Descrição de chapéu indústria

Ford diz que não demitirá trabalhadores de Taubaté e Camaçari durante negociações

Fechado na Justiça do Trabalho, acordo prevê que salários e benefícios continuarão a ser pagos

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São Paulo

Trabalhadores da Ford em Taubaté (SP) aprovaram nesta quinta-feira (18) um acordo que garante a manutenção de empregos, salários e benefícios enquanto a montadora estiver negociando com o sindicato da categoria.

A Ford emprega 830 trabalhadores diretos na planta do interior de São Paulo.

A proposta de acordo foi fechada no dia anterior, em audiência realizada por videoconferência pela Seção de Dissídios Coletivos do TRT-15 (Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, com sede em Campinas) em processo iniciado pela Ford, que foi à Justiça do Trabalho pedir conciliação.

A montadora afirmou, no pedido, que os funcionários eram convocados ao trabalho, mas não compareciam. Para a Ford, a resistência equivalia a existência de uma greve, que era abusiva.

Pelo acordo, quem for chamado vai se apresentar para trabalhar na próxima segunda (22), no turno das 6h. Um cronograma para o próximo mês também será fixado.

Desde 11 de janeiro, dia em que anunciou o fechamento imediato das fábricas no Brasil –além da unidade no interior de São Paulo, encerrou também a de Camaçari (BA)–, a montadora não fez demissões.

Na Justiça do Trabalho da Bahia, o acordo foi fechado nesta quinta e prevê um período de 90 dias de negociações.

No pedido de dissídio apresentado ao TRT-15, a Ford diz que “pretende ajustar com o sindicato um plano de demissão incentivada que contemple um pacote de indenização e benefícios”.

Em Taubaté, a fábrica produzia motores e transmissões. A empresa já previa a necessidade de retomar a linha de produção para atender a manutenção de estoque, mas havia resistência por parte dos funcionários.

No acordo fechado na quarta-feira, ficou acertado também que a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté terão reuniões às terças e quintas, na sede da empresa, e que até o dia 25 de fevereiro haverá um encontro entre os dirigentes sindicais e representantes globais da empresa.

Segundo a ata da audiência, o sindicato quer conversar com esses representantes por acreditar que eles tenham “poderes de decisão de reverter o encerramento das atividades”. A entidade de trabalhadores deverá apresentar, nesse encontro, “proposta concreta de alternativas”.

O fechamento da Ford em Taubaté não chegou a ser uma surpresa, uma vez que o nível de produção da planta vinha caindo e o número de funcionários encolheu. Para muitos, o encerramento da linha de caminhões em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, era o alerta de que a indústria automobilística ia mal no país.

Desde o anúncio, o Sindicato dos Metalúrgicos do município vem realizando vigílias na fábrica e protesto em frente ao parque industrial. Em um deles, os trabalhadores penduraram seus uniformes no alambrado que cerca a planta, e neles escreveram os nomes de filhos, maridos e esposas.

A iminência da realização de demissões em massa também levou o MPT (Ministério Pùblico do Trabalho) a iniciar ações na Justiça, nas quais dizia que a empresa estava recusando negociação coletiva. Duas liminares chegaram a ser concedidas proibindo a montadora de efetuar dispensas antes de um acordo coletivo. Na semana passada, como mostrou a coluna Painel S.A., nova decisão derrubou a proibição em Camaçari.

A Ford disse, em nota, que todos os seus empregados no Brasil estão com os contratos ativos, sem alteração em salários e benefícios, e que isso será mantido.

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