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Huawei planeja fábrica de chips para superar sanções dos EUA

Unidade seria uma nova fonte potencial de semicondutores; fábrica fará inicialmente experiências com a produção de chips de baixo custo

Taipei, Pequim e Shenzen (China) | Financial Times

A Huawei está trabalhando nos planos de uma fábrica de chips dedicada em Xangai (China) que não usaria tecnologia americana, permitindo-lhe garantir o suprimento para seus principais negócios de infraestrutura de telecomunicações, apesar das sanções dos Estados Unidos.

Duas pessoas informadas sobre o projeto disseram que a fábrica seria administrada por um parceiro, o Shanghai IC R&D Center, empresa de pesquisa de chips apoiada pelo governo municipal de Xangai.

Especialistas da indústria disseram que o projeto poderá ajudar a Huawei, que não tem experiência na fabricação de chips, a traçar uma rota de sobrevivência em longo prazo.

Huawei quer fazer chips de 28nm mais avançados até o final do próximo ano
Huawei quer fazer chips de 28nm mais avançados até o final do próximo ano - Gonzalo Fuentes/Reuters

Os controles de exportação dos EUA impostos em maio e endurecidos em agosto alavancam o domínio das empresas americanas em certos equipamentos de fabricação de chips e software de design de chips para bloquear o fornecimento de semicondutores para a Huawei.

Especialistas do setor disseram que a planejada unidade local seria uma nova fonte potencial de semicondutores depois que os estoques de chips importados que a Huawei acumulou desde o ano passado acabarem.

A fábrica fará inicialmente experiências com a produção de chips de 45 nm (nanômetros) de baixo custo, tecnologia que líderes globais na fabricação de chips começaram a usar 15 anos atrás.

Mas a Huawei quer fazer chips de 28nm mais avançados até o final do próximo ano, de acordo com engenheiros da indústria e executivos familiarizados com o projeto. Tal plano permitiria à Huawei fabricar smart TVs e outros dispositivos para a "internet das coisas".

A Huawei pretende produzir até o final de 2022 chips de 20nm, que poderiam ser usados para fabricar a maior parte de seus equipamentos de telecomunicações 5G e permitir que os negócios continuem mesmo com as sanções dos EUA.

A nova linha de produção planejada não ajudará no negócio de smartphones, já que os chipsets necessários para smartphones precisam ser produzidos em nós de tecnologia mais avançada, disse um executivo da indústria de semicondutores informado sobre os planos.

Porém, se tiver sucesso, poderá ser uma ponte para um futuro sustentável nos negócios de infraestrutura da Huawei, em combinação com o estoque que eles construíram e que deverá durar dois anos ou mais, disse ele.

"Eles provavelmente conseguirão, talvez em dois anos", disse Mark Li, analista de semicondutores da Bernstein em Hong Kong.

Ele acrescentou que, embora os chips de que a Huawei precisava para fazer estações base para redes móveis fossem idealmente feitos em tecnologia de processo de 14nm ou mais avançada, o uso de 28nm é possível.

"A Huawei pode compensar as deficiências no lado do software e do sistema", disse ele. Os produtores chineses poderiam tolerar custos mais altos e ineficiências operacionais do que seus concorrentes no exterior.

O projeto, relatado pela primeira vez pelo jornal chinês Caixin no mês passado, também poderá estimular as ambições chinesas de se livrar da dependência da tecnologia de chips estrangeira, principalmente dos EUA, que querem desacelerar o desenvolvimento da China como potência tecnológica.

A Huawei já está investindo no setor doméstico de semicondutores, especialmente entre operadoras menores, disse um executivo da indústria de chips.

"A Huawei tem grande capacidade em design de chips e estamos muito felizes em ajudar uma cadeia de suprimentos confiável a desenvolver suas capacidades na fabricação de chips, equipamentos e materiais. Ajudá-los é ajudar a nós mesmos", disse o presidente rotativo Guo Ping a jornalistas em setembro.

De acordo com engenheiros de chips e executivos da indústria, a Huawei pretende equipar sua produção nacional exclusivamente com maquinário chinês. Mas analistas alertam que essa meta ainda está muitos anos à frente.

"Essa instalação provavelmente funcionaria com uma combinação de equipamentos de diferentes fornecedores chineses, como Amec e Naura, além de algumas ferramentas estrangeiras usadas que podem ser encontradas no mercado", disse Li.

Ele acrescentou que a fabricação de chips em tal ambiente seria menos eficiente e mais cara. Mas a Huawei pode pagar por isso porque o volume de semicondutores necessários para as estações base é muito menor do que para um produto de massa como smartphones.

Huawei e ICRD não quiseram comentar sobre os planos para a unidade de produção.

"Você não obterá nenhuma informação nossa aqui, não podemos lhe dizer nada", afirmou Huang Yin, porta-voz do ICRD. "Isso é bastante delicado."

Um dos principais acionistas do ICRD é o Huahong Group, de propriedade estatal, que também controla os fabricantes de chips Huahong Grace e HLMC.

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