Descrição de chapéu The Wall Street Journal

PIB dos EUA cresce 7,4% no 3º trimestre, acima do esperado

Apesar de forte recuperação, economia americana deve fechar o ano com contração em relação a 2019

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The Wall Street Journal

A economia dos Estados Unidos cresceu em ritmo recorde no terceiro trimestre —com expansão de 7,4% em relação ao trimestre anterior ou 33,1% em termos anualizados—, recuperando cerca de dois terços do terreno perdido anteriormente durante a pandemia do coronavírus.

Foi o maior crescimento para o período desde o início da série em 1947.

Após o declínio recorde sofrido no início da pandemia, houve forte expansão do PIB (Produto Interno Bruto, valor de todos os bens e serviços produzidos na economia.

A alta do terceiro trimestre se seguiu a uma queda de 9% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a uma queda anualizada de 31,4%.

Os analistas antecipam que a economia deva continuar a se expandir no quarto trimestre, ainda que mais lentamente. A avaliação é que a pandemia continua a desorganizar a vida cotidiana e o comércio, com um ritmo de contágio de dezenas de milhares por dia.

Analistas projetam que a economia vai terminar 2020 em contração quando comparada ao desempenho de 2019, mas que crescerá em 2021.

O relatório do Departamento do Comércio oferece o último retrato quantitativo da economia antes da eleição presidencial da terça-feira (3). Tanto o presidente Donald Trump quanto o candidato democrata Joe Biden prometeram criar milhões de empregos e curar a economia.

"Esse é o trimestre que captura a reabertura da economia", diz Tim Quinlan, economista da Wells Fargo Securities. "Ainda estamos bem longe de poder dizer que a crise acabou e a economia está bem".

O PIB dos EUA normalmente é reportado em termos anuais, como se o ritmo aferido em um dado trimestre se mantivesse por todo o ano. Mas a pandemia deflagrou oscilações extremas na produção (queda severa seguida por uma rápida recuperação), o que torna os números anualizados enganosos. Ninguém antecipa que os números registrados no segundo ou no terceiro trimestre continuem.

A expectativa é de que a recuperação se desacelere no quarto trimestre, com o fim do efeito passageiro da reabertura e das medidas de estímulo do governo, e a expectativa é de que o desemprego se mantenha elevado no inverno deste ano (de dezembro a março, no hemisfério norte).

A pesquisa do The Wall Street Journal com economistas em outubro determinou que mais de metade deles não antecipam que o PIB volte ao seu patamar anterior à pandemia antes do ano que vem, e que a economia sofrerá uma contração de 3,6% neste ano, se comparada aos números do quarto trimestre do ano passado.

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego, que indicam o número de demitidos no período, caíram em 40 mil, para 751 mil, na semana até 24 de outubro, anunciou o Departamento do Trabalho.

Foi o menor nível de pedidos desde março, mês em que a pandemia causou a paralisação de boa parte das atividades de negócios no país.

Até setembro, os EUA haviam recuperado cerca de metade dos 22 milhões de empregos perdidos em março e abril, no início da pandemia.

"Tivemos muito progresso em um período relativamente curto", diz Stephen Stanley, economista da corretora Amherst Pierpont Securities. Ele antecipa que no terceiro trimestre os EUA possam ter recuperado cerca de dois terços da produção perdida por causa da pandemia.

Ainda assim, "a ideia de que alguns sairão ganhando e alguns sairão perdendo certamente procede", afirma, apontando para setores econômicos —e categorias de trabalhadores— que continuam a enfrentar os efeitos da pandemia, como restaurantes e empresas do setor de serviços.

Dados recentes do setor privado demonstram que o consumo continua abaixo do nível registrado no ano passado, puxado pelos gastos menores com serviços pessoais, tais como viagens, entretenimento e restaurantes.

O índice de transações com cartões de crédito e débito mantido pelo banco JPMorgan Chase aponta para gastos 5,1% mais baixos do que os do período em 2019, para a semana encerrada em 24 de outubro.

O consumo, que responde por mais de dois terços da atividade econômica nos EUA, cresceu em 40,7% no terceiro trimestre, o que estimulou o crescimento da economia.

Os gastos com bens de consumo duráveis foram especialmente fortes. O relatório mostra que o ritmo de gastos dos consumidores com bens duráveis subiu em 82,2% no trimestre, sinal de que as pessoas estão gastando mais com itens de consumo discricionário, como veículos e equipamento de recreação.

Os gastos com serviços foram sufocados pela pandemia no começo do ano, mas também subiram acentuadamente agora, com as pessoas retomando visitas a profissionais de saúde, refeições em restaurantes e viagens.

Os consumidores, especialmente nos domicílios de renda mais elevada, adquiriram móveis, carros, computadores e equipamento de fitness —já que muita gente está trabalhando em casa e saindo menos, por causa da pandemia.

O setor de habitação também se expandiu, graças aos baixos juros hipotecários e à demanda por maior espaço residencial. O investimento residencial fixo (gastos com a construção e reformas) cresceu 59,3% no trimestre.

O investimento empresarial se recuperou. O investimento fixo não residencial —que reflete os gastos de empresas com software, pesquisa e desenvolvimento, equipamento e estruturas— subiu em ritmo anualizado de 20,3%.

Os gastos com equipamentos tiveram forte alta, ainda que os com estruturas (categoria com dificuldades) e imóveis comerciais tenham caído em ritmo anualizado de 14,6%.

WSJ

Conteúdo licenciado pelo Wall Street Journal para publicação na Folha de S.Paulo

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