Fim de acordo de acionistas pode pulverizar capital da Vale

Fundos que controlam empresa já podem vender participação na companhia

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São Paulo

A partir desta terça-feira (10), a Vale deixou de ter um bloco de controle obrigatório e ficou mais próxima de se tornar uma corporação plena, ou seja, uma companhia desvinculada de seus acionistas, com um conselho e decisões mais independentes.

Expirou na segunda (9) o acordo de acionistas da Vale vigente entre Litela e Litel —que reúnem fundos de pensão estatais—, Bradespar (braço do Bradesco que investe em empresas não financeiras), Mitsui (um dos maiores conglomerados japoneses), e BNDESPar (braço de participações do BNDES).

Pilha de minério de ferro, na mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, Minas Gerais
Pilha de minério de ferro, na mina Gongo Soco, em Barão de Cocais, Minas Gerais; companhia fica mais perto de ter capital pulverizado - Agência Vale

Agora, estas empresas podem vender os 20,6% de suas participações na companhia que estavam bloqueados. No total, as ações destas empresas somam 25,81% do capital da Vale, que, segundo a cotação do papel nesta terça (R$ 63,16), soma R$ 86 bilhões. No total, a companhia vale R$ 334 bilhões.

O objetivo da mineradora é reduzir os riscos de ingerência política na gestão —o governo pode exercer influência na companhia por meio dos fundos de pensão estatais e do BNDESPar.

“Para os próximos anos, a liderança da Vale terá o desafio de continuar a criação de valor sustentável e a transformação cultural em toda a companhia, confiante no caminho que a levará a se tornar uma das empresas mais seguras e confiáveis do setor de mineração”, disse a Vale em comunicado ao mercado.

O acordo foi assinado em 14 de agosto de 2017 com prazo de três anos, sem previsão de renovação, para incorporar as ações preferenciais (sem direito a voto) da mineradora nas ordinárias (com direito a voto) e adentrar o Novo Mercado, segmento de governança mais rígida da Bolsa de Valores brasileira.

Na época, a Vale aprovou sua reestruturação da governança corporativa, na qual a Valepar, formada por Litel, Bradespar, BNDESPar e Mitsui, foi extinta e a participação dessas empresas na mineradora se deu por ações diretas.

A Valepar foi criada na privatização da Vale, em 1997, em um acordo que venceu em maio de 2017, dando origem, por sua vez, ao acordo de acionistas que se expirou nesta terça, no fim do período de transição.

Pelo acordo, um investidor só poderá ter 25% do capital da Vale. Quem quiser ter mais precisará fazer uma oferta para comprar a fatia de todos os demais acionistas.

A mudança na estrutura da Vale resolve um problema para os fundos de pensão de Litel e Litela, que estiveram às voltas com rombos bilionários e agora podem vender ações a qualquer tempo na Bolsa.

Segundo analistas do mercado, porém, os fundos não devem se desfazer dos papéis tão cedo e veem uma saída apenas do BNDES, que já demonstrou interesse no desinvestimento.

"Para os fundos, o movimento pode vir a ser natural, ocorrendo na forma de giro de carteira fundos e de forma fracionada. No BNDES, acreditamos num movimento possivelmente mais drástico, mas certamente ocorrendo numa janela de preços favorável para sua execução”, diz relatório da Ativa Investimentos.

A corretora não vê uma pressão baixista no preço das ações da Vale com as saídas dos principais acionistas e acredita que a distribuição de dividendos da mineradora pode retê-los.

Neste ano, a companhia aprovou a distribuição de R$ 7,2 bilhões em juros sobre o capital próprio e R$ 5,1 bilhões em dividendos.

PARTICIPAÇÕES NA VALE

  • Litela: 9,84% (R$ 32,8 bilhões)
  • Bradespar: 5,56% (R$ 18,5 bilhões)
  • Mitsui: 5,42% (R$ 18 bilhões)
  • BNDESPar: 3,57% (R$ 11,9 bilhões)
  • Litel: 1,42% (R$ 4,7 bilhões)
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