Governo capta US$ 2,5 bilhões em emissão de títulos no mercado externo

Tesouro viu janela de oportunidade em um momento de sinais positivos no exterior

Brasília

O Tesouro Nacional informou ter captado US$ 2,5 bilhões em uma emissão de títulos públicos no mercado externo nesta quarta-feira (2). Na operação, o retorno aos investidores ficou entre 2,2% ao ano e 4,5% ao ano, taxas mais baixas do que ofertas anteriores.

A decisão de emitir títulos em dólares veio em um momento de sinais positivos no mercado externo, com a evolução dos testes em vacinas contra a Covid-19, o resultado das eleições nos Estados Unidos e expectativas sobre novos estímulos em economias desenvolvidas.

Esse ambiente levou a uma redução dos prêmios de risco do Brasil, o que abriu uma janela de oportunidade para que o Tesouro lançasse títulos no mercado externo em condições mais favoráveis.

Na emissão desta quarta, foram disponibilizados títulos com vencimento em cinco anos (Global 2025), dez anos (Global 2030) e 30 anos (Global 2050).

As taxas de retorno dos papéis ficaram em 2,2% ao ano para os títulos a vencer em 2025, 3,45% ao ano para os que vencem em 2030 e 4,5% ao ano para os de 2050. A operação foi liderada pelos bancos Citibank, Santander e ScotiaBank.

O Tesouro informou que o objetivo da operação foi antecipar o financiamento de vencimentos e dar referência às empresas em relação à taxa de juros. A emissão de títulos do governo serve de referencial para o mercado privado.

Segundo o órgão, houve forte demanda do mercado pelos papéis, superando a oferta em mais de três vezes, o que permitiu uma redução das taxas ofertadas. O título de 30 anos, por exemplo, ficou com a menor taxa já obtida pelo Brasil.

"Com o sucesso da operação, o Tesouro diversifica as fontes de captação e a base de investidores, contribuindo para o alongamento do prazo médio da dívida pública", afirmou em nota.

A última emissão externa do governo brasileiro foi feita em junho. Na ocasião, foram ofertados títulos a vencer em 2025, com taxa de retorno de 3% ao ano, e 2030, com juros de 4% ao ano. A captação total foi de US$ 3,5 bilhões.

Na semana passada, o Tesouro informou que as notícias positivas em relação à evolução das vacinas contra o coronavírus e as perspectivas quanto aos resultados das eleições americanas ajudaram a melhorar a percepção do mercado de maneira geral em novembro.

Nesse cenário, o CDS (Credit Default Swap), indicador de risco do país, caiu 20,1% no mês, até o dia 23, alcançando 174 pontos base.

O CDS funciona como um termômetro informal da confiança dos investidores em relação às economias, especialmente as emergentes. Se o indicador sobe, é um sinal de que os investidores temem o futuro financeiro do país, se ele cai, o recado é o inverso: sinaliza aumento da confiança em relação à capacidade de o país saldar suas dívidas.

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Cédulas de dólar - 24.jan.19 - Gabriel Cabral/Folhapress

“Nosso programa de emissões no mercado internacional tem um caráter qualitativo, o que nos confere um maior grau de liberdade para escolher a melhor janela de emissão”, disse na última semana o coordenador de operações da Dívida Pública, Roberto Lobarinhas.

Além da janela de oportunidade para a captação externa a taxas menores, o governo brasileiro também busca recursos para financiar seus gastos, que explodiram durante a pandemia do novo coronavírus.

Somente com ações emergenciais para mitigação dos efeitos da crise sanitária, o governo já liberou R$ 575 bilhões neste ano.

Apesar dos sinais positivos no exterior, no mercado interno, as indefinições sobre reformas estruturais e a possibilidade de aumento dos gastos públicos têm pressionado a dívida pública federal. Nos últimos meses, investidores priorizaram títulos mais curtos, que têm maior liquidez, e cobraram prêmios mais elevados para a compra de títulos mais longos.

Diante da pressão por aumento de gastos também em 2021, com programas sociais e obras públicas, o Tesouro vem ressaltando que a capacidade do governo de emitir dívida tem um limite. O órgão afirma, no entanto, que não há dificuldade para rolagem da dívida no curto prazo e que são boas as perspectivas para pagamento dos títulos a vencer nos primeiros meses do ano que vem.

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