Argentina libera Buenos Aires para os turistas de países do entorno

É preciso apresentar teste negativo de coronavírus realizado, no máximo, até 72 horas antes do embarque

Buenos Aires

Não vai ter tango. Nem ida a Bariloche ou Mendoza. Mas já dá para os brasileiros voltarem a visitar a Argentina, depois de sete meses de impedimento por causa das medidas sanitárias para combater o coronavírus.

Desde este sábado (31), o país pode ser visitado por turistas de países limítrofes: Brasil, Bolívia, Paraguai, Uruguai e Chile. Para isso, é necessário voar até o aeroporto de Ezeiza. A fronteira terrestre permanece fechada e o Aeroparque na região metropolitana de Buenos Aires está em reformas.

Chegando em Ezeiza, vai ser preciso cumprir os protocolos de distanciamento social, usar máscara e álcool gel, medir a temperatura, além de apresentar um teste de coronavírus com resultado negativo realizado, no máximo, até 72 horas antes do embarque, assim como um seguro médico de viagem que cubra casos de contaminação.

Não é preciso cumprir quarentena.

Portão de desembarque no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires
Portão de desembarque no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires - Ronaldo Schemidt - 12.mar.2020/AFP

A abertura ao turismo, por ora, é apenas para a cidade de Buenos Aires, uma vez que o trânsito entre as províncias permanece controlado, até mesmo para argentinos e residentes, que precisam de uma permissão especial para viajar de uma província para outra.

“O turismo entre Brasil e Argentina é necessário para os dois países, tem até mesmo um componente sentimental, e é por isso que, para nós, é muito importante esse retorno”, disse, em entrevista à Folha, o ministro de Turismo da Argentina, Matías Lammens.

“A cidade está preparada e feliz com o retorno dos brasileiros”, diz.

Em tempos sem pandemia, o turismo representa 10% do PIB (Produto Interno Bruto) argentino, incluindo as atividades indiretas, como gastronomia, teatro, espetáculos. O Brasil é o país de origem do maior número de turistas estrangeiros —28% do total, segundo Aldo Elías, presidente da Câmara de Turismo Argentina.

Lammens salientou que a retomada, ainda que parcial, do turismo receptivo é necessária para que o país gere mais divisas em moeda americana, e para reativar os empregos ligados a essa indústria.

Restrições impostas à compra de dólares pelo governo na semana passada tentam evitar a evasão de divisas, mas também prejudicam o ingresso de dólares. Junto com a queda das exportações e dos investimentos, as medidas complicam a retoma econômica.

“Faremos essa prova-piloto com Buenos Aires. A ideia é ir ampliando os destinos de acordo com o tempo”. Ele insiste que, embora a curva de contágios esteja alta no país, na capital ela vem em descenso, e que a ocupação de leitos de UTI está em torno de 60%.

“A capital possui os melhores hospitais do país. Se um turista precisar, terá acesso, com o seguro médico, à melhor atenção. Se o for detectado um caso leve, o protocolo será isolamento no hotel do turista por sete dias”, diz.

Um dos atrativos para os turistas é o câmbio favorável. O dólar oficial está em 83,50 pesos e o paralelo, chamado de “blue”, em 175 pesos.

“Sabemos que Buenos Aires é um destino interessante para compras e para o turismo gastronômico. Neste momento, a situação cambiária está favorável para quem vem com moeda estrangeira”, diz Lammens.

As expectativas do setor, segundo Elías, é que essa “prova-piloto seja um sucesso, pois se a situação sanitária piorar, vamos ter problemas. Se a prova-piloto vai bem, podemos pensar na reativação da indústria turística a nível nacional”.

O governo uruguaio decidiu que não haverá turistas estrangeiros em seu território neste verão, e desaconselhou que os uruguaios visitem a Argentina por questões sanitárias.

Além disso, os uruguaios que viajarem para a Argentina deverão fazer quarentena de 14 dias na volta, e apresentar um teste de coronavírus sete dias depois de seu retorno ao país.

“Cada país tem a liberdade, obviamente, de orientar seus cidadãos do modo como achar melhor. Mas sabemos que há muitos uruguaios que querem vir para fazer compras em Buenos Aires, e gostaríamos que isso ocorresse”, afirma Lammens.

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