WhatsApp quer permitir que empresas façam vendas direto no aplicativo

Além de catálogo de produtos, compras poderão ser finalizadas direto na mensagem do consumidor

São Paulo

O WhatsApp quer permitir que empresas façam vendas direto pelo aplicativo.

O serviço, ainda em fase de testes, prevê que as companhias montem catálogos e que o consumidor escolha o produto e pague pelo próprio aplicativo, de modo que a venda seja concluída diretamente na conversa entre empresa e cliente.

Esse sistema deve começar no ano que vem, para pequenos negócios (WhatsApp Business app).

O diretor de operações do WhatsApp, Matthew Idema, afirma que o uso de apps de mensagens se intensificou na pandemia.

“A maioria das pessoas prefere fazer resolver tudo por mensagens e isso faz sentido, já que com o trabalho remoto, ninguém quer mais esperar a resposta de um email ou fazer um contato na linha telefônica. Mensagens são mais rápidas e dinâmicas”, disse ele em entrevista a jornalistas nesta terça-feira (20).

Silhuetas pretas usando celulares e notebooks param na frente de uma tela onde o logo do WhatsApp está projetado em verde
WhatsApp que oferecer serviços entregados para pequenos e médios negócios - Dado Ruvic/Reuters

Em abril –quando o trabalho remoto começou a se tornar mais popular no mundo– o app entregou mais de 100 bilhões de mensagens. Segundo Idema, também houve aumento significativo no volume de ligações e chamadas de vídeo.

A empresa espera integrar o novo serviço aos pagamentos no WhatsApp –popularmente conhecido por WhatsApp Pay. A iniciativa foi trazida ao Brasil pelo aplicativo de mensagens em junho, mas ainda aguarda aprovação do Banco Central.

A proposta dos pagamentos no WhatsApp é a de trazer transferências gratuitas entre pessoas e de permitir pagamentos de compras a comerciantes no débito e no crédito —que pagariam cerca de 3,99% por venda. Na época em que anunciou a novidade, o WhatsApp afirmou que naõ terá lucro com as taxas cobradas sobre as transações.

O sistema foi desenvolvido com parceiros iniciais como as bandeiras Visa e Mastercard, Banco do Brasil, Sicredi e Nubank. Toda a operação seria feita pela Cielo, empresa de maquininhas de cartão, que tem como principais acionistas BB e Bradesco.

A iniciativa dos pagamentos no WhatsApp é bem semelhante à do Pix, novo sistema de pagamentos instantâneos do BC que chega ao país em novembro —situação que levantou questionamentos no mercado quando a autoridade monetária e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), menos de dez dias depois do anúncio do aplicativo de mensagens, barraram o acordo.

Em setembro, o BC chegou a se pronunciar e afirmou que a decisão de suspender o serviço de pagamentos do WhatsApp não teve o objetivo de proteger o Pix ou os grandes bancos. Nos bastidores, no entanto, as empresas continuaram a reclamar que o regulador teria agido em defesa de sua própria ferramenta.

Desde o bloqueio, executivos do WhatsApp e do Facebook (dono do app) vêm realizando diversas reuniões com a autoridade monetária.

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já se manifestou em algumas ocasiões, afirmando que o BC não teria proibido a funcionalidade de pagamentos no WhatsApp e que estariam trabalhando para que o novo modelo consiga operar o mais rápido possível. A iniciativa, no entanto, ainda aguarda o aval do BC.

Além disso, nesta quinta-feira (22), o BC regulamentou os iniciadores de transação de pagamento, uma nova modalidade de empresas que atuarão no sistema de pagamentos. O WhatsApp Pay, segundo o BC, se encaixaria nesta categoria.

As companhais que atuarem na nova modalidade iniciarão uma transação de pagamento ordenada pelo usuário final, sem participar do fluxo financeiro —ou seja, a conta de depósito ou de pagamento será comandada por uma instituição não detentora da conta em si. O BC, no entanto, não confirmou se o serviço de pagamentos no WhatsApp entrará na categoria.

Outro serviço a ser oferecido pelo WhatsApp nos próximos meses é a possibilidade de gerenciamento de mensagens por meio de serviços de hospedagem (APIs) que serão fornecidos pelo Facebook (dono do app).

Ainda segundo Idema, esse produto vai permitir a integração entre WhatsApp, Instagram e Facebook e o gerenciamento de vendas por meio dessas redes sociais.

O WhatsApp, afirma o executivo, só irá cobrar pelas mensagens enviadas por meio do API, normalmente em volume maior e usadas por empresas para mandar notificações, códigos de autenticação ou outras informações.

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