Descrição de chapéu Pix

Pix deve ter baixa adesão nas vendas da Black Friday

Especialistas do setor afirmam que a proximidade da data e do lançamento do sistema podem limitar uso

São Paulo

O uso do Pix tende a ser baixo na Black Friday, afirmam especialistas. A expectativa do mercado é que o novo sistema tenha a preferência dos empresários —principalmente dos micro, pequenos e médios negócios— diante da redução de custos e do rápido dinheiro em caixa.

Mas a proximidade entre a data do lançamento do novo sistema, nesta segunda (16), e a da Black Friday (27) deve limitar a adesão e o uso do Pix no comércio e no varejo, cujos sistemas ainda não estão completamente preparados.

A data, que inaugura a temporada de compras de final de ano, acontece pouco mais de uma semana depois do lançamento do novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, que acontece nesta segunda-feira (16).

Também em ambiente de retomada, Black Friday ainda terá baixa adesão ao Pix
Também em ambiente de retomada, Black Friday ainda terá baixa adesão ao Pix - Rahel Patrasso - 28.nov.2019/Reuters

“Todo o parque de maquininhas do país já está adaptado para o pagamento de QR Code. Mas é difícil dizer se todos os sistemas online já estarão preparados para aceitar pagamentos via Pix. A tendência é que os números ainda sejam pequenos na Black Friday, ganhando um pouco mais de força no Natal”, diz o presidente da Getnet e da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Pedro Coutinho.

O novo sistema do Banco Central permitirá mandar dinheiro para outra pessoa ou empresa de maneira instantânea e independente de qual seja a instituição de recebimento.

As transações poderão ser feitas 24 horas por dia, nos sete dias da semana, incluindo feriados, e acontecerão de maneira gratuita para pessoas físicas e microempreendedores individuais.

Os benefícios apresentados pelo Pix, como a redução de custos e os pagamentos instantâneos, já têm atraído a atenção dos lojistas.

Levantamento feito pela fintech Zoop em parceria com a FGV apontou que 64,1% das pequenas e médias empresas dizem estar preparadas para operar com o novo sistema.

Além disso, 32,6% acreditam que o Pix trará um impacto em todas as modalidades de pagamento, principalmente nas transações com cartão de débito.

Mais da metade (52,2%) dos entrevistados também afirmou que a adesão se dará entre os consumidores mais jovens, de até 30 anos.

“Apesar de o Pix já entrar mais acelerado por causa da pandemia, as pessoas ainda precisarão se acostumar a trabalhar com ele. O novo sistema é um avanço, mas só vai ganhar mais espaço conforme o tempo passe”, disse o presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), Nabil Sahyoun.

Os representantes do setor afirmam, ainda, que parte das compras pelo Pix na Black Friday também será reflexo da pandemia, com uma recuperação nas vendas pelas lojas físicas —apesar de números ainda menores quando comparados a igual período de 2019— e uma grande participação do ecommerce.

“Cada vez menos o pessoal trabalha com dinheiro em espécie, e isso abre espaço para uma participação importante do Pix. Mas acredito que demore ainda pelo menos uns 15 ou 20 dias depois do lançamento para que comece a engatar, de fato. Demora um pouco até o empresário criar intimidade com o sistema”, afirmou o vice-presidente da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas) do Bom Retiro, Nelson Tranquez.

Ainda segundo o levantamento da Zoop com a FGV, 71,9% dos entrevistados afirmam que estão bem informados sobre o Pix de uma forma geral. Cerca de 31,5%, no entanto, disseram se preocupar quanto a possíveis desvantagens do novo sistema, como a impossibilidade de chargeback —cancelamento e estorno para compras por engano.

Segundo o vice-presidente de vendas e soluções para o comércio da Visa, Fernando Pantaleão, o mercado também já começa a buscar novas soluções de segurança para implementar com o novo sistema.

“São diversos algoritmos de prevenção à fraude que conseguem interpretar as transações. Eles são capazes de dizer se uma transação está com tíquete médio fora do normal e até mesmo trazer meio de autenticação”, disse.

No início deste mês, o Banco Central começou a rodar o Pix em fase de testes, limitado a apenas alguns clientes de bancos e fintechs.

O diretor de organização do sistema financeiro e resolução da autoridade monetária, João Manoel Pinho de Melo, já havia afirmado que essa abertura controlada era necessária para testar o sistema. No período, erros pontuais foram encontrados durante os testes e já corrigidos.

Para o diretor de meios de pagamentos do Banco do Brasil, Edson Costa, todos os participantes trabalharam a área de segurança para atuar no Pix e existem outros fatores que podem influenciar sua completa aceitação na Black Friday.

“O Pix é algo que pode impulsionar as vendas no comércio, mas existe uma cultura de aprendizado e experimentação a ser transpassada. A Black Friday vai ser um ótimo exercício para vermos a aceitação, mas eu acredito que o sistema só ganhe força a partir do ano que vem”, disse Costa.

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