado no mês anterior, de R$ 294 bilhões (o maior da série).

Além do menor valor em depósitos, com a flexibilização do isolamento social e a reabertura dos comércios, as pessoas voltaram a consumir e, por isso, sacaram mais recursos da poupança, o que também contribuiu para a queda da captação líquida.

No mês, os brasileiros retiraram R$ 272 bilhões da poupança, maior volume da série.

A poupança rende a Taxa Referencial (TR), hoje zerada, mais 70% da Selic, que está em 2% ao ano.

A regra prevê que, quando a taxa básica de juros estiver acima de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será 0,50% ao mês, mais TR. Caso a taxa Selic esteja menor ou igual a 8,5% ao ano, o investimento é remunerado a 70% da Selic, acrescida da TR.

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