Descrição de chapéu The Wall Street Journal

Ford tenta conter operações deficitárias ao fechar fábricas no Brasil

Cortes fazem parte de plano de reestruturação global que a companhia traçou pela primeira vez em 2018

Nova York | The Wall Street Journal

O fechamento das fábricas da Ford no Brasil é uma tentativa de escorar operações deficitárias no exterior, parte de um esforço mais amplo de recuperação sob o novo executivo-chefe, Jim Farley.

A Ford informou na segunda-feira (11) que fechará suas três fábricas no Brasil, eliminando cerca de 5.000 empregos. A fabricante de veículos sediada em Dearborn, Michigan, continuará vendendo veículos no Brasil e em outros mercados sul-americanos com carros feitos em suas fábricas restantes na Argentina e no Uruguai, assim como em outras regiões.

A pandemia de Covid-19 agravou um ambiente já difícil na América do Sul, que passou por anos de turbulência econômica e flutuações cambiais que minaram os lucros das montadoras globais.

A pegada industrial da Ford se tornou cara demais para sustentar diante do ambiente de vendas persistentemente difícil, disse um porta-voz da montadora. A Ford lutou em mercados internacionais nos últimos anos enquanto se apoiava em seus negócios na América do Norte e no ramo interno de empréstimos para aumentar os lucros.

Durante os primeiros três trimestres de 2020 a empresa perdeu dinheiro em todas as suas filiais regionais, na América do Sul, Europa e China.

Na América do Sul, a Ford relatou prejuízos antes dos impostos de US$ 386 milhões (R$ 2,1 bilhões) durante os primeiros três trimestres de 2020.

Os cortes fazem parte de um plano de reestruturação global que a companhia traçou pela primeira vez em 2018. A Ford também revelou planos de vender ou fechar fábricas na Europa e reduzir sua linha de veículos lá para se concentrar em produtos mais rentáveis.

As medidas da Ford na América do Sul seguem alguns dos passos tomados na Europa: ela estreitou o foco para veículos mais populares e rentáveis e acentuou o foco em clientes comerciais. Ela continuará vendendo a caminhonete Ranger e a van Transit na América do Sul, assim como novos veículos como o esportivo-utilitário Bronco.

Farley, que assumiu como presidente-executivo em 1º de outubro, disse em comunicado que o fechamento de fábricas faz parte de uma estratégia de "ativos leves" para reduzir a base de custos da Ford enquanto continua vendendo veículos nos mercados sul-americanos. A companhia continuará operando um centro de engenharia e de testes no Brasil.

O presidente definiu como meta uma margem de lucro global pré-impostos de 8%, em parte aperfeiçoando negócios no exterior e se concentrando em veículos comerciais. Sua margem de lucro pré-impostos foi de 4,1% no ano passado e caiu para 1,2% nos três trimestres do ano passado em meio à disrupção causada pela pandemia. ​

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