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iPhone 12 da Apple gerou recorde trimestral de US$ 111,4 bi

A chegada tardia de novos telefones 5G criou uma demanda reprimida, mas deu ao CEO Tim Cook menos tempo para as vendas de fim de ano

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Tim Higgins
The Wall Street Journal

A Apple encerrou 2020 com seu trimestre mais lucrativo de todos os tempos, alimentado por um aumento nas vendas de iPhone de última geração e uma forte demanda por seus laptops e tablets, devido à pandemia.

Ao todo, a empresa de Cupertino, na Califórnia, gerou US$ 111,4 bilhões em vendas trimestrais, um recorde histórico. O lucro aumentou 29%, para US$ 28,76 bilhões, nos três meses que terminaram em dezembro, seu primeiro trimestre fiscal. Em uma base por ação, a Apple disse que ganhou US$ 1,68, superando o US$ 1,41 previsto por analistas em uma pesquisa da FactSet.

Os resultados saíram na quarta-feira (27), durante a semana de maiores ganhos corporativos neste trimestre; no mesmo dia, a Tesla e o Facebook também deveriam divulgar lucros recordes. Os investidores estão procurando sinais dos CEOs da Apple, Tim Cook, da Tesla, Elon Musk, e do Facebook, Mark Zuckerberg, de que as ações de tecnologia poderão continuar alimentando um crescimento recorde no S&P 500.

"Não poderíamos estar mais otimistas", disse Cook em entrevista sobre a linha de produtos da empresa.
As ações da Apple subiram 81% em 2020 e estão em alta de cerca de 8% neste ano, até terça-feira, com o entusiasmo dos investidores em torno de seu mais recente iPhone e os altos gastos em seus produtos por consumidores que trabalham, estudam e se divertem enquanto estão presos em casa. É uma de várias empresas tecnológicas cujo desempenho excelente contrasta com os milhões de americanos desempregados devido à pandemia global.

O trimestre de fim de ano é sempre um período observado de perto para a Apple, representando cerca de 30% de suas vendas anuais. Desta vez, no entanto, ganha maior ênfase com a chegada do iPhone 12, que alguns analistas e investidores apostavam que provocaria um recorde semelhante ao do lançamento do primeiro iPhone de tela grande, em 2014. Essa aposta, no entanto, foi questionada com a disseminação do coronavírus no ano passado.

O surto inicial na China atrasou a produção do carro-chefe e adiou seu lançamento para outubro, em vez da estreia típica em setembro. Algumas versões do novo aparelho só começaram a ser enviadas aos clientes em novembro, reduzindo o número de semanas que a Apple normalmente tem para fechar vendas antes do Natal.

Esses atrasos criaram alguma incerteza sobre a força do período que a Apple iria relatar. "Há uma linha de pensamento de que, por causa do lançamento atrasado e algumas restrições de fornecimento, as unidades do iPhone podem estar por baixo", disse Mark Stoeckle, presidente-executivo da Adams Funds, que tem a Apple entre suas maiores participações. "Embora vejamos isso como uma possibilidade, acreditamos fortemente que o iPhone 12 terá muito sucesso em 2021."

Os resultados foram alcançados apesar dos problemas da cadeia de suprimentos. Na entrevista, Cook disse que o iPhone 12 deve estar equilibrado neste trimestre, mas ele não espera que os problemas do iPad sejam resolvidos nesse período.

Katy Huberty, analista do Morgan Stanley, está entre as mais otimistas, chamando o lançamento do iPhone de "o lançamento de maior sucesso da Apple nos últimos cinco anos" em nota aos investidores na semana passada.

Apesar do atraso, os analistas previram em média que a receita aumentaria para US$ 102,8 bilhões. Embora a Apple não divulgue mais as vendas unitárias, analistas dizem que a receita provavelmente foi ajudada pela demanda por modelos mais sofisticados do novo smartphone. Cook disse que os resultados do iPhone foram ajudados pelo iPhone 12s.

Para a linha iPhone 12, a Apple lançou quatro versões, incluindo uma nova miniversão com preço inicial de US$ 699, o mesmo custo do iPhone 11 maior do ano passado. O iPhone 12 de tamanho comparável custa cerca de US$ 100 a mais que seu antecessor, e o maior e mais caro iPhone 12 Max custa US$ 1.099.

Nos Estados Unidos, o preço médio de varejo do iPhone subiu para US$ 873, contra US$ 809 há um ano, impulsionado por compradores gravitando para as versões mais caras, de acordo com uma pesquisa com clientes da Consumer Intelligence Research Partners. As melhoras nos preços seguem uma política adotada por Cook de aumentar o preço médio de venda dos iPhones, extraindo mais lucro dos dispositivos, já que as vendas unitárias caíram, após um pico de 231 milhões no ano fiscal de 2015.

A receita do iPhone aumentou 17%, para US$ 65,6 bilhões no trimestre até dezembro. Esse crescimento foi mais lento do que em outras áreas de negócios da Apple, o que ajudou a impulsionar seus resultados nos últimos trimestres em meio à queda nas vendas do iPhone. Aumentos de 21% nas vendas da linha Mac e de 41% para iPads ajudaram a gerar os resultados recordes. As vendas de laptops foram ajudadas pela chegada do novo chip interno da empresa, batizado de M1, de acordo com Cook.

Outra métrica observada de perto, o negócio de serviços da Apple, que ganhou importância crescente nos últimos anos, cresceu 24%.

Na quarta-feira, os investidores buscaram sinais de que o novo iPhone tem pernas. Os analistas preveem que as vendas aumentarão para US$ 74 bilhões neste trimestre, quase 30% a mais em comparação com o ano anterior.

Normalmente, uma parte observada de perto nos relatórios trimestrais da Apple é sua orientação de vendas, mas tais previsões foram eliminadas no ano passado em meio à incerteza em torno da Covid-19. A Apple não disse quando poderá retomar essas divulgações.

O potencial para o trimestre outubro-dezembro há muito entusiasma analistas e investidores que apostaram que a demanda reprimida por um iPhone tecnologicamente aprimorado estimularia as compras. O mais recente iPhone tem capacidade de acesso à rede de celular de última geração 5G, que promete maior velocidade de internet.

O novo iPhone ajudou as vendas a subirem 57% na China, que tem uma rede 5G mais desenvolvida.
As operadoras de celular usaram a chegada do iPhone 5G para tentar conquistar novos clientes. Mas não está claro se isso está acontecendo. A Verizon Communications, maior operadora de telefonia celular dos Estados Unidos, divulgou na terça-feira (26) os resultados do quarto trimestre, mostrando menos novos clientes do que os analistas esperavam. Mesmo assim, os executivos disseram que continuam otimistas em relação a este ano.

A falta de novos programas "matadores" para aproveitar a velocidade do 5G e uma rede limitada levantaram dúvidas entre alguns analistas sobre o verdadeiro interesse do recurso como ponto de venda dos novos telefones caros.

Dos compradores de iPhone na pesquisa da Consumer Intelligence, apenas sete mencionaram o 5G. A maioria disse que foi motivada a comprar o novo iPhone por causa de problemas com o telefone anterior ou por motivos gerais sobre atualização.

(A Dow Jones & Co., editora de The Wall Street Journal, tem um acordo comercial para fornecer notícias por meio dos serviços da Apple.)


RAIO-X DA APPLE NO 4º TRIMESTRE DE 2020
Lucro líquido -
US$ 28,75 bilhões
Número de funcionários - mais de 100 mil
Receita bruta - US$ 111,4 bilhões
Principais concorrentes - Samsung, Huawei, Xiaomi, Microsoft, Google

WSJ

Conteúdo licenciado pelo Wall Street Journal para publicação na Folha de S.Paulo, a responsável pela tradução para o português.

Traduzido por Luiz Roberto M. Gonçalves

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