Líderes partidários duvidam que reformas sejam aprovadas em 2020, indica pesquisa

Levantamento com 54 das 220 lideranças no Congresso mostra que maioria acha que imposto digital pode passar

Rio de Janeiro

Antes programada para este ano, a votação das reformas tributária e administrativa –bem como a aprovação da PEC do pacto federativo– ficará para 2021. Já a criação do imposto sobre as transações digitais será aprovada, em pelo menos uma das duas Casas do Legislativo, ainda em 2020.

Essa é a projeção de líderes e vice-líderes partidários, segundo pesquisa encomendada pela Necton Investimentos. O estudo revela que apenas 10,4% das lideranças partidárias dizem acreditar que, em 2020, a reforma administrativa será aprovada em ao menos em uma das Casas do Congresso. Outros 86,4% responderam não acreditar que a votação ocorra ainda neste ano.

A descrença é ainda maior entre as lideranças de partidos de oposição. Apenas 5,3% afirmaram que a reforma administrativa seria levada a votação em uma das Casas em 2020, segundo a pesquisa.

Realizado em parceria com a Vector Relações Governamentais, o levantamento ouviu 54 dos 220 líderes e vice-líderes partidários, sendo 39 da Câmara dos Deputados e 15 do Senado.

Entrevistados entre os dias 5 e 9 de outubro, esses parlamentares lançaram dúvidas sobre as chances de aprovação da reforma tributária ainda este ano. Segundo a pesquisa, 75,2% das lideranças partidárias não acreditam na sua aprovação em 2020.

Essa percepção foi sedimentada em apenas um mês, já que, em setembro, 48,4% dos entrevistados ainda afirmavam que até o final do ano a reforma seria aprovada na Câmara ou no Senado. Em agosto, 64,4% apostavam nessa aprovação. Hoje, esse índice é de somente 23,8%.

De acordo com a pesquisa, a oposição (94,7%) está convencida de que a reforma tributária não será votada até dezembro. Mas essa também é a constatação de 71,4% dos líderes dos demais partidos.

Economista-chefe da Necton, Andre Perfeito afirma que o mercado vai se decepcionar fortemente com a perspectiva de adiamento das reformas. Para ele, esse resultado é surpreendente.

Ainda de acordo com a pesquisa, apenas 18,4% das lideranças afirmam que a proposta de emenda constitucional sobre o novo pacto federativo já estará aprovada em uma das Casas legislativas até o fim do ano.

Para o levantamento Necton/Vector Barômetro Congresso Nacional, 24 partidos com assento no Congresso são agrupados em duas categorias: oposicionistas e independentes.

No grupo de oposição ao governo de Jair Bolsonaro, foram incluídos PT, PSOL, PSB, PV, Rede, PDT e PC do B. Os demais foram classificados como independentes. Um terço dos entrevistados se definiram como independentes; outro terço se disse de oposição, enquanto 31,5% afirmaram integrar a base governista.
Para 66% dos entrevistados, a agenda econômica do governo está correta. Outros 29,2% disseram discordar dela.

Pouco mais da metade dos entrevistados, 51,7%, disse acreditar na aprovação de um novo imposto digital, em pelo menos uma das Casas, ainda neste ano. Essa crença é maior entre as lideranças dos partidos de oposição, 52,6%.

Para 57% das lideranças partidárias, a proposta de criação do programa Renda Cidadã, substituto do Bolsa Família, estará aprovada até o final do ano em pelo menos uma das Casas. Essa é a expectativa de 60% dos parlamentares classificados como independentes, incluída aqui a base de apoio a Bolsonaro.

Já a oposição está dividida sobre a aprovação da proposta antes do final do ano. Para 42,1%, ela não será aprovada ainda em 2020. Outros 41,2% responderam que sim, enquanto 15,8% dos líderes e vice-líderes de partidos de oposição disseram não saber.

Questionados, 74,9% dos entrevistados afirmaram que o Renda Cidadã não justifica o rompimento do teto que limita os gastos do governo. Os parlamentares de oposição divergem dessa opinião: para 78,9% das lideranças que se opõem a Bolsonaro, o programa é justificativa para revisão dos limites fixados para despesas públicas.

A maioria dos entrevistados –83,8%– afirma concordar que “sem disciplina fiscal, não é possível recuperar o crescimento econômico”. A maioria da oposição (57,9%) discorda.

A pesquisa mostra que, entre os congressistas, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é mais bem avaliado que o ministro da Economia, Paulo Guedes.

De 1 a 10, a nota média atribuída ao trabalho de Campos Neto é de 6,5. A de Guedes é de 5,4. Entre os líderes e vice-líderes, 86,4% afirmaram acreditar na privatização de estatais até o fim do governo Bolsonaro: 22,2% apostaram nos Correios e na Eletrobras.

Os números serão detalhados nesta quinta-feira (15) aos clientes da corretora.


10,4%
dos líderes entrevistados dizem acreditar que a reforma administrativa será aprovada em ao menos uma Casa do Congresso

75,4%
deles não acreditam na aprovação da refora tributária ainda neste ano

18,4%
afirmam que a PEC do Pacto Federativo estará aprovada em uma das Casas até o final deste ano

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