Descrição de chapéu racismo

Doze fornecedores do Carrefour anunciam aliança em defesa da diversidade racial

Empresas como Coca-Cola, BRF e Nestlé fazem parte do grupo; Ambev e P&G se manifestaram individualmente sobre o tema

Brasília

Doze grandes empresas do segmento de consumo, todas fornecedoras da rede de supermercados Carrefour, anunciaram nesta segunda-feira (23) um compromisso público em defesa da igualdade racial. Estão representadas nessa nova aliança, ainda sem nome, grandes marcas: BRF, que integra Sadia e Perdigão, Coca-Cola, Danone, General Mills, Heineken, JBS, Kellogg’s, L’oréal, Mars, Mondeléz, Nestlé e Pepsico.

No documento, as companhias se solidarizam com a dor de familiares e amigos de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, assassinado por dois seguranças da rede de supermercados Carrefour em uma unidade localizada em Porto Alegre. Em carta conjunta, elas afirmam que irão criar um plano de ação em parceria com organizações e especialistas com conhecimento legítimo da causa racial.

Embora falem em fortalecimento do compromisso com “ações concretas para combater o racismo estrutural”, as empresas não apresentam um prazo para a implantação de uma agenda ou alguma medida efetiva em relação ao Carrefour.

“Criaremos um plano de ação em parceria com organizações e especialistas que possuem conhecimento legítimo dessa causa. Tornaremos o documento público o mais rápido possível —e prestaremos contas regularmente”, afirmam em nota.

Fachada do supermercado Carrefour em Porto Alegre
Unidade do Carrefour de Porto Alegre reabre nesta segunda-feira (23), após cliente ser agredido até a morte na quinta-feira (19) - Luciano Nagel - 23.nov.20/Folhapress

O presidente da Coca-Cola na América Latina, Henrique Braun, publicou em rede social que a morte de Beto Freitas chocou a todos e que “não há lugar para o racismo no mundo”.

“Não podemos permitir que mais casos como esse voltem a acontecer. Mas o que fazer? Essa pergunta motivou a reunião de 11 empresas de bens de consumo. Criamos uma coalizão e vamos estabelecer um plano de ação concreto, elaborado junto a entidades com conhecimento legítimo da causa”, afirmou.

A Pepsico, signatária da iniciativa, afirma que pretende atuar de forma propositiva em ações estruturais para que episódios como o do Carrefour não se repitam na cadeia de valor.

“Repudiamos todas as formas de violência, intolerância e discriminação”, disse em nota.

A JBS, maior companhia de carne bovina do mundo, afirmou em nota que não tolera qualquer forma de discriminação ou violência e ofereceu condolências à família e amigos de Alberto Freitas.

“Acreditamos que o setor produtivo e a sociedade devem atuar em conjunto para derrotar toda forma de discriminação ou violência. Na JBS, estamos reforçando medidas para promover uma sociedade mais justa e inclusiva”.

Em nota, a General Mills afirmou que não há mais tolerância para práticas ou atitudes, de quaisquer natureza, que discriminem ou vitimizem pessoas pretas no Brasil e no mundo.

"A necessidade de avançarmos em políticas de inclusão e, sobretudo, de preservação da vida dos pretos e pretas é uma responsabilidade urgente de todos nós, e temos uma longa jornada pela frente. Reconhecer este fato é apenas o primeiro passo".

Empresas que não são signatárias desse compromisso conjunto também se manifestaram sobre a morte de Alberto Freitas. No sábado (21), a Ambev disse por meio de comunicado nas redes sociais que “não tolera qualquer ato de racismo ou violência”.

“Convocamos, hoje mesmo, o Carrefour e pedimos medidas imediatas e efetivas. Temos o compromisso inegociável de promover a equidade racial em todo o nosso ecossistema, o que inclui os nossos parceiros, clientes e fornecedores e estamos prontos para trabalhar junto com eles para promover mudanças estruturais com urgência”, diz o comunicado.

Em nota, a P&G afirma que não tolera qualquer ato de racismo ou violência. A empresa diz ainda que seu comprometimento com a diversidade e inclusão étnico-racial inclui ações em relação a colaboradores, compromisso com a comunidade e parceiros de negócios.

“Acreditamos que a justiça precisa ser aplicada”, afirma em posicionamento. “Nossas iniciativas já incluíam nossos parceiros varejistas, porém, hoje, vemos que devemos e podemos fazer ainda mais. Estamos comprometidos a liderar todas as ações que se farão necessárias, revisitando protocolos e afinando medidas para sermos mais efetivos e mais rápidos na luta contra o racismo”, complementa.

Perguntada se iria se posicionar sobre o caso do Carrefour, a Unilever afirmou em nota que “é preciso acelerar uma transformação estrutural de forma conjunta. Acreditamos na educação, no debate e na ação como ferramentas para promover as mudanças necessárias para combater o racismo estrutural.”

A empresa Cornershop, que realiza entregas para o Carrefour por meio dos aplicativos Uber e Uber Eats, afirmou que condena veementemente o racismo e qualquer tipo de violência.

“Nossos corações estão com a família do João Alberto. Esse trágico evento serviu de alerta para uma discussão interna sobre o que precisa ser feito para combater o racismo estrutural e evitar que eventos perturbadores como esse voltem a acontecer”, disse em comunicado.

Na semana passada, o Carrefour Brasil divulgou nas redes sociais a realização da Semana da Diversidade Racial. Na quinta-feira (19), data do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, a empresa realizou um webinar sobre diversidade e equidade no ambiente de trabalho com representantes da diretoria de compliance do Carrefour Brasil e da Revista Raça.

No sábado (21), a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, que reúne 73 organizações signatárias, informou que desligou o Carrefour da lista de empresas parceiras.

Até a tarde de domingo (22), a Coalizão Negra por Direitos reuniu 14,3 mil assinaturas em apoio a um boicote contra o Carrefour.

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