Shoppings apostam em Semana Brasil para aumentar vendas em 15%

Adesão à campanha deve fazer pouca diferença, dado que lojas já estão em liquidação

São Paulo

A semana de promoções criada pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido) para melhorar o resultado do varejo é uma das apostas dos shoppings para recuperar o faturamento.

A expectativa é que as promoções, somadas ao feriado de 7 de setembro, garantam um aumento de 15% nas vendas.

A Semana Brasil foi criada no ano passado como uma espécie de Black Friday antecipada. Neste ano, ela ocorre entre 3 e 13 de setembro.

Segundo levantamento da Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers), cerca de 60% dos lojistas devem participar da semana de promoções. A maioria dos estabelecimentos que anunciou participação promete descontos de até 70% e a expectativa é que a data marque a retomada do varejo.

No ano passado, quando a primeira edição foi realizada, o índice calculado pela Cielo registrou alta nominal de 5,8% nas vendas do varejo, sendo que 30% desse resultado foi atribuído às negociações fechadas durante a Semana Brasil.

Tito Bessa Jr, presidente da Ablos (Associação Brasileira de Lojistas Satélites), entidade que representa pequenos e médios negócios, diz que a adesão à semana de promoção é principalmente institucional, uma vez que, diante do movimento baixo, a maioria das lojas já está com liquidações.

“Isso é muito mal planejado, não é um coisa coordenada com os pequenos”, diz.

Bessa Jr afirma que semanalmente há crescimento no movimento das lojas. “As vendas estão melhorando gradativamente com a ampliação do horário. As pessoas estão começando a se acostumar.”

A associação calcula que o faturamento das lojas menores esteja entre 50% e 55% do que foi em agosto do ano passado. A expectativa é terminar setembro com 65%.

Nabil Sahyoun, presidente da Alshop (Associação dos Lojistas de Shoppings), diz que os consumidores começam a ficar acostumados com a data, o que deve atrair movimento.

Para os lojistas, diz, é uma oportunidade de queimar o estoque de inverno. Cerca de 50% do comércio dos shoppings é de vestuário. “Se não colocar mercadoria de inverno para fora agora, isso vai ficar encalhado até o ano que vem”, afirma.

Na primeira edição, os setores de móveis, eletroeletrônicos, lojas de departamentos e vestuário foram os que tiveram os melhores resultados.

Diversos grupos anunciaram que seus shoppings estão com ações para a semana de promoções, como Ancar –dona do Eldorado, Pátio Paulista e Metrô Itaquera, em São Paulo, Conjunto Nacional, em Brasília, e Botafogo Praia, no Rio, entre outros– e Gazit, que administra o Shopping Light e o Top Center, na capital, e o Internacional, em Guarulhos.

Para o presidente da Alshop, a semana de promoções é importante para atrair o consumidor. Ele afirma, no entanto, que a ampliação do horário de funcionamento é o que tem permitido melhorar o faturamento das lojas.

Nos últimos dez dias, os centros comerciais em São Paulo estão ficando abertos por oito horas, entre 12h e 20h. Nesse período, ele afirma que o movimento aumentou de 15% a 20%.

Ainda assim, os pequenos e médios ainda não passaram de 30% do faturamento obtido antes da pandemia. Nas grandes cadeias de lojas, o aumento do período de funcionamento já está na faixa de 70%, segundo a Alshop.

Agora, os lojistas querem autorização para abrir por 10 horas por dia. Com a antecipação no horário de abertura, a Alshop espera recuperar o movimento do horário de almoço. Outro pleito do setor é a ampliação na capacidade máxima, que agora está em 40%.

Com isso, diz Nabil, as lojas menores podem chegar a 50% do faturamento.

“A gente entende que o consumidor de classe média está com dinheiro, pois deixou de viajar esse ano, então há disponibilidade para algumas compras. Mas superar o medo de sair é uma coisa lenta. Acho que mais uns dois meses e chegamos a 70%, 75% do faturamento de antes”, afirma.

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