Empresários brasileiros celebram eleição de Biden nos EUA e falam em freio de arrumação

Posição de Bolsonaro não deve atrapalhar relações comerciais entre os países, afirmam

São Paulo

Empresários brasileiros estão animados com a eleição do democrata Joe Biden para presidente do Estados Unidos.

Pedro Passos, o fundador da Natura e copresidente do conselho de administração da empresa, chamou o resultado das eleições americanas de excelente notícia.

“Traz alegria e confiança no futuro. E traz a certeza que daqui pra frente a agenda muda na direção de um mundo mais cooperativo e multilateral e que vai ter condições de enfrentar os temas transversais, como a crise sanitária”, disse o empresário.

Horácio Lafer Piva, acionista e membro do conselho de administração da Klabin, diz que a vitória é fundamental do ponto de vista do exemplo político e do reequilíbrio dos efeitos do poderio econômico dos EUA no mundo.

Cartaz do democrata Joe Biden em comemoração em Washington, Estados Unidos - Andrew Caballero-Reynolds/AFP

“Biden significará mudanças internas nos EUA, e pela sua importância, um freio de arrumação importante em assuntos globais”, afirma.

Luiza Helena Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, diz que o mundo precisa de união. "O único inimigo que temos é um vírus, e com ele não temos diálogo. E ele está aí , muito forte. A união, o diálogo que conecta, a sabedoria de aceitar e entender o outro é a alternativa. Muito feliz de uma mulher e negra ocupar um cargo de tanta relevância para mundo", escreveu ela em seu perfil no Linkedin.

José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), comemora o fato de Biden ter sido eleito em meio a pandemia do novo coronavírus.

“A eleição veio em um bom momento porque é uma boa oportunidade. Precisávamos de entendimento, negociação, a gente parar essa polarização que está acontecendo no mundo e colocar foco no que é mais importante”, diz Roriz.

Já Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq (Associação Brasileira de Brinquedos), chama a atenção para as mudanças necessárias para o Brasil. “O Brasil vai precisar se refazer, se reconstruir para se relacionar com o modelo Biden.”

Para ele, com a vitória do democrata o ambiente empresarial adquire de novo um papel mais protagonista nas negociações entre os países.

Piva, da Klabin, afirma que o momento exige atenção. “Há de se prestar atenção se as desastradas relações que criamos tomando partido trarão efeitos, que leitura fará de nosso compromisso com a sustentabilidade, e do ponto de vista geoeconômico, se pode haver reposicionamento de comércio, em especial com a China, que possa nos causar alguma perda de espaço.”

Ele diz ainda que a eleição de Biden deveria ser entendida como um sinal para o presidente Jair Bolsonaro. “Do que é afinal relevância e de como agir nestes novos tempos.”

Para o acionista da Klabin, a posição declarada de Bolsonaro pró Donald não deve fazer muita diferença.

“Apesar de toda maneira boba e leviana do presidente declarando torcida, não vai fazer diferença. Acredito que a maneira do Biden devolver esse constrangimento que o Bolsonaro achou que tava estava criando vai ser mostrando que não tem constrangimento.”

É consenso entre eles que as relações comerciais brasileiras seguirão mais importante, acima das oposições políticas. "O Brasil precisa voltar a ter uma diplomacia independente, que negocia vendo os interesses do país", diz Pedro Passos, da Natura.

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