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Escritórios mais seguros para funcionários também rendem dinheiro

Empresas remodelam locais de trabalho com aplicativos de rastreamento, portas sem toque e divisórias repletas de plantas

Washington | The Wall Street Journal

Trazer os funcionários de volta ao trabalho pode representar um grande negócio para designers, engenheiros e empresas de software que vendem produtos criados para aumentar a segurança em escritórios e aliviar as preocupações dos trabalhadores durante a pandemia.

Suas soluções vão muito além das placas de acrílico e desinfetantes para as mãos. Aplicativos para orientar o tráfego no escritório, sensores que detectam quando chamar o pessoal da limpeza, tinta antigermes e divisórias enfeitadas com plantas estão entre a crescente variedade de produtos e serviços que pretendem criar locais de trabalho à prova de vírus.

O potencial desse mercado permanece nebuloso, apenas por causa da variedade de fornecedores possíveis, que vão de gigantes da engenharia a empresas de design e startups do Vale do Silício. Mas essas empresas esperam que, à medida que os empregadores se adaptem à vida com o novo coronavírus, haja uma demanda sustentada.

Escritório da P&G adotou diversas dessas mudanças para receber seus funcionários - Gabriel Cabral - 10.ago.2020/Folhapress

Alguns produtos são dirigidos a necessidades imediatas, nos lugares onde os trabalhadores já estão retornando. Outros são soluções de longo prazo. Mas as empresas envolvidas nesse mercado dizem acreditar que a Covid-19 forçará uma reavaliação permanente do funcionamento dos escritórios.

"Não há como voltar para antes do corona", disse Ingo Hartlief, presidente-executivo da Demire-Deutsche Mittelstand Real Estate, que possui 84 edifícios comerciais em toda a Alemanha. "Teremos que oferecer serviços adicionais."

Um setor que respondeu rapidamente é o mercado de construção inteligente, onde a Honeywell International, a Schneider Electric da França, a Siemens da Alemanha e outras oferecem aplicativos, sensores, software e outros produtos para controlar qualquer coisa, desde a qualidade do ar até a frequência de limpeza e a ocupação do escritório.

A Siemens, como muitas grandes corporações, planeja permitir um trabalho mais remoto no futuro. Em julho, disse que cerca de 140 mil funcionários em 43 países poderiam trabalhar permanentemente em casa dois a três dias por semana.

Ao mesmo tempo, o ramo de tecnologia da construção da empresa está promovendo ferramentas para ajudar os escritórios a retornar, como o Comfy, aplicativo que pode monitorar a ocupação do escritório, permitir que os funcionários reservem mesas ou salas de reunião e distribuir as últimas diretrizes locais de saúde.

Antes da pandemia, as empresas usavam o Comfy para melhorar a produtividade e a felicidade dos funcionários no trabalho, disse Elisa Rönkä, chefe de desenvolvimento de mercado digital na Europa da Siemens Smart Infrastructure. Agora, eles o estão usando para ajudar os funcionários a se sentirem mais seguros, afirmou.

"Há uma aceleração do interesse pelo aplicativo e uma aceleração no prazo em que os clientes desejam implantar essa tecnologia", disse Rönkä.

A Siemens e outro grupo de engenharia alemão, o Robert Bosch, estão comercializando sensores como ferramentas para monitorar o distanciamento social ou solicitar serviços de limpeza. A Enlighted, fabricante de tecnologia de construção do Vale do Silício adquirida pela Siemens em 2018, lançou um aplicativo de rastreamento para empresas em julho. O aplicativo envia alertas aos usuários quando eles entram em contato com um colega que contraiu a Covid-19.

Amar Goel, presidente da empresa de publicidade digital PubMatic, teve uma ideia semelhante com o Safeter, aplicativo para que os empregadores enviem questionários de saúde aos funcionários ou escalonem as chegadas nos escritórios para evitar congestionamentos em corredores ou elevadores externos. O aplicativo de Goel tem uma versão gratuita, enquanto uma com recursos de agendamento de chegada, partida ou reunião custa US$ 5 por funcionário por mês.

A Gainsight, uma das primeiras a adotar o Safeter, disse que está ajudando a garantir a segurança dos funcionários durante a reabertura da empresa de software com sede em San Francisco, que foi muito mais complexa do que se esperava, segundo o presidente-executivo, Nick Mehta, em um comunicado sobre o lançamento do aplicativo.

Charles Reed Anderson, consultor de tecnologia de propriedade baseado em Singapura, disse que os produtos para a pandemia estão proliferando, e citou como exemplo os aplicativos de leitura de temperatura. "Todas as startups que acompanho estão parando de repente o que faziam e criando soluções para a Covid."

O risco, disse ele, é que os proprietários de edifícios se encontrem com ainda mais plataformas de tecnologia diferentes para gerenciar em um mercado já fragmentado.

A adoção de algumas das ferramentas dependerá da velocidade de retorno ao local de trabalho, da rapidez com que a vacina seja disponibilizada e da importância do trabalho remoto no futuro. Na Alemanha, França, Itália e Espanha, mais de 70% dos trabalhadores de escritório haviam retornado ao trabalho em meados de julho, mas apenas 34% no Reino Unido, de acordo com uma pesquisa do Morgan Stanley com 12.500 pessoas. Nos Estados Unidos, muitas empresas adiaram recentemente a mudança, com algumas, incluindo Facebook e Twitter, permitindo o trabalho remoto em um futuro previsível.

Muitas empresas esperam que trabalhar em casa se torne uma opção permanente, mas não está claro como isso afetaria a demanda por espaço para escritórios. Alguns executivos do setor imobiliário dizem que a demanda pode até aumentar, já que o distanciamento social requer mais espaço por funcionário. Outros temem que uma recessão global, não apenas o vírus, force as empresas a reduzir o espaço.

De qualquer maneira, disse Zach Vaughan, chefe de imóveis na Europa da Brookfield Asset Management, "a tarefa crítica que os empregadores têm é gerar confiança entre seus funcionários de que os escritórios são seguros".

Vaughan disse que a empresa canadense com cerca de US$ 203 bilhões em ativos imobiliários sob gestão está acelerando os investimentos em segurança de construção, em particular na filtragem do ar e em maneiras de minimizar a transmissão do vírus pelo toque.

Liviu Tudor, um desenvolvedor imobiliário europeu e presidente do grupo de lobby European Property Federation, investiu mais de US$ 1 milhão por meio de sua empresa na criação de um novo padrão para certificar edifícios conforme seu nível de resiliência à pandemia.

Ele montou uma equipe de 20 especialistas em saúde, tecnologia, imóveis e engenharia para compilar uma lista de mais de cem recursos —parcialmente inspirados por tecnologias usadas em hospitais— que poderiam receber tal certificação.

Tudor está testando os recursos com a empresa de telecomunicações sueca Ericsson, que aluga um prédio de escritórios em Bucareste da Genesis Property, empresa que ele dirige. O escritório agora inclui recursos como pintura antimicrobiana, sistemas de desinfecção por luz ultravioleta, banheiros com autolimpeza e uma sala de quarentena caso alguém apresente sintomas repentinos ou teste positivo, com o proprietário e o inquilino dividindo os custos.

No futuro, diz Tudor, caberá aos proprietários de edifícios investir para tornar os escritórios mais seguros. Ele estima que essas melhorias acrescentariam 2% ao custo atual de um edifício —investimento que aumentaria o valor da propriedade, segundo ele.

Tradução Luiz Roberto M. Gonçalves

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