Descrição de chapéu
Cifras & Livros

Obras sobre preceitos de Warren Buffett valorizam investimento de longo prazo

Enquanto 'O Tao de Warren Buffett' é déjà-vu de obviedades, 'Warren Buffett e a Análise de Balanços' disseca empresas além dos números

O Tao de Warren Buffett

  • Preço R$ 36,60 e R$ 21,99 (ebook) (192 págs.)
  • Autor Mary Buffett e David Clark
  • Editora Sextante

Warren Buffett e a Análise de Balanços

  • Preço R$ 39,90 e R$ 24,99 (ebook) (176 págs.)
  • Autor Mary Buffett e David Clark
  • Editora Sextante

Melhor do que ter uma galinha de ovos de ouro é saber que desses ovos sairão outras galinhas de ovos de ouro. Essa é a ideia central passada por Mary Buffett e David Clark em duas obras sobre os ensinamentos do megainvestidor Warren Buffett.

Os autores de “O Tao de Warren Buffett” e “Warren Buffett e a Análise de Balanços” são pessoas próximas do investidor que está entre os dez mais ricos do mundo. Mary Buffett foi casada durante 12 anos com o filho do bilionário, Peter Buffett. Já David Clark pertence a um grupo que se autodenomina de “buffettologistas” —por estudarem e pesquisarem a vida e os ensinamentos do investidor.

Ambos os livros chegaram recentemente ao mercado brasileiro pela editora Sextante. As obras têm abordagens distintas, mas têm um mesmo fio condutor: conselhos do Buffett para alcançar a riqueza.
Isso, algo longo dos capítulos, vai se traduzir na busca por rendimentos replicadores que são alcançados por meio de investimentos pouco diversificados, de longo prazo e em empresas com vantagem competitiva durável.

O mais antigo dos livros, por publicação original, é “O Tao de Buffett”. Tao é o caractere chinês para caminho, via ou princípio. Também é desse termo que surge a filosofia ou religião do taoismo.
Para Mary Buffett, os aforismas e ensinamentos do megainvestidor são como os de um mestres dessa seita, “quanto mais o estudioso os contempla, mas eles revelam”.

Bilionário e megainvestidor Warren Buffett
Bilionário e megainvestidor Warren Buffett - Rick Wilking/Reuters

Talvez seja necessário, então, muita contemplação para encontrar conteúdos tão reveladores. Isso porque, após uma primeira leitura, o livro se apresenta repetitivo e repleto de obviedades. Dizer que pessoas íntegras estão predispostas a agir bem e pessoas sem integridade estão predispostas a agir mal não é nenhuma formulação de grande complexidade filosófica.

E não faltam no livro outros exemplos nessa linha. Dos 125 ensinamentos expostos ao longo da obra, estão alguns títulos: “Depois de assinar um contrato, não dá para voltar atrás”, “É mais fácil evitar problemas do que resolvê-los”, “Se a empresa vai bem, a ação vai acabar subindo” e “Você deve ver as ações como pequenas parcelas de uma empresa”.

Mas não são todos os capítulos que deixam o leitor com a sensação de estar diante de platitudes de uma obra de auto ajuda. Lá pelo ensinamento 64, os autores apresentam uma ideia que foge dos ditames dos mais cautelosos analistas de mercado. O ensinamento é que “a diversificação é uma proteção contra a ignorância”. Segundo o livro, para Buffett, se um consultor recomenda uma cesta muito sortida de papéis, ele está dizendo, em outras palavras, que não sabe o que está fazendo.

Esse evidência de Buffett volta a ser apresentada no capítulo 67 (o livro é um eterno déjà-vu), quando a diversificação é colocada como um potencial mediano de crescimento a longo prazo. Nunca deixará alguém rico, mas também não deixará pobre.

Buffett também desencoraja a compra e venda de ações a curto prazo. Na explicação dele, corretoras ganham comissão por essas trocas constantes, então, para elas, é interessante estimular esse fluxo.
Se, nessa primeira obra, poucos capítulos trazem observações relevantes, em “Warren Buffett e a Análise de Balanços”, ainda que mais técnica, apresenta um conteúdo mais revelador.

O livro serve até como guia para quem tem pouco conhecimento sobre relatório financeiro de empresas. Por meio de exemplos e sem apelar para o economês e a numeralha comum desta área, os autores explicam como ler demonstrações de resultado, balanço patrimonial e fluxo de caixa.

O foco, ao analisar esses resultados, é encontrar empresas que tenham “vantagem competitiva durável”, isto é, marcas que estejam melhores que as concorrentes e possam se manter assim por um bom tempo.

De início, eles frisam que, para analisar o desempenho de uma companhia, não basta olhar para um balanço de um ou dois anos separadamente, é preciso observar a evolução ao longo de, ao menos, uma década. Dito isso, os autores explicam, a cada capítulo, por que um determinado dado é relevante e como Buffett o analisa em relação a outros números.

Por exemplo, uma companhia pode até apresentar lucros recorrentes, mas, se sempre tem gastos elevados para se manter competitiva, em algum momento de crise, provavelmente terá grandes perdas.

Assim, na avaliação de Buffett, os setores automotivo e de telecomunicações são exemplos com os quais o investidor precisa tomar cuidado.

Por outro lado, companhias que não precisam se atualizar constantemente e que têm um nome consolidado no mercado podem manter seus ganhos elevados, sem ter tantos gastos, permitindo um acúmulo de capital. Exemplos citados são Coca-Cola e a agência de risco Moody’s.

A obra também faz um alerta sobre a necessidade de compreender que nem tudo que está negativo é necessariamente ruim para a companhia.

Por exemplo, no caso de balanço patrimonial, a parte sobre “ações em tesouraria” se refere à recompra de papéis da própria empresa. Se a companhia está bem financeiramente, com excedente em caixa, ela pode decidir recomprar seus papéis. No balanço, o valor desse movimento será negativo, porque um dinheiro foi pago por essa reaquisição, mas esse procedimento não é ruim para a empresa.

Por isso, só depois de olhar os números de caixa, de lucro, de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, de despesas e outros dados, ao longo de anos, é que o investidor tem mais previsibilidade da situação da empresa no futuro.

Diferente de seu mentor, o investidor Benjamin Graham, Warren Buffett não está atrás de ações baratas, de empresas com lucros recorrentes, para vê-las subir em até dois anos e depois vendê-las. O megainvestidor busca papéis com preços entre baixo e intermediário, de empresa com vantagem competitiva durável, permanecendo com o ativo o quanto for possível até essa marca deixar de apresentar resultados promissores.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.