Balança comercial tem superávit de US$ 42,4 bilhões no ano

Saldo do comércio exterior é melhor do que em 2019, mas componentes de exportação e importação deterioraram

Brasília

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 42,4 bilhões nos nove primeiros meses deste ano. Isso significa que o valor exportado pelo país superou o montante das importações. O saldo é 18,6% melhor do que o registrado no mesmo período de 2019.

Os dados apresentados nesta quinta-feira (1º) pelo Ministério da Economia mostram, no entanto, que a melhora no saldo é fruto de uma deterioração nos componentes do comércio exterior.

Na comparação com os nove primeiros meses do ano passado, o valor das importações brasileiras teve retração de 14%. Também houve queda nas exportações, de 7%.

Ministério da Economia em Brasília - Pedro Ladeira - 3.jan.2019/Folhapress

A corrente de comércio, que soma os valores vendidos e comprados, indicando o dinamismo do comércio exterior do país, recuou 10,1%.

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o ministro Paulo Guedes (Economia) aposta na balança comercial como fator que pode reduzir as perdas do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

A avaliação do ministro é que a exportação de alimentos, ponto forte do Brasil, segue em alta e segura os resultados comerciais no azul.

Entre janeiro e setembro, as exportações do setor agropecuário somaram US$ 37,6 bilhões, uma elevação de 16% na comparação com período equivalente do ano passado.

O movimento de expansão não foi observado em outras áreas. A indústria de transformação recuou 14,9% no período. No caso da indústria extrativa, que inclui minérios e petróleo, a retração nas vendas ao exterior foi de 6%.

O subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, afirmou que o volume das exportações cresceu, mas o preço dos produtos vendidos teve queda, o que puxou o indicador para baixo.

Na indústria extrativa, por exemplo, o volume exportado pelo Brasil subiu 8,7%, enquanto o valor dos produtos caiu em média 13,9%.

No recorte regional, a maior parte dos países comprou menos produtos brasileiros neste ano.

“Observamos redução para quase todos os destinos, exceto a China, um país que demanda soja, carne, minério e petróleo do Brasil”, disse Brandão.

De janeiro a setembro, houve retração de 31% das exportações para os Estados Unidos e recuo de 15% para a União Europeia. As vendas para países da América do Sul caíram quase 25%.

Para a China, no entanto, o valor da exportação registrou alta de 14%. Com o aumento, a participação dos chineses saltou para 35% de todo o valor exportado pelo Brasil. No ano passado, o patamar era de 28,7%.

Para o total de 2020, o Ministério da Economia estima que o saldo comercial vai encerrar o ano positivo em US$ 55 bilhões, uma alta de 14,4% em relação a 2019.

O superávit, pelas estimativas do governo, não será explicado por um aumento das vendas do país, mas sim por uma queda mais forte das compras feitas pelos brasileiros. A projeção aponta para uma retração de 6,5% da exportação e um recuo ainda mais intenso da importação, de 12,2%.​

Apenas em setembro, o superávit foi de US$ 6,2 bilhões, o maior valor para o mês da série histórica, iniciada em 1989, e 62,1% superior a setembro de 2019.

Analistas projetavam superávit de US$ 7,1 bilhões, segundo pesquisa da Reuters.

Enquanto as exportações somaram US$ 18,5 bilhões no mês, queda de 9,1% frente a setembro de 2019, as importações alcançaram US$ 12,3 bilhões, retração de 25,5%.

A corrente de comércio em setembro caiu 16,4%.

O mês foi marcado por um aumento de 3,2% nas exportações da agropecuária e de 9,2% na indústria extrativa, sempre pela média diária sobre o mesmo mês de 2019.

Por outro lado, os embarques na indústria de transformação caíram 18,7%.

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