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Escassez global de chips ameaça produção de eletrônicos

Compra em massa da Huawei, incêndio em fábrica japonesa e pandemia estão entre causas do problema

Hyunjoo Jin, Douglas Busvine e David Kirton
Seul, Berlim e Shenzhen

Fabricantes de carros e dispositivos eletrônicos de TVs a smartphones estão alertando sobre uma escassez global de chips, o que está causando atrasos na produção conforme a demanda do consumidor se recupera da crise do coronavírus.

O problema tem várias causas, dizem executivos e analistas da indústria, incluindo a compra em massa da Huawei Technologies, um incêndio em uma fábrica de chips no Japão, paralisações causadas pelo coronavírus no Sudeste Asiático e uma greve na França.

Trabalhador em fábrica de eletrônicos da China; compra em massa da Huawei contribui para desabastecimento global
Trabalhador em fábrica de eletrônicos da China; compra em massa da Huawei contribui para desabastecimento global - Reuters

Além disso, tem havido pouco investimento em fábricas de chips de oito polegadas pertencentes principalmente a empresas asiáticas, o que significa que elas têm lutado para aumentar a produção à medida que a demanda por telefones 5G, notebooks e carros aumentou mais rápido do que o esperado.

"Em toda a indústria de eletrônicos, estamos enfrentando uma escassez de componentes", disse Donny Zhang, presidente-executivo da Sand and Wave, empresa que fornece as peças, que disse que enfrentou atrasos na obtenção de uma unidade de microcontrolador que era a chave para um fone de ouvido inteligente em que estava trabalhando.

"Originalmente, planejávamos concluir a produção em um mês, mas agora parece que precisaremos fazer isso em dois."

Uma fonte de um fornecedora japonesa de componentes eletrônicos disse que estava vendo uma escassez de chips WiFi e Bluetooth e esperava atrasos de mais de 10 semanas.

A fornecedora holandesa de chips automotivos NXP Semiconductors disse aos clientes que deve elevar os preços de todos os produtos por causa de um "aumento significativo" nos custos de materiais e uma "severa escassez" de chips, informou a Reuters este mês.

"Os negócios voltaram muito mais rápido do que esperávamos", disse o presidente-executivo da NXP, Kurt Sievers, ao jornal alemão Handelsblatt em uma entrevista em 11 de dezembro.

"Muitos clientes fizeram pedidos tarde demais. Como resultado, não conseguimos acompanhar em algumas áreas."

Outros gatilhos de curto prazo colaborando para a escassez de chips incluem a acumulação de estoques pela Huawei antes de meados de setembro, quando seus fornecedores tiveram que cumprir sanções impostas pelos EUA, disse o analista do CICC Huang Leping em nota em 11 de dezembro.

Isso foi agravado por rivais da Huawei, como a Xiaomi, que buscavam ganhar participação de mercado intensificando os pedidos de componentes, acrescentou.

Xiaomi e Huawei não comentaram o caso.

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