Guedes diz que economia volta em V e equipe espera avanço do PIB sem auxílio emergencial em 2021

Para pasta, 'escudo' de políticas sociais criadas durante a pandemia 'deve ser desarmado'

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Brasília

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira (3) que a atividade brasileira está se recuperando e voltando em V. Para ele, o avanço abaixo do esperado do PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre foi influenciado por revisões que puxaram resultados anteriores para cima.

"É a economia voltando, voltando em V como dissemos antes. Houve revisões em trimestres anteriores, com crescimento um pouco para cima, então veio um pouquinho abaixo do esperado. Mas o fato é que a economia está voltando em V, realmente está voltando", disse em frente ao Ministério da Economia.

Ele comentou ainda o relatório publicado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) nesta semana, que afirma que as autoridades devem estar preparadas para fornecer apoio adicional na área fiscal.

Na visão de Guedes, o FMI está defendendo a retirada gradual dos programas. "O FMI está sugerindo o que estamos fazendo, que a retirada dos estímulos seja gradual", afirmou, citando em seguida o auxílio emergencial de R$ 600, que passou para R$ 300 e está marcado para acabar no fim do ano.

"Então a retirada está sendo gradual, exatamente como eles estão recomendando. Tanto que saiu uma apreciação deles elogiando o programa brasileiro", afirmou. "O Brasil foi uma das economias que voltaram com mais velocidade", afirmou.

A economia brasileira registrou crescimento recorde de 7,7% no terceiro trimestre de 2020 na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O número veio abaixo das projeções do governo e do mercado.

Apesar do crescimento recorde do PIB, a economia brasileira ainda não voltou ao nível pré-crise. Ainda está 4,1% abaixo do último trimestre de 2019. O resultado também se encontra 7,3% abaixo do pico registrado no início de 2014.

Paulo Guedes (Economia) durante evento no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 7.out.2020/Folhapress

Em relação ao mesmo período de 2019, houve queda de 3,9%. O PIB recuou 5% no acumulado do ano e 3,4% em 12 meses.

A SPE (Secretaria de Política Econômica), do Ministério da Economia, publicou nota técnica nesta quinta sobre o PIB do trimestre. O texto afirma que houve forte recuperação da atividade, do emprego formal e do crédito, aliadas ao aumento da taxa de poupança.

Segundo a pasta, esses fatores "pavimentam o caminho para que a economia brasileira continue avançando no primeiro semestre de 2021 sem a necessidade de auxílios governamentais".

"É importante frisar que a retomada da atividade e do emprego, que ocorreu nos últimos meses, compensará a redução dos auxílios", diz a SPE.

Outro fator positivo na visão da pasta será a melhora das condições financeiras, que devem continuar impulsionando a atividade, principalmente com a retomada da agenda de reformas, e o aumento da poupança.

"O escudo de políticas sociais criado para amenizar o sofrimento econômico e social causados pela pandemia deve ser desarmado, dando espaço para a agenda de reforma estruturais e consolidação fiscal –único meio para que a recuperação se mantenha pujante", afirma a SPE.

Outros integrantes do governo comentaram o PIB nesta quinta. O ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, afirmou que a política econômica está dando resultados.

"Saiu hoje o resultado do terceiro trimestre. Ele foi 7,7% maior que o segundo trimestre. O melhor resultado desde 1996. Então a política econômica que o governo vem traçando, buscando minimizar os efeitos da pandemia, mostra que vem obtendo resultados", afirmou.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou que a queda do PIB em 2020 não será tão significativa quanto as previsões. "O grande ponto é que as principais instituições davam que o Brasil teria uma queda grande e não será tão significativa", afirmou.

Mesmo assim, ele lamentou a retração a ser observada neste ano. "Vai ser uma queda, ter resultado negativo no PIB é muito ruim para o nosso país", disse Mourão.

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