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Uber abandona seu projeto de carro autoguiado

Companhia de serviços de carros transfere tecnologia a preço reduzido para rival Aurora

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Patrick McGee e Dave Lee
São Francisco (Califórnia) | Financial Times

A Uber abandonou seus esforços para desenvolver um carro autoguiado e em lugar disso transferirá suas operações à Aurora, uma startup de veículos autoguiados bancada pela Amazon e Sequoia Capital, em troca de uma participação minoritária na companhia, por um valor substancialmente inferior ao de avaliações anteriores da unidade.

A transação põe fim a uma das mais ambiciosas tentativas de desenvolver um veículo completamente autoguiado, que a Uber iniciou antes de seus rivais a fim de realizar seu objetivo de colocar em operação uma frota de táxis autoguiados.

No entanto, os esforços da empresa foram prejudicados por uma tragédia, quando uma mulher foi morta em um acidente envolvendo um dos protótipos autoguiados da empresa, em Tempe, Arizona, em 2018, e os investidores na Uber pressionaram a companhia para que adotasse como foco tirar do vermelho suas operações centrais, de transporte de passageiros.

A Uber transferirá sua unidade de veículos autoguiados, que tem 1,2 mil empregados, para a Aurora, que no momento tem uma equipe de 600 pessoas, e investirá US$ 400 milhões na companhia.

A Aurora foi avaliada em US$ 2,5 bilhões depois de uma rodada de investimento de US$ 530 milhões liderada pela Sequoia e realizada em 2019; a empresa anunciou que a transação com a Uber quadruplicaria seu valor de avaliação, para US$ 10 bilhões.

A operação de carros autoguiados da Uber representava um escoamento significativo de caixa para a empresa, mas foi avaliada em US$ 7,25 bilhões em abril de 2019, quando Toyota e SoftBank adquiriram participações minoritárias na unidade antes da abertura oficial de capital do grupo.

Juntos, a Uber e seus parceiros emergirão da transação com 40% do capital da Aurora. A participação das empresas, avaliada em pouco menos de US$ 4 bilhões ante o valor de mercado de US$ 10 bilhões agora estimado para a Aurora, significa uma perda considerável de valor, ante a avaliação que a unidade de veículos autoguiados recebeu em abril de 2019. A Uber deterá uma participação direta de 26% na Aurora, e Dara Khosrowshahi, seu presidente-executivo, fará parte do conselho da companhia parceira.

Eric Meyhofer, que comandava a operação de carros autoguiados da Uber, não se transferirá para a Aurora e deixará a empresa. A Aurora –fundada por um trio de executivos que tiveram papéis fundamentais nos programas de veículos autoguiados do Google, Tesla e Uber— é conhecida pelo forte apoio financeiro com que conta. Mas sua estratégia de trabalhar em estreita parceria com montadoras de automóveis importantes não funcionou, já que Volkswagen, Hyundai e Fiat Chrysler, inicialmente parceiras da empresa, decidiram apoiar tecnologias desenvolvidas por rivais da Aurora.

A transação com a Uber significa que a Aurora pode fornecer sua tecnologia para veículos autoguiados à maior frota de veículos de transporte de passageiros do planeta. O envolvimento da Toyota no projeto de veículos autoguiados da Uber pode dar à Aurora acesso a uma importante montadora de automóveis como parceira.

“Foi uma vitória para nós, e estamos empolgados com ela”, disse Chris Urmson, presidente-executivo da Aurora, ao Financial Times.

Em 2016, depois que Travis Kalanick, então presidente-executivo da Uber, lançou a divisão, o cofundador da Uber definiu o desafio dos veículos autoguiados como “central para nossa existência”. O medo era que o Google desestabilizasse todo o negócio ao lançar um serviço de transporte de passageiros mais barato e mais seguro.

A Uber agiu com rapidez e em 2016 investiu US$ 680 milhões na Otto, uma startup de veículos autoguiados. A projeção era de que ela teria 75 mil veículos autoguiados em circulação em 2019.

Mas as esperanças iniciais não foram realizadas e a unidade em lugar disso se tornou um pesadelo de relações públicas, depois do acidente em Tempe. Este ano, a unidade de veículos autoguiados e “outros programas de tecnologia” sofreram prejuízos de mais de US$ 300 milhões em base de ebitda [lucros antes dos juros, impostos, depreciação e amortização] ponderada.

Em 2018, a companhia fechou um acordo para indenizar com US$ 245 milhões em ações a Waymo, subsidiária de veículos autoguiados do grupo Alphabet, controlador do Google, a fim de resolver extrajudicialmente um processo aberto pela companhia.

Durante o processo, Kalanick depôs para se defender das acusações de que ele teria conspirado com Anthony Levandowski, ex-executivo do programa de veículos autoguiados do Google, a fim de que este levasse documentos confidenciais relacionados ao programa de veículos autoguiados do Google quando ele trocou a empresa pela Uber.

Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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