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BlackRock pressiona empresas a adotar meta de emissões zero em 2050

Gestora poderá abandonar investimentos em empresas poluentes

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Financial Times

A BlackRock, maior companhia mundial de administração de patrimônio, pressionará empresas para que assumam o compromisso de reduzir a zero suas emissões de poluentes até 2050, e mencionou a perspectiva de abandonar investimentos em empresas que não o façam, nos fundos que administra ativamente.

Em um par de cartas enviadas na terça-feira a presidentes-executivos de empresas e clientes da BlackRock, Larry Fink, o presidente-executivo da companhia, afirmou que uma “mudança tectônica” estava acontecendo no cenário do investimento, e com rapidez maior do que ele esperava.

Os investidores estão redirecionando capital para companhias cujas práticas ambientais, sociais e de governança são consideradas robustas, declarou Funk em sua carta anual a líderes empresariais. “Não existe companhia cujo modelo de negócios não será profundamente afetado pela transição rumo a uma economia com total líquido zero de emissões”, ele escreveu.

Com quase US$ 8,7 trilhões sob administração, o que inclui mais de US$ 5 trilhões em veículos de investimento passivos que acompanham índices de mercado, a BlackRock é acionista importante da maioria das grandes companhias do planeta.

A empresa solicitará às companhias nas quais planeja investir que revelem seus planos para cumprir a meta de não emitir mais poluentes do que elas retiram da atmosfera, até 2050, afirmou Fink.

Em carta separada aos clientes, a BlackRock delineou instrumentos de gestão de risco para ajudar investidores a preparar suas carteiras de investimento para um mundo com total líquido zero de emissões – bem como as medidas que tomará caso as empresas em questão fiquem aquém do esperado ao gerenciar essa transição.

A BlackRock afirmou que falta de progresso da parte das empresas a levaria a “não só a usar nossos votos contra os gestores, no caso das carteiras de investimento associadas a índices, como também a fim de marcar investimentos para potencial saída, em nossos portfólios de administração ativa, porque acreditamos que isso represente um risco para os retornos de nossos clientes”.

Fink alertou que “companhias que não se preparem rapidamente verão seus negócios e seu valor de mercado sofrer, porque as partes interessadas perderão a confiança em que essas companhias sejam capazes de adaptar seus modelos de negócios às mudanças dramáticas que estão por vir”.

Em 2020, quatro quintos “de uma seleção mundialmente representativa de índices [de investimento] sustentáveis apresentaram desempenho superior ao dos índices mais amplos de referência”, afirmou Fink, indicando que considerações de ESG [sigla em inglês para ambiental, social e de governança] já estão afetando os preços das ações.

“De automóveis a bancos, passando por companhias de petróleo e gás natural..., as empresas com perfil ESG melhor estão se saindo melhor que suas rivais, e desfrutam de um ‘ágio por sustentabilidade’”, ele afirmou.

No ano passado, o fundo iShares ESG Aware, da BlackRock, com quotas negociadas em bolsa, atraiu US$ 9,5 bilhões em capital e ficou em quinto lugar entre os fundos americanos que mais atraíram ativos novos, de acordo com a Morningstar.

A BlackRock não é a única administradora de fundos que está pressionando companhias a reduzir suas emissões de poluentes. Um grupo de 30 das maiores administradoras mundiais de ativos, entre as quais Fidelity, Legal & General Investment Management, Schroders, UBS Asset Management, M&G, Wellington Management e DWS, anunciou em dezembro o compromisso de reduzir as emissões vinculadas aos seus portfólios a zero, em termos líquidos, até 2050.

A melhor maneira de um administrador de investimento pressionar para que as companhias em que investe adotem uma norma de emissões zero é apelar para que estabeleçam “metas de base científica em curto, médio e longo prazo para sua trajetória de redução de emissões, compatíveis com as necessidades de seus setores”, disse Eli Kasargod-Staub, um dos fundadores da organização ativista Majority Action.

​Financial Times, tradução de Paulo Migliacci

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