Após dizer que país está quebrado, Bolsonaro convoca reunião ministerial no Planalto

Evento não aparecia na agenda presidencial, mas ministérios dizem que encontro já estava previsto

Brasília

Um dia após dizer a apoiadores que o Brasil está quebrado, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reuniu seus ministros, na manhã desta quarta-feira (6), no Palácio do Planalto.

Segundo o governo, participaram 17 dos 23 ministros, além do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. O ministro Paulo Guedes (Economia), que estava de férias, foi ao encontro, que começou às 8h e acabou cerca de uma hora e meia depois (veja abaixo a lista dos participantes).

Não participaram da reunião os ministros Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional), André Mendonça (Justiça), Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) e Roberto Campos Neto (Banco Central).

Jair Bolsonaro (sem partido) durante cerimônia no Pálacio do Planalto - Evaristo Sá - 17.dez.2020/AFP

De acordo com assessores de alguns ministros, o encontro já estava previsto, embora só tenha aparecido na agenda oficial do presidente com a reunião já em curso.

O encontro acontece depois de Bolsonaro passar 17 dias sem compromissos oficiais e de retornar de um recesso pelos litorais de Santa Catarina e São Paulo.

Na terça-feira (5), em seu primeiro dia de trabalho, ele fez declarações em dois encontros com apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada.

Pela manhã, afirmou que o Brasil está quebrado e que ele não consegue fazer nada.

"Chefe, o Brasil está quebrado, e eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus, potencializado por essa mídia que nós temos. Essa mídia sem caráter. É um trabalho incessante de tentar desgastar para tirar a gente daqui e atender interesses escusos da mídia", disse o mandatário pela manhã, também em conversa transmitida pelo canal bolsonarista na internet.

A declaração destoa de posições apresentadas publicamente pela equipe econômica, que tem batido na tecla de que a atividade econômica do país está em plena recuperação, o que trará resultados positivos para a arrecadação de impostos.

No fim da tarde, Bolsonaro disse que "a gente não tem recursos para investir" e voltou a falar de sua promessa de campanha de atualização da tabela de Imposto de Renda.

"Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda. O cara me cobra: 'compromisso de campanha'. Mas não esperava esta pandemia pela frente. Nos endividamos em aproximadamente R$ 700 bilhões. Complicou mexer nisso aí", afirmou no fim da tarde.

Ele também afirmou que uma das explicações para o desemprego no país é que parte dos brasileiros não tem preparação para fazer "quase nada".

"Então, [o Brasil] é um país difícil trabalhar. Quando fala em desemprego, né, [são] vários motivos. Um é a formação do brasileiro. Uma parte considerável não está preparada para fazer quase nada. Nós importamos muito serviço", disse o presidente.

A retomada do emprego ainda é dúvida, mesmo com a geração recorde de vagas com carteira em novembro.

No total, o desemprego bateu novo recorde em novembro, atingindo 14 milhões de brasileiros. A taxa de desocupação chegou a 14,2%, o maior percentual da série histórica da Pnad Covid, pesquisa do IBGE iniciada em maio para mensurar os efeitos da pandemia no país. Esse indicador considera o mercado informal de trabalho, autônomos e funcionários públicos.​


Participantes da reunião desta quarta-feira (6):

  • Braga Netto, ministro da Casa Civil;
  • Fernando Azevedo, ministro da Defesa;
  • Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores;
  • Paulo Guedes, ministro da Economia;
  • Tarcísio Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura;
  • Tereza Cristina, ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;
  • Milton Ribeiro, ministro da Educação;
  • Onyx Lorenzoni, ministro da Cidadania;
  • Eduardo Pazuello, ministro da Saúde;
  • Bento Albuquerque, ministro de Minas e Energia;
  • Fábio Faria, ministro das Comunicações;
  • Gilson Machado Neto, ministro do Turismo;
  • Wagner Rosário, ministro da CGU (Controladoria-Geral da União);
  • Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos;
  • Pedro Cesar Nunes Ferreira Marques de Sousa, ministro interino da Secretaria-Geral da Presidência da República;
  • Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
  • José Levi, ministro da AGU (Advocacia-Geral da União); e
  • Pedro Guimarães, presidente da Caixa

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